quarta-feira, 18 de maio de 2011


CAMINHO CAMINHOS SEM VOLTA

Caminho caminhos sem volta,
não sei de mim, quem eu sou,
não encontro nenhuma porta,
para descobrir ao que vou.

Noites e dias são-me iguais,
no seu parecer no seu contido.
E as vidas são tão desiguais,
que eu me sinto aqui perdido.

Eu costumava mudar o mundo,
de pés assentes na Terra ágil,
mas agora, tudo, tudo é imundo,
e eu que sinto-me tão frágil.

Pedintes que na rua falam
pedem-me benesses e ajuda;
conquanto eles logo calam:
cai uma chuva bem miúda.

Tal como eles não sei de mim,
ando pela cidade esquecido.
E esta vida foge-me assim,
comigo sem ter um abrigo.

Nas minhas noites escuras
procuro em vão quem sou,
absinto de maçãs maduras,
garrafa, que logo esvaziou.

Acendo o cigarro e o fumo
- o cinzeiro está apagado -,
vou na vida sem ter prumo,
sinto-me aqui esgotado.

Vem amor me socorrer,
não aguento mais o desafio.
Vem; antes de me perder,
estou na beira de um fio.

Só teu amor me descansa
a tua presença me contém,
vem, amor meu, vem,
e, sejamos, mais além.

Jorge Humberto
13/05/11

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