quarta-feira, 10 de agosto de 2011


FLAGELAÇÃO



Nesta gare, cega estação,
Muro agonizante e distorcido,
Há carne a definhar em podridão,
Num canto qualquer, perdido.

Houve enlevos de reconciliação.
Mas o olho lânguido, abatido,
Nunca clamou sua rendição:
Repreendeu mesmo qualquer sentido.

E o cheiro agridoce, do recanto,
Mostra na saliva o desencanto,
O ardil que consumou a tua trama.

Por isso, vagabundo, a tua sina
É uma doença, que te mina,
Que termina contigo na cama.

Jorge Humberto
(In Saiu a fera de mim)




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