terça-feira, 25 de outubro de 2011


BEM SEI


Bem sei que o rio corre,
Que assim lhe dita a corrente,
E que a prata é informe,
Aonde o sol é displicente.

E sei também,
Que toda a dignidade morre,
Se a carne vem à frente,
Da carne que se socorre,
Da carne plácida e doente.

Ai, como é fácil escrever,
Pôr virtudes em verso,
O difícil é viver
Com o nosso reverso.

Bem sei... bem sei...

Bem sei, bem sei,
Querer é poder:
Eis aqui um livro,
Que a poucos traz saber.

Por ambição nos perdemos,
Por glórias violamos,
O que para guerras vivemos,
A nós nos justificamos.

Jorge Humberto
In "Assim AS Palavras Livres"

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