sábado, 8 de outubro de 2011


A NOITE







Ó noite, dos meus encantos,

De sombras

E sons misteriosos,

Noite que calas prantos

E tens facas,

Segredos nos bolsos,



És vulto nas esquinas,

És mulher de má sorte,

Espelho,

Anfetaminas,

Braços chamando a morte;



Beijo inocente,

Charme maquilhado,

Voz dolente,

Do ato consumado;



E és marinheiro alado,

Cartaz sugestivo,



De um pobre desgraçado,

Que se sente ofendido,

Por não reconhecer,

Como seu,

O nome com que nasceu,

Qual ao morrer.



Ó noite,

Tão viva de tudo,

Prostituta,

Indigente,

Amante,

Sereia,



Por ti não mais me iludo,

Mas cantar-te-ei

Sempre,



A cada nova lua-cheia.

Jorge Humberto
In Fotogravuras II

Nenhum comentário:

Postar um comentário