sábado, 27 de fevereiro de 2010


ANJO OU DEMÓNIO



Eu nasci no deserto,
Como coisa
Jogada fora,
Sou filho provindo
Do mais alto de mim,
Que preverso se recolhe
E agoniza,
No coito que o sodomiza.
Sou prostituto
Do meu próprio pensar,
Alma gémea do meu nada,
Concreto e rude,
Golpe fendido,
Em pedra arremessada.
Me predispus
E não fui,
Socalco de um inexistente
Rio.
As mãos de Deus
No raso dos meus olhos,
A recusa abstracta,
Do que influi,
E no fora se retracta.


Jorge Humberto
(08/07/2003)

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