
ASSASSINADO
Querem-me preso,
Querem-me calado,
Querem-me omisso,
E querem-me leal
E partidário,
Que lhes diga não
O que for preciso
Mas de seus ideais
Seja solidário.
Querem-me aprumo,
Querem-me sinete,
Querem-me resumo,
Um qualquer joguete
Nas mãos sem sumo,
Falso, estilete,
Doméstico
E sem rumo.
Querem-me,
Mas querem-me
Sobretudo,
Sem ter querer,
Prostituto,
Drogado,
Inócuo,
Inerme,
Sem derme,
Instituto,
Astuto,
À epiderme.
Querem-me riso
Sem siso,
Qualquer coisa,
Desde que coisa
Nenhuma,
Que o seu querer,
Quererem-me
Coisa alguma,
É um querer
Sem ter
O porque viver.
Jorge Humberto
(19/12/2003)
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