Jorge Humberto

Nascido, numa aldeia Portuguesa, dos arredores de Lisboa,
de nome, Santa-Iria-de-Azóia, Jorge Humberto, filho único,
cedo mostrou, toda a sua sensibilidade, para as artes e apurado
sentido estético.
Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo natural, de sua evolução,
enquanto homem. E, a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão de eleição.
Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou, de raiz, 10 livros de poesia, trabalhando, actualmente, em mais 6, acumulando ainda
mais algumas boas centenas de folhas, com textos seus,
que esperam inertes, no fundo de três gavetas, a tão desejada e esperada edição, num país, onde apostar na cultura, é quase que crime, de lesa pátria.
Tendo participado em algumas antologias e e-books, tem alguns prémios, sendo o mais recente a Ordem de la Manzana,
prémio atribuído, na Argentina, aos poetas e escritores, destacados a cada ano.
A sua Ordem de la Manzana, data do ano, de 2009.
Sendo ainda de realçar, que Umberto Eco, também foi merecedor, de receber essa mesma Ordem, de la Manzana.
Do mais alto de mim fui poeta... insinuei-me ao homem...
E realizo-me a cada dia ser consciente de muitos.
Quis a lei que fosse Jorge e Humberto, por conjugação
De um facto, passados anos ainda me duvido...
Na orla do Tejo sou Lisboa... e no mar ao largo o que houver.
Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura reflexão.

Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever.

Menção Honrosa ao Poeta Jorge Humberto

Entrevista do poeta concedida ao grupo Amantes do Amor e da Amizade

Quem é Jorge Humberto?
R: Jorge Humberto sempre teve apetência para a arte,
através do desenho e da pintura. A meio a agruras da vida,
nunca deixou o amor pelo seu semelhante. Auto didata e perfeccionista,
sempre levou seu trabalho através da sabedoria e da humildade.

Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R: Não, sou o único poeta da família.

Como e quando você chegou até a poesia?
R: Cheguei à poesia quando estava num castelo em França,
e escrevi um poema, altas horas da noite, sobre a liberdade
que todo o Homem anseia.

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: A resposta foi dada acima.

Qual o seu tema preferido ?
R: Não tenho um tema preferido, escrevo sobre tudo, mas como poeta,
que quer aliviar a solidão de muitos de meus leitores, tenho escrito de há tempos para cá, sobre o amor e reflexões e alguns poemas bucólicos.

É romântico ? Chora ao escrever?
R: Acho que sim, que sou romântico, mas os outros falarão disso melhor do que eu. Já chorei a escrever.

Qual sua religião?
R: Agnóstico


Um Ídolo?
R: Fernando Pessoa

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio todos os dias, quando me deito. Meu autor preferido é o que referi como ídolo.

Quais seus sonhos como poeta?
R:Ver meus poemas impressos em livros e que meus poemas
tragam algo de bom a quem me lê

Como e onde surgem suas inspirações?
R: Surgem naturalmente, através do que vejo, sinto e penso.


Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Digamos que meu lado perfeccionista, já me levou a alterar alguns poemas originais. Mas depois de algumas poesias, em que lhes dei outro cunho, não achei por bem mexer, naquilo que nasce de nós, assim como nascem são meus versos, que divulgo.

Qual o filme que marcou você?
R:" Voando sobre um ninho de cucos/

Como é o amor para você?
R: O amor é dádiva, compreensão e um bem querer de um querer bem.


Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Cuidando dos Jardins

Cuidando dos Jardins
Jorge Humberto-2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

domingo, 8 de agosto de 2010


A ASTÚCIA E O ASTUTO

O astuto é auspicioso e atento a tudo o que o rodeia. De uma inteligência acima da média, faz bom uso desse estatuto para conseguir o que quer, ante as outras pessoas. Faz-se de útil para atrair as boas graças dos outros, é bem-disposto e tem um bom cenho, que encanta as gentes, prontas a serem favoráveis à astúcia do interlocutor. O Astuto é sagaz e engenhoso e consegue levar as pessoas ao que pretende delas. De fino trato para com os outros, já está a maquinar uma engenhoca, para seu bom proveito, à custa das outras pessoas. O astuto é bem-parecido e caminha pelo limbo, para causar boa impressão.

A astúcia usa de estratagemas para usufruir o que pretende, ardilosamente e subtilmente. Faz gala de sua esperteza e sorri à socapa, para não ficar mal visto perante os demais, possíveis e futuras presas, do astuto. É manhoso e ardiloso e estuda os costumes dos outros, para atacar na hora certa. Aplicado e respeitoso tem muitos amigos, dos quais tira proveito, sempre que a ocasião se proporciona.
Por tudo isso é bem considerado e nunca comete erros desnecessários, que o ponha em causa. O Astuto pensa no presente e no futuro, com o mesmo instinto qual fora se tratara de um animal, que se passeia pelo recinto de seu território.

Nunca comete erros que o comprometa futuramente, por isso vive o presente com o intuito de vencer as barreiras que se lhe deparam, no momento actual. É aplicado como um bom estudante e tem conversa para dar e vender, que os outros escutam com predilecção e arrebatamento, tratando-o como a um deus. Veste-se bem e com a propósito, nunca sendo exagerado, nem sequer na fragrância que usa, para atrair o sexo oposto. A astúcia maravilha pelo seu conceito, arrebata os outros e dá-lhes prazer a sua companhia, que é sempre bem estudada e aplicada, para conseguir o efeito pretendido.

O astuto é qualidade de pessoa que agrada aos demais, é elegante e gracioso. Não se importa de conceber um favor, pois sabe que vai colher os frutos dessa acção, mais à frente. Benevolente sabe perdoar, sempre com um gracejo na boca, que faz os outros sentirem-se agraciados. Garboso não deixa por isso de cuidar de sua privacidade, que leva muito a sério. Tem um dom natural que usa como meio de salvação ou satisfação própria. Sai sempre airosamente dos casos mais bicudos e exigentes, que faz com que puxe pelos seus galardões, como meio de escape. Goza de um estado de inocência, que os outros lhe auferem, e de isenção de culpa.

A astúcia goza de uma auto percepção fora do comum, nada lhe escapa às suas garras afiadas. Habilidoso o astuto mesmo quando abstraído está a pensar em novas manhas, a serem aplicadas aos mais distraídos e convencidos de uma suposta hierarquia, conjuntamente com ele, que fazem questão de agradar, quando não passam de simples fantoches. O astuto faz sobressair o que de melhor tem cada uma de suas vítimas, dando-lhes a sensação de importância que em realidade não têm nem nunca terão, deixando-os desavisados e descuidados. A astúcia é a mãe de toda a malandragem e de todos os imprevistos.

Jorge Humberto
08/08/10

A VAIDADE

O vaidoso é avarento e descuidado, no trato com as outras pessoas. É prepotente e sofre de síndrome de Narciso. O vaidoso não é, aparenta ser. Vive olhando-se no espelho e passa horas a cuidar de si. A vaidade é traiçoeira e nunca diz a verdade. É ilógica e sem senso comum, julga-se a tal e fala alto, para todos a ouvirem. O vaidoso mostra excessiva confiança e orgulho em si mesmo. É presunçoso e presumido, e tem grande cuidado com a sua aparência. É falso e encontra sempre defeitos a apontar aos outros, nunca olhando para os seus próprios defeitos, pois para ele estes não existem.

O vaidoso quando na rua, pára para se olhar no vidro da montra, e se regalar com o seu ego exacerbado. É exagerado e tem movimentos bruscos, passando a mão no cabelo repetidas vezes e tem um sorriso convencido nos lábios. É pernicioso e nocivo, mentindo muitas vezes sem se dar conta disso, pois a vaidade está tão impregnada nele, que não diferencia o bem do mal. É hiperbólico e tresanda a perfume barato. Aumenta ou apouca o sentido das palavras, que dirigi aos outros.
O vaidoso não se senta à mesa com ninguém, faz-se anunciar em voz alta e não é indiferente para as outras pessoas, embora estas o evitem.

É aquele que aparece e se mostra radioso, orgulhoso de si mesmo. Parece ser mas não é, vive de falácias e maus agoiros. Nunca tem uma palavra simpática para com ninguém e se acaso a tiver é de desconfiar a fartura. O vaidoso é peneirento e veste-se de cores garridas e ofensivas aos olhos. Mostra excessiva confiança e orgulho exagerado de si mesmo. Tem mil e um cuidados com a sua aparente boniteza. Julga-se o rei do sítio e tudo tem de ser em conformidade com o que ele “pensa”. Constrói à sua volta ventos e castelos de areia, que se desmoronam à primeira contrariedade.

A vaidade não se importa que seja só aparência, aliás faz jus a isso e glorifica-se. O vaidoso é irritante e anula os outros logo à partida, não dando chances de estes se mostrarem activos e de importância legal, maior que o seu egocentrismo exacerbado. Gosta de um corpo bem cuidado e veste roupas apertadas e justas, de maneira a salientar os músculos e os bíceps bem trabalhados, no ginásio lá da rua, que faz travessa com o cabeleireiro, onde passa horas a tratar de seus cabelos. É ambíguo excepção feita à sua hipocrisia e absurdo. Tem um manancial de tolices para se fazer ouvir, de qualquer jeito pois não concebe passar incógnito.

A vaidade não passa despercebida e é matreira, fazendo ridículo das outras pessoas, quando o quadrado é-lhe extremamente desfavorável. Faz birras como as crianças, quando não consegue alcançar o que almeja, só por cobiça e inveja. Tem desgosto pelo bem alheio e deseja possuir a qualquer custo o que o outro tem, acompanhado de ódio pelo possuidor. A vaidade não é nem um pouco de confiança e é insolente. Faz honra de ser como é, pois a vaidade está correcta, em contrapartida com o bom senso dos demais, que circulam à sua volta. A pessoa vaidosa evidência uma total indiferença para com os outros e é atrevida.

Jorge Humberto
07/08/10

APENAS EU

Não me reconheço poeta
nem escritor,
sou apenas alma e coração,
que explana seu pensamento
na folha branca,
ávida de palavra.

Sento-me e abro o livro,
ainda em branco,
e sou impelido a escrever
o que vai no meu peito,
cavalo louco
de minha consciência.

Consciência imortal,
que faz de mim ser supremo,
de alma perdurável
e cuja memória não
se apagará,
hoje e amanhã.

Jorge Humberto
06/08/10

O OPORTUNISTA

O oportunista tira vantagem de sua chantagem mental para alcançar o que quer. O oportunista aproveita as oportunidades normalmente sem preocupações éticas. É a oportunidade em pessoa e faz uso da boa vontade ou ingenuidade dos outros para atingir os seus fins lucrativos. É conveniente e está sempre à altura da ocasião mais favorável. Aproveita-se do momento e faz da artimanha a sua arma preferida. Recorre à mentira como quem respira e faz do ensejo momentâneo a sua oportunidade, servindo-se da fraqueza dos outros e de sua ingenuidade. É caprichoso e tem uma necessidade física que o impele à oportunidade.

A oportunidade é uma faculdade comum aos homens pelo qual o espírito se inclina a uma acção. O oportunista é falso e não tem sentimentos de culpa, quanto a isso e à sua maneira de agir desleal. É fingido e simulado para além de traidor e não verídico. Espera a sua presa com tranquilidade assustadora e quando o momento chega, está sempre em cima dos acontecimentos. O oportunista é bem-falante e é sabedor de sua “profissão”, como mais ninguém.
É dissimulado e tem boa aparência física, veste-se bem e sabe esperar pelo seu momento, que é sempre o mais oportuno.
Aparente e enganoso, tem sempre um sorriso nos lábios e sabe usar de cortesia

Leva os outros ao engodo prometendo-lhes o que não tem mas fazendo crer que é possuidor daquilo que apregoa. É suposto e nunca diz a verdade não se afligindo por isso, aliás, tal facto, deixa-o convencido de sua faceta menos clara e imprópria. Tira proveito do seu disfarce à semelhança de quem necessita de uma ajuda, que vem sempre de uma pessoa imprudente e desprevenida, que vai no conto do vigário, inocentemente e sem malícia. O oportunista é esperto e sagaz compreendendo a sua oportunidade assim que esta se lhe depara.

Estuda os movimentos dos outros com perspicácia e nunca deixa fugir a sua vitima, estando de sobrolho. O único esforço de que dispõe é o estar atento ao que se passa à sua volta, qual abutre a rondar o cadáver. É um ladrão de sonhos por excelência, e goza do seu estatuto oculto para trazer as pessoas ao prejuízo. O oportunista causa danos irreparáveis dos quais é difícil de sair. Há os que perdem tudo, indo na conversa do oportunista, que se congratula pela sua esperteza e agudeza de espírito. Oferece as pessoas ao sacrifício como num ritual religioso. É prudente e age em conformidade.

Nunca se põe em causa nem à sua vida, usando da difamação para se livrar de algum imprevisto… vitimizando-se. Sujeita as outras pessoas à tirania de seu carácter improvável. É um criminoso altamente qualificado e faz jus disso mesmo para atingir os seus fins lucrativos. O oportunista anda sempre sozinho, sentado nalguma explanada, a observar atentamente as suas vítimas, que nunca desconfiam de nada, entregando-se à benesse do oportunista, que cuida bem do incauto. O oportunista leva vantagem de sua esperteza e inteligência, perante os demais. Não concebe a derrota como uma coisa possível de acontecer.

A SUBTILEZA

A subtileza é um sentimento tíbio, que as pessoas usam nas conversações ou relações com as outras pessoas, de maneira a não ofende-las ou fazer sentirem-se prejudicadas. A subtileza tanto pode ser uma preocupação para com os outros como uma manha, para tirar proveito próprio no acto da sociabilização. A qualidade de subtil é uma delicadeza ou um argumento ou raciocínio próprio para embaraçar outrem. A subtileza é uma chapada de luva branca no rosto do provocador e é sinal de atenção para com aquilo que se vai dizer, no acto da entrega a uma pessoa.

O estado de subtil é extremamente miúdo, que escapa ao tacto. A subtileza pensa antes de agir, é penetrante e fica a rondar o pensamento, como um círculo insistentemente rotativo. A subtileza é um sentimento hábil e talentoso assim como artificioso e engenhoso. A pessoa subtil torneia os obstáculos com tacto fugindo das provocações dos outros. A subtileza insinua-se e infiltra-se rapidamente no pensamento das outras pessoas, fazendo-as pensar nos seus gestos particulares, que vão dividir com os outros. O subtil é simples e simplifica as coisas, de maneira a fazer-se entender.

A subtileza é uma linha ténue que vai e vem conforme a necessidade do momento. A pessoa subtil é extremamente inteligente e usa da esperteza para fugir dos conflitos e para conseguir o que almeja. Pode ser uma ambiguidade ou uma certeza. A pessoa tem um comportamento ou um discurso caracterizado pela repetição automática dum modelo anterior. A subtileza é o engenho da palavra falada em que o seu interlocutor faz bom uso dela, de modo a interferir com o comportamento de outrem. Leva a água ao seu moinho e está sempre com a razão momentânea ou a médio, longo prazo.

O subtil mantém uma boa aparência e é tranquilo, pois sempre sabe como se impor e impor as suas ideias. No entanto o subtil também pode ser de qualidade duvidosa e maliciosa. Usa de sagacidade para alcançar os seus meios e merece o respeito e a deferência dos seus congéneres. O subtil incute o temor no que os outros, ou o próprio, podem dizer. Outras vezes extrapola um sentimento que o impede de dizer ou fazer coisas desagradáveis a alguém. A subtileza fala com seriedade ou aparenta tal perante os seus ouvintes, embevecidos com tamanha destreza. Contrapõe os outros usando de seu bom critério.

Assemelha-se às outras pessoas mas diferencia-se com o seu bom palavrear, perante os demais, que o veneram e acatam as suas ideias, como pão para a boca. São pessoas convencidas e que convencem quem com elas partilha o seu dia-a-dia. Nunca se atrapalham ante um diálogo mais acesso fazendo uso de sua subtileza. A subtileza é o maná dos espertos que riem à socapa da estupidez e intrepidez dos outros. A subtileza é ainda uma farsa disfarçada de boa índole. O subtil e a subtileza tanto podem ser sérios como falsos, há para todos os gostos,
mas o subtil normalmente aparenta ser boa pessoa, e daí talvez não, tirem as suas próprias conclusões.

Jorge Humberto
05/08/10

quarta-feira, 4 de agosto de 2010


O NOSSO DESPERTAR

Num mar tranquilo com ondas cavalo
e galgos de espuma, sinto a frescura
de teu beijo, com nardos e avencas a enfeitar.

No silêncio das águas ouço-te a chamar por mim
musa amada e desejada com todo o ardor possível
a dois amantes que se amam à beira-mar.

Trocamos olhares lânguidos e sementes
que criam raiz na terra fértil e cultivada,
no cimo das planícies agrestes de solo riquíssimo.

E satisfeitos caminhamos o nosso despertar
por florestas virgens grávidas de vida,
como se esta fosse a última vez que nos víssemos.

Jorge Humberto
04/08/10

À INTELIGÊNCIA

A inteligência é a pertinácia dos sentidos, a perspicácia dos sentimentos e o uso extra-sensorial do pensamento activo. A particularidade da inteligência é o bom senso comum e o emprego frequente das faculdades da razão. O indivíduo inteligente vive em harmonia consigo e com os outros e é de compreensão fácil. A inteligência requer prática no modo frequente com que faz uso de seu conceito, perante os factos subsequentes. A inteligência tem opinião própria e aceita a opinião dos outros, com humildade. Mudar de ideia acerca de uma coisa, que vimos estar errada é sinal de inteligência e de crescimento pessoal.

Nada assume maior proporção para a pessoa inteligente, do que se fazer entender e ao seu raciocínio lógico. A pessoa inteligente é de fácil aceso e deixa que as outras pessoas se aproximem dela, pois não tem por hábito ser egoísta, sabe sempre ao que vai. Inteligência é sinal de grandeza. De conceitos próprios o ser inteligente usa frequentemente de reflexão diária e gosta de se pôr à prova. É uma pessoa notável e requisitada para dar a sua opinião sem se impor nem infundir medo, nos que a procuram. Uma pessoa inteligente tem tanto de felicidade como de preocupação.

Muitas vezes incompreendidas, pelos seus parceiros, nada lhes incomoda mais do que se sentirem alienadas pelos outros. As pessoas que gozam de inteligência são por costume simples e modestas, pois não precisam de se fazer notar. Gostam de um bom debate e de uma boa discussão, donde fazem uso de todas as suas faculdades intelectuais. Repugnam a violência e não entram em conflito por dá cá aquela coisa. Gostam das coisas bem esclarecidas e só se dão por satisfeitas quando se chega a uma possível conclusão plausível. Sim… porque nada é certo e a metamorfose dá-se a todo o instante, mudando por vezes radicalmente os nossos ideais.

A inteligência nasce com o indivíduo mas pode ser modelada consoante se vai progredindo no tempo e no espaço. Só assim se cresce e se faz bom uso do raciocínio. A pessoa inteligente é moderada e não precisa de fazer uso da arrogância para sobressair, perante os demais. Sabem o que são e o que as outras pessoas esperam delas, sem entrarem em grande stress psicológico. A inteligência é uma dádiva, que nem todos sabem tirar proveito tendo por emprego frequente a má formação, que atinge o momento crítico quando a pessoa em causa se põe em dúvida e usa a inteligência com má “fé”.

Ser inteligente é uma responsabilidade e joga com a credibilidade da pessoa. Quanto mais inteligente mais se exige da pessoa, como se esta fosse um caso à parte, obrigando-a a superar-se a si própria, a todo o momento. Faça-se da inteligência um procedimento e um modo de luta, para a sobrevivência e o altruísmo das novas gerações. Inteligência é estudo, desenvolvimento e comprometimento, para com a raça humana. É observar-se e procurar conhecer-se, a cada dia. É analisar atentamente o comportamento dos outros, para encontrar respostas credíveis, à necessidade das pessoas analisadas.

Jorge Humberto
04/08/10

DO PRECONCEITO

A pessoa preconceituosa é uma pessoa profundamente desequilibrada e exageradamente conflituosa, no que aos seus sentimentos diz respeito. De ideias fixas e desencontradas sempre arranja argumentos para contrapor os outros e manter os seus ideais salvaguardados. Xenofobistas por convicção entram em conflito num piscar de olhos, defendendo suas ideias até ao insustentável do razoável. Para estas pessoas todas as outras têm defeitos e fissuras de personalidade. Quando acontece exactamente o contrário, contudo não são capazes de alcançar o mais obvio e evidente, de que são pessoas rancorosas e de mau feitio, para com os outros.

Extremamente territoriais sempre acusam no rosto um mau cenho, para que dessa forma possam manter as outras pessoas afastadas de si e de sua jurisdição. Usam o termo «eu» quando em contacto com outras pessoas, de maneira a satisfazer o seu egocentrismo doentio e de penúria conforme à razão, que não lhes assiste. Uma pessoa preconceituosa só se concebe pela razão, que, como todos podemos verificar, é uma sem razão, pois o preconceito é algo de irracional e contraproducente. É uma pessoa empírica, que usa e abusa dos sentimentos mais profundos, das outras pessoas. O preconceituoso é uma pessoa de ideias ou conceitos formados antecipadamente e sem fundamentos sérios ou imparciais.

São supersticiosos e intolerantes, não aceitando um «não» como conceito. Sofrem de opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos e sofrem ainda de cegueira moral. Aliás são amorais e não conseguem manter uma conversação sem que a intolerância tome conta da razão mais do que provável e significativa, baseada que é em factos reais. São pessoas que vivem na extremidade da corda, e encontram-se distantes do que é considerado normal. São radicais por natureza e são extraordinariamente solitários, não lhes afectando tal facto, pois que não sabem viver em sociedade, olhando os outros nos olhos, sem que antes desviem o olhar e descarreguem seus preconceitos como se fora uma arma de fogo.

Um pessoa preconceituosa é exímia em afectar a intuição de uma outra pessoa, é vaga e não tem a aptidão para receber as impressões dos demais, ao seu redor. Contradizem tudo e todos, como se a verdade fosse com eles e a inverdade corre-se pelos poros da pele das outras pessoas. Falta-lhes percepção e faculdades para compreender o que lhes estão a dizer, pois não têm consciência íntima. Não têm pesar, paixão ou desgosto, são pessoas frias a agoirentas, mantendo-se o mais possível afastadas das outras pessoas. Insensíveis têm a nítida sensação, de estarem a ser observadas e que lhes querem mal. O mal está com elas não com os outros. Um pessoa preconceituosa é sociopata e trai a liberdade dos outros serem como são. Para ela tudo está fora de questão e é pernicioso.

Jorge Humberto
03/08/10

CÂNDIDO OU O OPTIMISMO

A inocência é a mente sadia de uma criança, ainda sem preconceitos nem estigmas que vitimiza as pessoas, que são postas de parte, por razões que o bom senso não aconselha. Um amigo nunca é demais e inocentemente compartilha a sua brincadeira com o amigo do amigo. A inocência não é de todo orgulhosamente só, acarreta consigo o bem-estar e o bem-querer e partilha-a de bom grado com os outros indivíduos. A inocência requer um bom estado de espírito e um comportamento nada antagónico, a amizade vem sempre em primeiro lugar com isenção de culpa.

Ignora o mal e é pura no seu estágio mais avançado, secundada pelo altruísmo. A inocência é cúmplice de seu protagonista e tem simplicidade e ingenuidade. Não é fraca, apenas é unânime e única como um dos melhores sentimentos humanos, que se pode praticar e usufruir. O estado de inocência é solidário e sensacional, não sensacionalista. A inocência é muitas vezes confundida como perdulária e por causa dessa confusão sofre de abusos extras, por parte de pessoas de má índole e de personalidade duvidosa. O inocente é muitas vezes culpabilizado pela má conduta de outrem, tendo como agravante o não se saber defender, pois que ninguém o entende, ou faz por isso.

Quantos inocentes não são postos à prova, indo presos sem culpa formalizada ou testemunho credível. Quando são ilibados, depois de anos na prisão, quem lhes devolve a liberdade perdida? Cândidas e optimistas as pessoas inocentes têm de mostrar a todo o instante o seu estado de imaculadas. Perseguidas e má interpretadas vêem a sua inocência ser denegrida, por pessoas de mau carácter. A pessoa inocente é pura e faz dessa pureza o seu modo de vida, sendo no entanto incompreendidas, pela sua castidade acima de qualquer suspeita. A inocência está para as pessoas como as flores estão para o campo, ambas crescem a meio de sua ignorância para o mal. A todos respeitam com uma simplicidade comovedora, são prestáveis e qualificadas de ingénuas, o que não faz delas pessoas menos inteligentes.

Plácidas e pacíficas é de costume serem tratadas como ignorantes, por indivíduos de má índole e má formação congénita. São pessoas sossegadas e para além de tudo o que escrevi acima, têm muitos amigos verdadeiros, que dão a sua vida por elas. Tementes a Deus fazem de sua crença a fé que os estabiliza e fortifica. As pessoas inocentes são tal qual as crianças, a nada julgam mal e para todos reservam uma palavra de candura e um acto de fidelidade. Para além de tudo são bem vistas pelos seus congéneres e semelhantes, nunca guardando rancor, mesmo quando são vítimas de difamação e imprudência. A inocência é uma criança “grande” que não se esquece de suas raízes e das pessoas que querem bem, ao qual dão muitíssimo valor. Apaixonadas pela natureza vêem com bons olhos tudo o que está ao seu redor e próximo a elas. Estão sempre ao dispor de tudo e de todos não quantificando os amigos e vizinhos, à sua semelhança. A inocência é a virgindade dos que são puros de alma.

Jorge Humberto
03/08/10

AUTODETERMINAÇÃO

A autodeterminação é um direito que a todos assiste de decidir por si mesmo. Todos temos direitos e deveres aos quais devemos cumprir como parte determinante de membros de uma sociedade, com o que nos é devido. A liberdade
é inerente à autodeterminação, só nos sentindo livres para decidirmos nossos actos nos tornamos de facto parte integrante e segura de uma comunidade. A liberdade de um está onde acaba a liberdade do outro, por isso devemos ser muitos conscientes e rigorosos para não cometermos erros e injustiças.

A autodeterminação é o direito ao voto e à escolha de quem queremos para nossos governantes. Sem isso vive-se num regime de tirania, própria de muitos países onde a liberdade é uma ilusão sonhada e requerida. Devemos lutar pela nossa liberdade com todas as nossas forças e “crenças”, sabendo que só isso nos traz alegria e nos faz fazer parte de uma sociedade, plena de direitos e de deveres. Nascemos livres e assim nos devemos manter pela vida fora, contra todas as contrariedades, que nos são impostas por opressores e déspotas.

Aquele que abusa da autoridade para vexar os que dele dependem não nos merece a confiança necessária para governar, pois que nos rouba a liberdade de expressão e a manifestação de nossos sentimentos mais íntimos, próprios de quem vive em pleno com a sua autodeterminação. O acto ou efeito de nos exprimir é tanto um dever como um direito amplo de qualquer cidadão. A liberdade é o direito de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o direito de outrem. A liberdade é também a condição do homem ou nação que goza de liberdade. A autodeterminação é o conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos de um cidadão.

A cidadania é um direito que a todos assiste e complementa o estado de cidadão de facto. Deve-se estipular e conceder o direito de autodeterminação, numa sociedade livre. Quem goza de liberdade não deve abusar dessa sua condição para impor o que seja a outro, que como ele é livre de direito. Deve-se outorgar, em escritura pública, os direitos e deveres de uma nação livre. Uma nação só é livre quando os seus concidadãos gozam desse direito, em plenitude e consciência. Infelizmente há muitos países que ainda não estão na posse dessa liberdade, que fazem de seus cidadãos pessoas de facto, com todas as garantias que uma sociedade livre lhes concede.

A falta de liberdade e de autodeterminação é determinada pelo prazer que as pessoas tiram, ao viverem conjuntamente com as outras pessoas, que compartilham a sua vida, em conformidade. Um cidadão é um indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado livre. Uma sociedade vivendo em plena liberdade deve lutar para oferecer todas as condições aos seus cidadãos. É um requisito cada vez mais exigente, agora que vivemos no século XXI e numa nova era. É um dever que temos para com as gerações vindouras e não devemos fugir dessa obrigação.

Jorge Humberto
02/08/10

SOU COMO SOU

Sou o que devo ser
não o que os outros
querem para mim.

Personalizado e de
ideias bem formadas
assumo os meus actos

como coisas possíveis
de se realizar e de se
concretizar em pleno.

Não me afecta o facto
de deixar alguma
coisa por fazer ou exercer

isso é natural e faz jus
à minha condição humana,
errónea e falível.

Errar uma vez é facto
errar duas vezes
é estupidez sem argumento.

Sou um efeito consumado
se erro tento não repetir
a façanha desastrosa,

pois isso irrita-me e põe-me
em causa, enquanto ser
pensante e inteligente.

Não perco muito tempo
com uma só coisa
porque isso desgasta.

Mas não deixo de medir
os pós e contras
antes do acto de agir.

Não sou presumível
antes ponderável
com tudo no sítio certo.

Jorge Humberto
01/08/10

O ACTO DE RECORDAR



Recordar é exercício inútil, é fazer do passado mais do que o presente tem de útil. Mas recordar também é viver desde que não se seja saudosista e vá na vida a olhar para trás. Recordar é necessário para o não esquecimento de nossas vidas, e para abrir ou fechar portas, conforme nos for mais conveniente.

Fazer vir à memória tempos passados é viver em sobressalto e deixar de viver o presente. Recordar tanto tem de alegria como de infelicidade depende daquilo que estejamos a lembrar-nos. Os velhos recordam o passado como forma de viver e de conviver com o presente, já as crianças recordam do presente o que o futuro lhes pode trazer.

Há quem se isole e viva de recordações, essas pessoas não vivem, sobrevivem em sofrimento e angústia prolongada. A vida é para se viver no agora e já, ter lembranças é saudável mas acordar para a vida com o passado em mente normalmente é doentio e enfraquece as pessoas.

Recordar deve ser um ócio que se compartilha com os amigos já que estar sozinho com as recordações pode ser insalubre e desgastante para a pessoa em causa. Recordar os nossos tempos de meninice, as namoradas, os amigos, o que fizemos de bom e de menos bom, é essencial para o nosso presente, pois faz-nos questionar e tirar uma boa gargalhada.

Recordar pode ser lembrar tempos de conquista em que alcançamos louros à nossa custa e com o nosso esforço. No entanto recordar também pode ser pernicioso, quando se faz da lembrança o nosso modo de viver e de lidar por conseguinte com os nossos amigos e vizinhos. Deve-se recordar sem ficar parado no tempo, pois as recordações podem ser falseadas à custa de nossas ilusões sofridas e marcadamente erróneas, por se desejar o que já não se possui.

Fazer das recordações nossos senhores e amos é fazer do presente um engano dos sentidos e de nossos pensamentos. É uma esperança irrealizável e uma quimera à moda dos alquimistas, que tentam transformar pedras em ouro. Devemos pôr um dessas pedras no nosso passado mas não nos devemos esquecer de todo o que vivemos outrora, repito sem saudosismos. Recordar é a fidelidade de usos os costumes, que não são mais admitidos.

É salutar uma boa lembrança mas não devemos passar daí, pois podemos ser levados ao engano. Recordar tanto tem de bom como de mau depende de como fazemos disso o nosso dia-a-dia. É favorável e proveitoso sentarmo-nos à mesa com os nossos amigos e lembrar bons tempos do passado, sem nos sentirmos oprimidos e com aquela dor no peito, que nos sufoca. Recordar é uma faca de dois gumes e pode ser perigoso para a nossa saúde mental e física. Mas também é bom lembrarmo-nos de bons tempos passados. Há que saber ser equilibrado.

Jorge Humberto
01/08/10


APARÊNCIAS

Julgar o outro pela sua aparência ou pelo seu modo de se expressar é um erro crasso e é um sentimento pouco nobre. Quem vê caras não vê corações, já lá diz o ditado, e muitos se surpreenderão com aqueles que negam à partida, quer pela sua face quer pela sua expressão corporal ou expressiva. Todos somos diferentes e todos somos iguais, portanto está fora de questão julgarmos as pessoas pelo que elas são ou deixam de ser. É certo que não podemos agradar a todos, mas isso não nos torna marginais perante a sociedade, antes pessoas interactivas que se comunicam, umas com as outras e compartilham de suas vidas. Há muitos oportunistas, que fingem ser amigos, àqueles que renegam, só para tirar proveito de uma pessoa menos vistosa, em todos os seus aspectos existenciais…
As aparências iludem e quem julga os outros pela sua parecença são pessoas de mau conceito e de personalidade fraca e influenciável.
A aparência é o que salta à vista mas não é o mais importante, nem por um segundo, o importante é o que as pessoas têm dentro delas e transmitem aos demais seres humanos, que, como elas, não podem viver de máscara no rosto. A exterioridade é o aspecto pelo qual julgamos as pessoas ou as coisas, e a probabilidade dessas pessoas se tornarem vaidosas e convencidas é um facto, que diria quase consumado. São indivíduos pressupostos que fazem da aparência o seu modo de vida. A aparência tem tanto de bom como de mau, se fazem mau uso dela, para seu proveito próprio e para se evidenciarem perante os outros, convencidos que estão de sua bela presença física. Quem faz mau uso de sua aparência sofre de agnosia e é presumido. Que ou quem mostra confiança ou orgulho exagerado em si próprio é presunçoso. Também há o outro lado, pessoas que se mostram contentes pelo seu sucesso (sem arrogância) ou pelo sucesso de alguém que lhe é próximo.
É uma faca de dois gumes, e a arrogância e a simplicidade podem andar de mãos dadas, deixando muita gente confusa quanto ao comportamento a ter e a haver. O que não podemos é julgar ninguém pelo seu aspecto exterior, pois isso faz parte de sua faceta, enquanto ser humano sociável, ou não. Como já referi a aparência tem o seu lado bom e o seu lado mau. O lado bom é que a boa parecença pode abrir portas, que, de outra forma, estariam fechadas, como é o exemplo das modelos e das actrizes, o lado mau é que a pessoa pode tornar-se obcecada e insalubre, tornando-se narcisista e fazendo esforços para se incluir no clube dos bem aparentados, recorrendo muitas vezes a operações plásticas que desvirtuam a pessoa por completo, pois deixa de ser autêntica, para ser qualquer coisa sem nome que se lhe diga. Cada um tem a aparência que tem, e assim deve manter-se,
como o modo de se expressar deve ser o mais natural possível. Cada um é como cada qual e não nos devemos imiscuir nisso, de forma alguma. À semelhança de outra coisa qualquer, cada um nasce com o que tem e deve ser feliz por isso, sem se sentir oprimido, quer o “feio” quer o “bonito”, sofrem de pressões extra pessoais. E isso deve ser o bastante a suportar.

Jorge Humberto
31/07/10

sexta-feira, 30 de julho de 2010


A SOLIDÃO

O estado de solidão é um estádio permanente de agonia e de sofrimento, onde as pessoas se sentem à margem da sociedade, incompreendidas e isoladas dos demais. Solidão afecta o nosso físico e a nossa alma, deixando-nos doentes e severamente prejudicados. Por mais que combatam este seu estado de solidão e de se sentirem sozinhos e abandonados, é-lhes difícil falar nisso aos seus amigos e vizinhos, fazendo-os pessoas desgastadas psicologicamente, nutrindo um pavor por tudo o que as rodeia. Tanto faz estarem acompanhadas de uma multidão, e por mais que aspirem a contrariar esse seu estado de alma, não o conseguem, pois são pessoas que se entregam à sua má “sorte”. São pessoas infelizes e nada lhes altera esse estado de espírito mesmo que tentem conversar com outras pessoas, que dialoguem com elas, a sua pouca “fé” num estado diferenciado não as ajuda em nada. É confrangedor estar rodeado de pessoas e mesmo assim sentirem-se sozinhas e largadas ao abandono. Renunciam à partida qualquer cura pois o desamparo as deixa absolutamente sós. Afastam-se da convivência com as outras pessoas, pois têm um mau prenúncio sobre si próprias e isso as torna incomunicáveis e socialmente má vistas, pelos outros que não compreendem tamanho sofrimento e insociabilidade. São pessoas sem qualquer ânimo e nem mesmo os amigos as amparam, já que acham que esse é o seu direito e o dever que devem cumprir sem se queixarem, perante ninguém nem nada. Carpem as suas dores sozinhas e não raras as vezes choram sem saberem porquê ou porque o sabem de facto e não conseguem contrariar essa faculdade. Encontram desânimo em tudo e nada as alegra. De vez em quando largam um leve sorriso, pesando-lhes a consciência, por terem desrespeitado o seu âmago. No entanto são pessoas respeitáveis e respeitadoras e mesmo assim têm bons e sinceros amigos, que fazem questão de preservar com os seus bons sentimentos. São pessoas que nos entristecem a todos, os de boa índole e de carácter fortemente personalizado. Acanhadas falam muito pouco mas o que dizem contem verdades insofismáveis. Pessoas inteligentes tal facto as faz sofrer ainda mais, por reconhecerem a sua solidão, como um mal-estar que não entendem. A solidão é a destruição do sujeito em causa, consumido gradualmente física e psicologicamente. Não raras as vezes adoecem e entram em processos de auto flagelação, sofrendo de psicoses mais ou menos destrutivas. Quem sofre de solidão agoniza sozinho, mesmo que acompanhado por outras pessoas suas amigas, que não sabem o que fazer para inverter o sentido das coisas, tal como elas se encontram. Fortemente deprimidos entregam-se à solidão, que é o que reconhecem como algo de valorizado, o que os deixa, erradamente com o que lhes resta de coragem para fazerem o seu dia-a-dia, com um sentido de merecimento que eles puxam para si próprios para assim se sentirem menos culpados, por algo que não conseguem controlar e do qual não têm a culpa. A solidão é tristemente incompreendida e as suas qualidades passam despercebidas.

Jorge Humberto
30/07/10

quinta-feira, 29 de julho de 2010


A SATISFAÇÃO


A satisfação é o complemento do bem-estar das pessoas. Pressupõe-se um bom estado de ânimo que se propaga a quem nos rodeia e se prolonga pelo dia a fora. Uma pessoa satisfeita com a sua vida e o que esta lhe propõe é uma pessoa activa e emergente ao que lhe procede. Satisfação procura-se, não se encontra a uma esquina à nossa espera, para que a agarremos e nos sintamos mais equilibrados. A satisfação é um estado de espírito que nos traz felicidade e nos compromete para com as outras pessoas, que nos albergam no seu estado de contentamento. Uma pessoa satisfeita é condescendente e tem para com os outros uma preocupação elementar. A satisfação é abrangente para com as pessoas de bom ânimo, e permeia quem faz uso desse sentimento de prazer e de alegria. O estado de satisfação é unânime e presenteia as pessoas com um bom espírito colectivo e social. Quem usufrui do estado de satisfação nunca está sozinho, pelo contrário está rodeado de pessoas que querem participar desse bom sentimento. Satisfação é lealdade e verdade, uma pessoa satisfeita nunca é egoísta e gosta de comparticipar nas acções colectivas de uma sociedade ou de uma comunidade. Sempre prontas a ajudar e a elevar os sentimentos mais pessimistas, estas pessoas nunca se negam a fazer uso do seu bem-estar, em benefício das outras pessoas mais tristes. Nunca se dão por contentes enquanto os outros indivíduos
não secundam a tristeza e o seu mal-estar colectivo ou individual. Do ócio pode-se tirar satisfação, desde que as pessoas não se preocupem em demasiado com esse sentimento de prazer renovado a cada instante de suas vidas peculiares. Como é um sentimento de satisfação? Este tem como base a alegria das pessoas, e o querer compartir esse efeito de cativação, com quem rodeia uma pessoa satisfeita e de bem com a vida. Satisfação é indisfarçável e não se coíbe de se apresentar aos outros, como um sentimento de deleite e de gozo recíproco. Satisfação é um sentimento agradável que alguma coisa faz nascer em nós como um desejo ou um contentamento. Quem usufrui de satisfação, tem a sua vida nas próprias mãos e é dono de seu “destino”. Satisfação é um estado de alegria permanente e quem goza desse bom sentimento gosta de o partilhar com as demais pessoas, que fazem parte de sua vida, mais ou menos recorrente, a elas pouco lhes importa desde que consigam transmitir esse estado de espírito que não está sozinho nem abandonado aos ventos de suão, quando estes sopram fortes de nortada. O sentimento de satisfação é exequível e pode ser cumprido conforme a boa vontade da pessoa que tem em sua posse a consciência íntima de suas sensações realizáveis.
Quem nutre satisfação pelos outros é recompensado pessoalmente e seu grau de satisfação purifica-lhe a alma. Já o insatisfeito cobiça os bons sentimentos das outras pessoas, que mais não fazem do que dividir o seu bom estado de suas faculdades intelectuais e facultativas. A pessoa satisfeita está de bem com a vida, com o trabalho, com os amigos e os vizinhos, só lhes preocupa o seu bem-estar individual e colectivo, particularmente e mormente o colectivo, pois sem ele são a sua própria negação. O ser humano quando satisfeito anima quem lhe rodeia e é feliz por isso. Satisfação é o acto ou o efeito de satisfazer. Nada se nega à satisfação própria do ser humano sociável.

Jorge Humberto
29/07/10

TEU BUSTO ESCULPIDO

Esculpo teu rosto em mármore cinzelado.
Os lábios são decididos e abrangentes,
enquanto as maçãs do rosto são salientes.

Esculpo teus olhos de mar na pedra e
debruço-me sobre o teu cabelo imenso
como algas marinhas que vêm dar à terra.

Teu busto é esbelto e os seios são como
pequenas colinas que saíssem da água.
Cada pormenor é por mim cuidado com

mestria e ciência e teu rosto vai tomando
forma gradualmente, ao som do martelo
e do cinzel. Limpo e termino tua imagem.

Jorge Humberto
28/07/10

A INDIFERENÇA

A indiferença é a hostilidade em pessoa e é por si só o pior dos sentimentos humanos, que se pode oferecer sem um pingo de arrependimento, aos nossos semelhantes. Quem usa de indiferença castiga sobremaneira a outra pessoa sem que esta se possa defender, pois o indiferente não oferece abertura, para uma conversação, já que se fecha na sua inimizade. O indiferente é uma pessoa rude e sem amigos, vivendo só com a sua sem razão. A indiferença cria inimigos por onde passa e é inquietante o seu negativismo. O pior é que a pessoa indiferente no trato com o outro, tira prazer disso no seu egocentrismo desumano e incansável, pois estas pessoas gostam de causar dano às pessoas de bem. A indiferença maltrata sem uma única réstia de arrependimento, são indivíduos mal-humorados
e culpam tudo e todos por se basearem nesse sentimento preconceituoso e ávido de maus tratos. Quem é indiferente basta-se a si próprio, ou assim o julga, e retira desse sentimento defeituoso um gozo inesgotável, que gosta de apregoar aos sete ventos. São pessoas sarcásticas e de língua afiada não se arrependendo nunca daquilo que proferem como uma exactidão que faz com que os outros se sintam culpados, pela culpa inexistente. Passam pelos outros com um desprezo e uma negligência a toda a prova, com um sorriso irascível nos lábios. Nunca olham os outros nos olhos com uma frieza de arrepiar e pouco lhes importa uma coisa como o oposto dessa coisa em si. O indiferente gosta de criar desacatos com uma insensibilidade que magoa mais que mil palavras. São pessoas traiçoeiras a quem não se deve dar espaço ao contra ataque sempre pronto a despoletar a qualquer instante, basta que as contradigam e que as enfrentem de frente. Como já referi acima a indiferença é o pior dos sentimentos, pois os outros não sabem como agir quando os fazem sentir culpabilizados pelo que não fazem nem praticam de modo algum. A falta de zelo é também um ponto a referir, pois normalmente são pessoas que não se empenham com o seu bem próprio ou com o alheio, é-lhes indiferente e são desapaixonadas e indolentes. Não aplaudem as opiniões ou crenças desencontradas. Nunca se confessam culpadas de nada e o erro é sempre
dos outros indivíduos. A indiferença é a negação total dos outros, como seres humanos, com seus direitos e deveres. A nulidade dos sentidos é um ponto de referência do sentimento de indiferença, nada é mais marcante do que se estar a falar com uma pessoa e essa pessoa tomar-nos por frívolos e insignificantes. Têm por normas ser pessoas egoístas e de ego elevado, não se preocupando com nada sendo as outras pessoas descartáveis. Fazem do isolamento o seu cavalo de batalha e estar fora do circuito humano é-lhes confortável e menos mau de se levar por diante, ante a sua indiferença traiçoeira e tirânica. A indiferença, como sentimento, é para se anular com paciência e doses elevadas de compreensão. E mais, quem usa da indiferença, para levar a sua vida por diante, não tem efeito positivo nenhum ou qualquer valor de registo. Por último, mas não menos importante, a indiferença e as pessoas indiferentes, não têm exactidão nenhuma, quando se pronunciam. O indiferente é um masturbador passivo.

Jorge Humberto
28/07/10

terça-feira, 27 de julho de 2010


A MINHA ENTREGA

Sou um bocadinho de cada um.
A minha entrega é recíproca e
tem a mesma medida de atenção,
para com cada uma das pessoas.

Não me nego a escutar os silêncios
e todos são diferenciados e me
merecem consideração e cuidado.
Para atender a todos divido-me…

Sou uma consequência de meu ser
solidário. Altruísta até mais não sou
atentíssimo ao que me segredam.
A minha boca está selada e atenta.

A minha recompensa é a estima de
cada uma destas pessoas elevando
meu ser ao mais sagrado de suas
vidas, que assim compartem comigo

as suas deferências e respeito mútuo.
Como conselho sempre um sentimento
se sobrepõe ao outro, no entanto aviso
que seriedade e respeito é o que conta.

O agradecimento espontâneo e puro
é o que me basta dessas pessoas…
Não quero compensações nenhumas
que não ver as gentes de bem consigo.

Jorge Humberto
27/07/10

A ALEGRIA

A nossa alegria é proporcional ao nosso bem-estar e ao que nos rodeia. Alegria é um estado de espírito contagioso, que abrange todos os que com ela convivem e fazem jus a essa sua alegria. Quem está junto de um pessoa alegre, está sempre bem-disposta e consegue partilhar seus segredos mais íntimos. A alegria é espontânea por conseguinte as pessoas que usufruem desse sentimento também o são. A alegria é epidémica e propaga-se sem nenhum esforço. Um ser humano alegre, tem muito mais saúde e nunca se ouve uma queixa de sua boca. São pessoas altruístas e por direito próprio sentem um à vontade sem preconceitos em ajudar os outros a serem felizes também.
A alegria é pressuposto de conforto e quem é alegre não passa despercebido o seu sorriso aberto e franco em tudo o que fazem como um bem maior e reconfortante inerente à sua satisfação. A alegria é uma situação agradável do corpo e do espírito e quem é alegre é feliz e propaga essa alegria. É inevitável que quem é feliz e alegre seja uma pessoa bem-falante e sem preconceitos, são pessoas airosas. A alegria é fundamental para o ser humano realizar os seus afazeres e compartilhar seu dia-a-dia com as restantes pessoas. Não entendem a tristeza como uma coisa possível de acontecer, pois para elas a alegria comanda a vida e é-lhes compreensível esse estado de espírito saudável e passível de transmitir aos outros o seu bem-querer. Quem é alegre não tem complexos nem sofre de egoísmos desnecessários e incompreensíveis.
A alegria é um sentimento duradouro e que se perpetua pelo tempo afora. Quem está junto de uma pessoa alegre comporta-se da mesma maneira alegre e efusiva.
A companhia de uma pessoa alegre é bastante requisitada pelo seu bem colectivo que proporciona. Quem usufrui de alegria desamarra os péssimos sentimentos dos mais carrancudos e solitários. Alegria é a felicidade em pessoa e não se deixa contagiar pela tristeza da alma deixada ao abandono do pessimismo. Quem é alegre é vistoso e comanda o rumo de sua própria vida e o que fazer dela. Quem é feliz torneia os problemas e é uma pessoa que só dita bons conselhos aos demais. Nunca um desaforo é proferido pela sua boca, e só se sentem felizes quando todo o mundo em redor também desfruta dessa felicidade. Ser alegre é ter em sua pose o gozo de alguma coisa, que não se pode alienar nem destruir. É fazer uso de suas plenas capacidades intelectuais e sociais.
A alegria gosta de sorrir e de fazer sorrir quem com ela está, não sofrendo de pressa nem de nenhum tipo de angústia, mais ou menos abrangente. O sentimento de alegria é um gozo com boas doses de bom humor, que se propaga como a um fogo incontrolável. Exercer influência sobre os outros é uma componente de uma pessoa alegre, que não faz mau uso desse sentimento para se sobrepor perante as outras pessoas. Quem transmite alegria adquire vida prolongada.

O RESPEITO

O primeiro passo para o respeito para com os outros é o respeito para connosco próprios. Não há respeito sem entendimento e renúncia do nosso egocentrismo.
Há quem se julgue mais do que as outras pessoas, esses indivíduos normalmente são arrogantes, quando não quase sempre e são pessoas solitárias, que levam as suas vidas sem um ponto divergente para com a sociedade e a comunidade em que estão inseridas e deviam ser parte activa sócio ou económico.
Como é do bom senso comum a pessoa que não se respeita é uma pessoa triste e abandonada ao acaso de sua sorte. São pessoas mal-humoradas a que nada lhes traz alegria ou convergência para com os outros. Indivíduos sem compromissos com ninguém, pois fogem deles, passam pela vida sem nada que as console ou lhes traga a tranquilidade necessária para esboçar um sorriso sequer no rosto, quando sozinhas nas suas lides ou quando passam pelas outras pessoas na rua. É confrangedor ter de lidar com estes indivíduos, pois nunca sabemos como vão corresponder à nossa aproximação, para elevar um diálogo.
Para estas pessoas toda a sociedade é um peso são dissimuladas e encobrem a sua vida fazendo uso das mais variadas máscaras, consoante as suas necessidades prementes para fugir dos outros. É escusado usarmos de boa índole e chamarmos a nós estas pessoas, pois elas se cobrem com um manto de mentira a todo o instante de sua passagem por este mundo.
Nada generosas acham que a culpa de todas as coisas é sempre dos outros e culpam as pessoas que as rodeiam de serem as causadoras de seu carácter pouco ou nada recomendável. Seres humanos desprovidos de piedade são capazes das coisas mais atrozes para sustentar o seu egoísmo natural. Rancorosas vão na vida
e nada lhes muda a opinião. De um elevado ego julgam-se mais que os outros, tanto na inteligência quanto na esperteza, quando é disso mesmo que fazem uso: a esperteza dos tendenciosos. Muitos fazem de sua beleza física o pretexto para diminuir os demais, de sorriso sarcástico nos lábios, como quem está a saborear o momento como um manjar dos deuses, deuses do infortúnio, digo eu.
Pessoas pouco ou nada recomendáveis são normalmente traiçoeiras e fazem da traição o seu gozo pessoal, pelo pouco respeito que representam para com os outros indivíduos. Pouco ou nada confiáveis quando se está com uma pessoa que não se respeita e por conseguinte os demais, é de se ficar com um pé atrás, porque nunca fiando do que essas pessoas são capazes para atingir os seus fins, diria lucrativos, nas mais variadas preposições e situações pessoais. Têm a propensão natural para o mal que causam aos outros sem se importarem com tal
tirando mesmo um prazer doentio dessas ocorrências anormais.
Assumidamente religiosas são consideradas beatas que professam na igreja o que
não fazem no seu dia-a-dia. Tenho dó destas pessoas pois sei que são infelizes e que se encontram perdidas para consigo e para com as outras pessoas. Rancorosas não são capazes de ver o bem em nada, tudo é mau e com direito a reclamação pessoal, que fazem questão de dar a saber a sua retrógrada opinião. É chegada a altura da mudança, que passa por nós, os outros, os que convivem com elas e têm de partilhar a sua vida com estas pessoas nada recomendáveis, mas como disse temos de ser nós a mostrar-lhes o outro lado do caminho, um caminho aprazível e construtivo, que os leve a repensar a vida e a dignidade pessoal.

Jorge Humberto
22/07/10

NO ACTO DE ESCREVER

Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que
escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura
reflexão. Acho que escrever é exercitar o nosso pensamento
assim como é uma divida que eu tenho para com os leitores.
Se alcanço o que me proponho não sei mas apraz-me que
haja quem me leia e comente minha obra com toda a seriedade.
Em tudo o que faço ponho o máximo de mim sem me escusar
a qualquer esforço nem esperar nada em troca que não seja
a humildade de meus leitores e a dignidade de meus críticos.
Sou feito de intuição e observação, e sempre procuro a
perfeição para os meus escritos. Sei que é algo impossível mas
não consigo fugir a esse enlace, que me domina contextualmente.
Escrever para mim é uma responsabilidade a que nunca fujo e
sinto orgulho por dizer que nunca deixo nada ao acaso nem faço
descaso daquilo que escrevo pois respeito muito quem me lê.
Como qualquer escritor e poeta sou um pouco de sozinho não
de solidão embora às vezes seja apanhado no meio de um
turbilhão de sentidos que me perdem por momentos e me
duvidam enquanto ser consciente de muitos. Sou introspectivo
e razoavelmente razoável, mas não faço da razão meu senhor.
Sonhador o quanto baste acredito no bom senso do ser humano
e dou-lhe a margem de dúvida suficiente para poder errar, o que
não suporto é as pessoas incorrerem no erro sistematicamente
por omissão ou desprendimento de suas responsabilidades.
Multifacetado escrevo de tudo um pouco, mas a poesia livre
cativa-me acima do restante. Quando escrevo tento encontrar-me
e encontrar o cimentar de uma base que me faça entender
perante os demais que como eu apreciam a cultura da escrita.
Não escreve quem quer escreve quem tem intuição e é socialmente
preocupado com as coisas que precisam ser esclarecidas na posse
de todas as suas faculdades inerentes ao bom entendimento.
Assumo o acto de escrever como um trabalho digno de se realizar
e de ser socialmente aceite como ferramenta para atingir diversos
fins. A escrita é abrangente e percorre muitos caminhos até chegar
aos seus leitores, que procuram na leitura uma forma de se
sentirem esclarecidos e devidamente avisados, quando a preocupação
é sócio cultural ou de puro ócio. É um prazer que se constrói intimamente
mas sempre ligado a quem futuramente lê o que se acabou de escrever.
Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma
de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever:
acto contínuo de minha responsabilidade perante os menos esclarecidos.

Jorge Humberto
14/07/10

segunda-feira, 26 de julho de 2010


O DESTINO SOMOS NÓS

O destino somos nós que o construímos no nosso dia-a-dia no convergir o sentimento com a razão. Não estamos destinados a nada senão ao que fizermos para que esse nada seja alcançado. Seja por vontade própria ou factual criamos os meios necessários para a nossa vida presente ou futura. Quem acredita no destino engana-se redondamente, pois nós nascemos para ser e crescer não para sermos um livro fechado logo à partida. O destino somos nós assim como o azar ou a sorte há que o erguer, como a uma casa que se constrói de raiz e pelas suas fundações. O destino não é uma ciência exacta e para o confirmar está em que nós todos somos diferentes e morremos em alturas diferenciadas, a única coisa que se aproxima do destino é o facto de à partida todos sabermos que morremos um dia, mas não sabemos quando nem porquê. O destino apresenta-se como um papão e condiciona a vida dos que à partida acreditam nele, como uma verdade insofismável e sem retrocesso possível. Quem condiciona a sua própria vida à existência de um destino, não vive, conforma-se com esse estado de não vivência. Muitas vezes as pessoas adoecem, passam mal, às portas da morte, e num repente ficam boas. Há quem diga logo que o destino ainda não estava marcado, quando o que aconteceu foi uma luta entre a morte e a vida, dessas pessoas, que assim pregaram uma enorme rasteira ao chamado fado que cada um de nós supostamente carrega nos seus ombros, para toda a vida: isso pode ser uma eternidade, digo eu. O destino somos nós que o preconizamos como desculpa para os nossos erros, enquanto seres humanos falíveis e de simples costumes. Somos muito previsíveis para que o destino perca o seu precioso tempo connosco, deixando isso para a sorte ou o azar de cada um. Quem procura a sorte encontra-a
porque se disponibilizou para que isso acontecesse, enfrentando todas as pelejas que apanhou pela frente, como o último dia de sua vida. Chamar-se destino às coisas que nos acontecem é fazer de nossas vidas uma coisa muito banal e sem força própria nem carácter efectivo. Prefiro chamar crescimento ao fadado destino, quem vai na vida aprendendo e apreendendo o que lhe surge pela frente, cresce muito mais rapidamente e consegue assimilar os factos desta vida como um bem maior e a tornar-se um ser consciente de muitos. Tudo nesta vida é um aprendizado desde os primeiros passos, primeiro fazem-se as coisas por imitação depois por apreensão e acumulação de conhecimento próprio.
Os crédulos chamam destino à mão de Deus, não tenho nada contra isso mas discordo plenamente pois que quem constrói a nossa vida somos nós, e nós não somos, vamos sendo, pedacinho a pedacinho até se erguer uma parede bem cimentada e fundamentada. Quem entrega sua vida nas mãos do destino é fraco para além de ser um mero espectador de sua existência, são pessoas sem vontade própria que entregam nas mãos dos intrujões o seu modo de viver e de conviver. Quem nasce tem à partida a morte, mas isso não é recorrente do que fazemos de nossa vida durante o seu curso, isso fazemo-lo nós, com as nossas próprias características e com a personalidade inerente a qualquer ser humano. Destino é o percurso que todos nós percorremos, tendo o ensinamento e aprendizagem por sua conta e risco, desde que se nasceu e fomos mais um neste mundo tão complexo.

Jorge Humberto
26/07/10

SIMPLESMENTE AMANDO

Gosto do meu estado de espírito
perdidamente apaixonado
e entregue à pessoa que eu escolhi
para estar a meu lado. Tudo tem
mais cor e mais sabor, as palavras
saem sem esforço algum e o amor
toma conta de nossos seres.

Há fragrâncias no ar que doutro modo
passariam despercebidas mas nesta
paixão é ponto assente que entra
pelas minhas narinas a dentro,
trazendo-me o perfume de teu cabelo
solto na cidade sufocante em
pequenos cachos de uvas sumarentas.

Minha vida assim é um sonho que
eu quererei preservar a todo o custo…
E junto ao mar encontro-te meditando
e sorris para mim como só tu o
sabes fazer e dizes-me que pensas em
nós como duas pessoas silenciosas
que afogam seus silêncios com beijos.

Jorge Humberto
18/07/10

domingo, 25 de julho de 2010


O SOL QUEIMA LÁ FORA

O sol queima a erva deixando-a
amarela e dá um toque suave no
rio lá mais em baixo.

Este corre tranquilo e sereno para
a sua foz, que fica depois da curva
de minha janela aberta.

Meu passarinho canta hossanas à
vida, na acolhedora sombrinha
deste lado do prédio.

Nota-se de que está feliz e contente
por morar numa gaiola enorme
que faz as suas delícias.

Dirijo-me à janela para fumar um
cigarro depois de um gole de café
fresquinho.

O sol está realmente abrasador e
até a aragem é de um bafo quente
que nos deixa sem reacção.

Afinal por que resmungar estamos
no verão, logo altura de muito
calor e seca.

Pobres dos agricultores que se vêem
sem água fresca e necessário
às suas culturas.

Isto apesar das barragens que no
entanto não alcançam toda a terra
ressequida por este sol.

Escrevo para me olvidar deste clima
quente e confrangedor
e assim me distrai-o.

Jorge Humberto
25/07/10

ACERCA DO EGOÍSMO


O egoísmo é a pouca ou nenhuma valorização que uma pessoa dá a si própria, consumindo-se gradualmente e vivendo sozinha mais o seu péssimo sentimento. Quem é egoísta só pensa em si, os outros não têm valor nenhum para essa pessoa e sorriem sarcasticamente na nossa cara. Ser egoísta é não saber dividir as coisas boas da vida com as outras pessoas e no entanto julgam que elas é que estão correctas. Egoísmo é o egocentrismo levado ao excesso, narcisistas por natureza passam horas ao espelho a contemplar-se e a julgarem-se os melhores de todos. Se o mundo fosse menos egoísta não haveria tanta fome nem guerras desnecessárias e incompreensíveis como são estes dois exemplos de itens sociais.
O egoísmo faz a pessoa irracional e seu pensamento só está dirigido para si e para o seu umbigo, achando as outras peças como estando a mais no seu tabuleiro de xadrez, com que jogam frequentemente, regozijando-se com as suas vitórias irreais e infundamentadas.
Egoísmo vem da má educação dada pelos pais, que cedem às birras dos filhos para conseguirem a sua atenção momentânea, pois quem é egoísta é desrespeitoso e solitário no seu âmago. Ser egoísta é ser falso e falsear na palavra dada ao outro, sem se importar com as consequências com o mal que estão a causar a essas pessoas, que acreditam piamente na mentira do comodista. Acreditam na sua esperteza para dar a volta às situações, e o egoísmo sai-lhes aos borbotões de sua garganta e de sua alma impura. O egoísta não tem interesse em manter boas relações com os demais, pois que só eles se bastam. Masturbadores activos fazem de sua má génese e de seu mau sentimento um momento de gozo que perdura, quanto mais egoísta se é. Egoísta não dá a sua vez a ninguém e dá-lhes um prazer inusitado o mal-estar das outras pessoas.
Zelando apenas pelo seu parco bem-estar tornam-se irascíveis quando os contrariam e não fazem a sua vontade. Naturalmente são pessoas mal-educadas e fazem disso o seu brasão marcado a ferro em brasa na sua carne putrificada e inodora. Tratando apenas dos seus interesses ficam extremamente incomodadas quando os outros lhes dão pareceres, com a melhor das intenções. Afirmando-se perante si próprias como as mais correctas, nem se apercebem do mal que causam às outras pessoas, quando enveredam pelo egoísmo como o seu modo de vida. Que ou quem é amigo de suas comodidades leva peito o julgarem-no iníquo.
Não escutam ninguém e são favoráveis ao mal dizer, do qual fazem jus e princípio activo, como o bem pouco que lhes resta, que é o que têm para apresentar aos seus vizinhos e amigos. O egoísta é hipócrita e severo no trato com os outros, não lhe importando o mal que possam estar a causar aos demais irmãos. Egoísmo é uma doença de carácter que, só passando por várias agruras nesta vida, tende a mudar o seu comportamento, ou não, dependendo de indivíduo para indivíduo. O
ser egoísta julga que os outros são sua propriedade e fazem uso dessas pessoas, como quem troca de camisa sem se importar com a impressão das pessoas atingidas, pela sua má fé. Tem de se erradicar o egoísmo para que possamos ter um mundo mais justo e sadio. O egoísta é cínico.

Jorge Humberto
25/07/10



E assim de permeio com a minha
solidão sigo sem a tua presença
querida e ansiada que faz de meus
dias, dias de sol radiante e efusivo.

Não sei estar sem a tua companhia
tudo me afronta e confronta-me
deixando-me quedo e infeliz
pois que me falta a tua realidade.

Há um desencontro de almas fiéis
e o silêncio perdura mais do que
é inevitável e recorrente de dias
felizes que soubemos ter até aqui.

Que o mau agouro se vá na distância
e se perca entre as brumas da
madrugada orvalhada de choro
intenso, que é este meu coração.

Jorge Humberto
24/07/10

O PENSAMENTO COMO INSTITUTO


Sou direccionado ao pensamento
como um carro
é dirigido em plena auto-estrada.

Não faço do pensamento
meu senhor
mas é uma parte importante de minha pessoa.

Pensar é agir e interagir
com os outros
nos longos debates recorrentes.

Minha maior ambição
é fazer um livro
sobre o livre arbítrio do pensamento.

Como qualquer pessoa
sonho
mas o sonho é o pensamento enquanto se dorme.

Várias directrizes
do pensar pensar-se
é nos outros e está no bem-estar de cada um.

A inteligência é o
pensamento
reformulado com o intuito de ensinar.

Amo porque dirigi
meu pensamento
para o acto de amar e ser amado.

Nunca estou a sós
com o pensar-me
sempre me acompanha o intuito instituído.

Pensar faz dor de cabeça
mas é
imprescindível e necessário ao nosso bem-estar.

Pensar
é amor o desconhecido,
e fazer do sujeito parte integrante de nossas vidas.

Jorge Humberto
24/07/10

SOBRE O AMOR

Amor é o alimento da alma. Amar faz as pessoas felizes e mais compreensivas. No amor deve haver cumplicidade e irmandade mesmo quando as conversas divergem deve-se dar vez ao entendimento e deve-se ser flexível o bastante para ultrapassar um momento menos bom numa relação. Às vezes o silêncio é necessário para que se prepare o arrebate do amor e que este duplique de emoção. Saber olhar olhos nos olhos é importante para se conhecer a fundo o que vai no coração da pessoa amada e desejada. O amor é o mais que tudo e deve caminhar de mãos dadas com a felicidade, enfrentando a realidade com um sorriso nos lábios e muita coragem pessoal.
No amor não há lugar há desigualdade, somos um todo por inteiro compartilhando todos os momentos do dia-a-dia da relação amorosa. Há que repartir o amor e apresentar surpresas a cada instante, de maneira a dizer presente e que se pensa carinhosamente na pessoa que se ama como tudo o que se comparte de boa índole. O amor deve falar e explanar todos os sentimentos divergentes de duas pessoas, que, no fundo, são diferentes na sua personalidade.
Quanto mais se actuar neste plano maior a aproximação e o sentimento de bem-querer, que é o que o amor necessita para crescer e fazer o seu ninho amoroso. Amar é sorrir mesmo quando a tristeza nos acompanha e contar com a presença do outro para nos ajudar a sair desses sentimentos menos aprazíveis. Quem ama crê e é devota a esse amor, que deve ser repartido e participativo. Deve-se conjugar as diferentes formas de ser de dois seres humanos para dividir o sentimento de “posse” que não é autoritário nem confrangedor. O amor é um sentimento de grandeza, as pessoas sentem-se livres apesar de viverem conjuntamente. Deve-se ser humilde o suficiente e flexível para que esses sentimentos acompanhem os dois amantes a toda a hora e em todas as situações de um amor partilhado. Amar é recusar o isolamento de uma pessoa, que conjuga
no outro o seu bem maior e divide com ela o seu bem-estar.
Intimamente ligados por um cordão invisível fazer o bem para felicidade do outro é um sentimento comum. Quem ama nunca é maçador mas por conseguinte sempre inovador e abrangente. Amar é recusar a solidão e o perturbador estado de se sentir desacompanhado e incompreendido, enquanto ser humano na sua plena posse intelectual. Quem ama afasta o egoísmo e o egocentrismo relativo e por vezes preponderante à pessoa. Amar é ser solidário, saber escutar e compreender a outra parte, que, diga-se, é diferenciada, mas que se vai casando com os sentimentos um do outro. É a chamada cara-metade e até o cheiro corporal transita de uma pessoa para a outra de tão semelhantes que se aproximam como um ser único apesar de manterem a sua personalidade própria. Amar é estar de bem com a vida e com o que rodeia os elementos em causa, é saber perdoar e não ser perdulário nem desencantado. Em detrimento do medo inerente a quem divide a sua vida com outra pessoa deve-se passar um sentimento de coragem e de compreensão natural. Amar é um presente da vida, que se deve levar pela vida afora, contra tudo e contra todos.

Jorge Humberto
24/07/10

PENSAMENTOS DE MOMENTO

Gestos tidos devem ser equivalentes
ao equitativo
do que temos para oferecer.

Doar é uma das melhores dádivas
para que se possa
alcançar uma outra pessoa.

A verdade é o equivalente
à compreensão,
ambos atingem o mesmo estímulo.

A inteligência é comparativa
ao bom senso
só com ele se chega a algum equilíbrio.

O mau entendimento de uma conversa
pode desencadear
um péssimo resultado final.

Quem dá, fá-lo em segredo
porque dar
significa entrega natural e zelosa.

Não precisa de títulos
nem de glórias
tidas como no máximo efémeras.

Pôr em poder de outrem
uma posse
significa distanciar-se de seu egocentrismo.

Sonhar é o pensamento
adormecido
que no entanto continua em funcionamento.

O pensamento
pode ser levado em conta
como algo de recreativo e é educativo.

Saber perdoar
é no mínimo
uma aposta em si mesmo, num abandono total.

Jorge Humberto
23/07/10

A VERDADE COMO UM BEM RECORRENTE

Nada esconde a verdade quando é dita com firmeza e com convicção. Na verdade se encontra a liberdade das pessoas e a autodeterminação dos povos. Só na verdade se vive livre de preconceitos e de estigmas, tão costumeiras nas pessoas.
A verdade é um livre arbítrio a que todos nós temos direito e do qual devemos fazer uso permanente.
Quem faz uso da verdade no seu contacto com as outras pessoas, tem nesse bom gesto o retorno mais à frente, em dobro. Ser verdadeiro é ser autêntico consigo mesmo e com os outros e é uma pessoa feliz, no repartir a sua coerência em conformidade com a sua pessoa. Na verdade está o bom relacionamento das pessoas na sua sã vivência do dia-a-dia recorrente. Dizer a verdade traz consolo ao coração e ao espírito e a pessoa sente-se parte integrante e plena da sociedade em que está inserida.
A verdade traz consigo uma gargalhada a plenos pulmões, é um gostar de repartir as coisas desta vida e não esconder nada por medo de ser mal entendido. Fazer uso da verdade é fazer uso da sua livre expressão corporal e emocional, é um bem
com o qual devemos partilhar com os demais. Ser verdadeiro é apostar no bom relacionamento com as outras pessoas, é gostar de repartir o seu bom estado de graça. A verdade não suporta a mentira, nem sabe lidar com essa impostora, duas
vezes maldita. Quem não esconde nada mesmo não sendo entendida pelos outros
é um alívio da alma e vai para casa contente consigo mesmo e com a sua reacção. A verdade traz consigo a felicidade das pessoas, que gostam de compartilhar esse estado de alma, sem algozes nem grilhões, que as impeçam de fazer uso da mesma, como o bem-querer dos indivíduos.
O axioma da verdade é a realidade e a sinceridade da boa-fé sem extremar posições. Quem fala a verdade não merece castigo e é recompensado a todo o instante, senão pelos outros algumas das vezes, por si mesmo. Quem dispõe da verdade dispõe da conformidade de suas ideias e ideais e de seus bons princípios. A verdade deve estar connosco a todo o momento, repartir como o bem pouco que lhe resta a sua palavra positivamente franca e extremosa. Quem falseia a verdade, para além de mentiroso não se dá bem com a sua pessoa e vive reprimida, sendo ultrapassada pela sua falta de sinceridade. Afasta as pessoas do seu convívio e vive sozinha com a mentira sem ninguém que a escute ou professe
a sua incúria. Numa boa relação a verdade tem de imperar e tem de existir um esforço de cooperação entre os dois elementos.
A expressão fiel da natureza humana comparte a verdade como um princípio básico da ligação efectiva ou sexual entre dois seres humanos, que se dispõe a entregar-se sem receio algum de uma futura mágoa, desde que a verdade esteja sempre na boca de cada um. Tendo incorrido em algum erro a pessoa deve ser capaz de se ultrapassar e perdoar-se, não voltando a errar ao ser menos verdadeiro. A verdade é a pureza da comunicação entre dois seres humanos. Quem diz a verdade e faz uso de recurso merece tudo nesta vida. A verdade é tudo de bom e de fascinante, fazendo das pessoas seres enormes e análogas, fiéis aos seus princípios.

Jorge Humberto
23/07/10