Jorge Humberto

Nascido, numa aldeia Portuguesa, dos arredores de Lisboa,
de nome, Santa-Iria-de-Azóia, Jorge Humberto, filho único,
cedo mostrou, toda a sua sensibilidade, para as artes e apurado
sentido estético.
Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo natural, de sua evolução,
enquanto homem. E, a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão de eleição.
Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou, de raiz, 10 livros de poesia, trabalhando, actualmente, em mais 6, acumulando ainda
mais algumas boas centenas de folhas, com textos seus,
que esperam inertes, no fundo de três gavetas, a tão desejada e esperada edição, num país, onde apostar na cultura, é quase que crime, de lesa pátria.
Tendo participado em algumas antologias e e-books, tem alguns prémios, sendo o mais recente a Ordem de la Manzana,
prémio atribuído, na Argentina, aos poetas e escritores, destacados a cada ano.
A sua Ordem de la Manzana, data do ano, de 2009.
Sendo ainda de realçar, que Umberto Eco, também foi merecedor, de receber essa mesma Ordem, de la Manzana.
Do mais alto de mim fui poeta... insinuei-me ao homem...
E realizo-me a cada dia ser consciente de muitos.
Quis a lei que fosse Jorge e Humberto, por conjugação
De um facto, passados anos ainda me duvido...
Na orla do Tejo sou Lisboa... e no mar ao largo o que houver.
Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura reflexão.

Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever.

Menção Honrosa ao Poeta Jorge Humberto

Entrevista do poeta concedida ao grupo Amantes do Amor e da Amizade

Quem é Jorge Humberto?
R: Jorge Humberto sempre teve apetência para a arte,
através do desenho e da pintura. A meio a agruras da vida,
nunca deixou o amor pelo seu semelhante. Auto didata e perfeccionista,
sempre levou seu trabalho através da sabedoria e da humildade.

Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R: Não, sou o único poeta da família.

Como e quando você chegou até a poesia?
R: Cheguei à poesia quando estava num castelo em França,
e escrevi um poema, altas horas da noite, sobre a liberdade
que todo o Homem anseia.

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: A resposta foi dada acima.

Qual o seu tema preferido ?
R: Não tenho um tema preferido, escrevo sobre tudo, mas como poeta,
que quer aliviar a solidão de muitos de meus leitores, tenho escrito de há tempos para cá, sobre o amor e reflexões e alguns poemas bucólicos.

É romântico ? Chora ao escrever?
R: Acho que sim, que sou romântico, mas os outros falarão disso melhor do que eu. Já chorei a escrever.

Qual sua religião?
R: Agnóstico


Um Ídolo?
R: Fernando Pessoa

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio todos os dias, quando me deito. Meu autor preferido é o que referi como ídolo.

Quais seus sonhos como poeta?
R:Ver meus poemas impressos em livros e que meus poemas
tragam algo de bom a quem me lê

Como e onde surgem suas inspirações?
R: Surgem naturalmente, através do que vejo, sinto e penso.


Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Digamos que meu lado perfeccionista, já me levou a alterar alguns poemas originais. Mas depois de algumas poesias, em que lhes dei outro cunho, não achei por bem mexer, naquilo que nasce de nós, assim como nascem são meus versos, que divulgo.

Qual o filme que marcou você?
R:" Voando sobre um ninho de cucos/

Como é o amor para você?
R: O amor é dádiva, compreensão e um bem querer de um querer bem.


Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Cuidando dos Jardins

Cuidando dos Jardins
Jorge Humberto-2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

sábado, 8 de maio de 2010


PARA TI FERNANDINHA


Fernandinha presente de Deus
são teus gestos os meus
tua ternura a perdurar
o que a natura faz singrar.

Sempre prestativa e intensa
tua humildade é imensa
entregando-te com pureza
à nossa mãe natureza.

Nunca uma palavra de desagrado
veio de ti e é com imenso agrado
que o poeta te exalta
o que em ti nunca falta:

Cordialidade e generosidade
(que não te perca nunca a vaidade)
altruísta até mais não neste
mundo onde hoje nasceste.

Minha amiga de hoje e de sempre
sou para ti como um querido parente
que te cuida e preza por ti
como o melhor que há em mim.

Que no dia de teu aniversário
venha o velho relicário
trazer-te o presente da vida
por ti tão bem vivida.

Jorge Humberto
01/05/10

RIR

Rir… rir de nós mesmos como se fossemos
outra personagem aqui cabida é a questão
sermos nossos próprios críticos sem
egocentrismos é o que de melhor temos.

O riso foi feito para despoletar naturalmente
o riso não é falta de siso mas comprometimento
connosco e com os demais que nos rodeiam
numa hegemonia rara e a toda a prova.

Rir faz bem à saúde e deixa-nos o rosto mais
aberto e sincero para acolher o próximo
em nossos braços como uma fogueira de fúria
que nos faz vibrar a cada canto de nosso ser.

Rir é ainda um bom cartão-de-visita
quando estamos perdidos e desnorteados
um sorriso pode ser um pedido de ajuda
que o outro não se nega tal o seu à vontade.

Rir… rir muito deixa a pele macia e o
organismo em estado de graça e composição
que nos faz interagir com os outros sem
esforços nem vilipendiágens pois tudo é nobre.

Por isso meus amigos riam e riam muito
a toda a hora a todo o momento rir do
ridículo que nós somos quando nos julgamos
mais do que aquilo que somos por isso riam.

Jorge Humberto
05/05/10

OMISSÃO

Pessoas caminham sem um ponto
de referência, caminham para onde
lhe levam os outros, sem questionar
numa mansidão assustadora e zelosa.

Perdeu-se a auto-estima, ideias e
ideais, anda-se a reboque dos demais
na imitação barata que é esta vida
sem compromissos ou golpes de asa.

Já não há inovação, as ideias estão
fora de moda, e a omissão é o pão-nosso
de cada dia, cada um a ver quem
faz menos e recebe um sorriso no fim.

Ninguém se preocupa com esta inacção
sem pontos de acordo e lutas para
reivindicar o melhor para a vida de cada
um e assim seguem uns atrás dos outros.

Quais bonecos de papel amorfo que
se esqueceu no fundo do baú das
recordações informes e desleixadas
numa passividade que assusta a quem vê.

Pessoas caminham e não se vêem mas
estranhamente estão de mão dadas
nesta derrocada da sociedade civil
estranhos abutres querendo o seu bocado.

Jorge Humberto
04/05/10

DA-ME UM ABRAÇO

Elegantemente caminhas o teu caminho
descontraída caminhas pela rua acima
trazes o cabelo solto qual asa de pássaro
preso na cidade que te viu nascer.

Deslumbrante irradias sensações abertas
ao vento que perpassa por entre as árvores
e murmura canções de amor e de bem-querer
conforme passeias a tua figura esbelta.

O sol rejuvenesce a cada passo teu e colore
o teu rosto de uma matiz principesca
mãos soltas assumem posições de bem-estar
e todo o teu corpo é essa rua que conquistas.

Uma água uma colónia fragrâncias soltas
de teu ser feminino deixam-me ébrio
dias e noites de silêncio onde só a tua presença
é fidedigna e a lua se ergue alta no céu.

Tens a cor dos dias primeiros e o poeta
exulta sua musa escrevendo-lhe um poema
menina e moça de meus encantos vou por
aí no teu caminho dizendo-te coisas aos ouvidos.

E tu sorris qual criança que não tem medo
de mostrar seus sentimentos nem as suas
fraquezas e forças de espírito quando eu me
aproximo demasiado de ti para te dar um abraço.

E é nesse abraço sem apertar que nós
comungamos e nos tornamos um só espaço
traz a luz de teus olhos para que eu os possa
ver e neles me perder indefinidamente.

Jorge Humberto
03/05/10

ESTIGMA


Objectos invioláveis são castrados
desde a sua raiz comprometendo
a sua génese e o ensinamento
que deles colhíamos sofregamente.

Hoje numa nova era da ciência
já não há lugar ao descobrimento
heróico e palaciano onde tudo se
perde e nada se conquista aqui.

Os valores estão de rastros e de
joelhos à espera de um iluminismo
que já teve seu auge e não parece
ressurgir das épocas transactas.

Cada um age por conta própria já
não há o «nós» o compromisso
assumido perante os demais além
de mim e de ti onde tudo se perde.

Fundamentalismos e xenofobismos
assolam o Planeta não deixando azo
a que uma boa cultura se desenvolva
para além das religiões tipificadas.

Vivemos numa sociedade sem regras
nem costumes onde o livre arbítrio é
muitas vezes posto em causa e chamado
de fascista neste mundo globalizado.

Que venha de lá um novo golpe de asa
e faça ressurgir a esperança no Homem
novo, que com ele aprendamos a ser
novamente livres de densos estigmas.

Jorge Humberto
02/05/10

DESENGANOS

Neste mundo que é o nosso
sangra as chagas do desvelo
caem máscaras pelo tempo
e nos vestimos de ridículo.

Da natureza não há quem cuide
os animais são uma raça em
extinção no entanto nada fazemos
para que o mundo melhore.

As pessoas perderam todos os
valores somos bonecos com a
cara na lama e conformamo-nos
com aquilo que nos resta.

Onde estão os grandes lutadores
os pensadores que faziam girar
o mundo em prol do Homem
todos mortos ou desaparecidos.

Somos órfãos da desigualdade
não há mais quem tenha um golpe
de asa e nos traga a esperança
de novos dias ensolarados.

Que venha de lá essa raça de novos
Homens para nos dizer o que fazer
quando tudo parece perdido
e nos confundimos nos espelhos.

Espelhos opacos onde não entra
a luz do dia e nos mascaramos
e nos maquiamos com o sangue
da derrota previsível e certa.

Jorge Humberto
01/05/10

PELA TARDE

Acendo mais um cigarro
espreito a janela e o rio
lá mais em baixo o sol doira
e luz nas águas tranquilas.

O céu está limpo e de um
azul a toda a prova
esmiuçadas nuvens desenham
figuras no ar rarefeito.

As pessoas vêm do trabalho
as crianças da escola
e tudo é vida
neste pedaço de Terra.

Está quente nesta tarde
de primavera
e as andorinhas fazem
jogos de bem voar.

Passam carros e pessoas
e andam todos com um
sorriso largo no rosto
brindando a estação das flores.

Abelhas colhem o futuro
mel de flor em flor
chamando com as asas
as suas companheiras.

Um louva a deus reza
impavidamente e
solenemente camuflado
pelo jardim.

Apago o cigarro com força
hoje poeta é a minha janela
e eu vou buscar ao além
o além de tudo.

Fumo sai pelas chaminés
no labor das fábricas
a tudo isto presta atenção
meu olhar sonhador.

Volto para dentro
cheio de calor
e dou vivas à vida
lá fora a ser vivida.

Jorge Humberto
29/04/10

PAÍS DE FAZ DE CONTA

Neste país que é o meu
há muito esqueceu
o que é a liberdade
e a palavra verdade.

De corrupção vive
que a inquisição revive
por entras sombras
já não há cravos nem pombas.

Nunca ninguém tem culpa
e a má fé é resoluta
sirva-se vinho e futebol
num pratinho o caracol.

Futebol dos cretinos
passam a vida desavindos
mas são todos da mesma cepa
neste país de treta.

Os corruptos vão para casa
com uma pulseira lassa
faz vida de lorde inglês
este meu irmão português.

São levados a tribunal
que mal parece e parece mal
os corruptos deste meu país
onde não há causa nem juiz.

A justiça é cega e lenta
diz a menina sardenta
mal entram no tribunal
sabem já que daí não vem mal.

Tal é o conluio e disparate
vive num mundo aparte
onde nunca ninguém é réu
diga lá se não é um pitéu?aaaaa

Vivemos num país das bananas
andamos todos às zarabatanas
ver quem tem mais a mostrar
no carro acabado de comprar.

Com cartão de crédito
que dá para todo o débito
Ah, meu país, és omisso
não assumes compromisso.

E anda meio mundo
a enganar outro meio mundo
dá-se por esperto o irmão
mas da burrice fica-lhe o chavão.


Jorge Humberto
28/04/10

quarta-feira, 5 de maio de 2010



MEU CORAÇÃO AINDA EXULTA

Meu coração exulta como na primeira
vez em que te vi e te compreendi
mulher de meus sonhos que eu vesti
de sândalos e de rosas brancas.

Parece que foi ontem mas o tempo
passado voou e faz quase três anos
em que compartilhamos sentimentos
de bem-querer e de bem dizer.

Somos almas de um passado já vivido
reencarnados pela vontade desse amor
que sempre perdurou ao longo das
épocas, intransigente mas flexível.

Lembro-me de te pedir em namoro
e sem te conhecer conhecer-te
doutras vidas, ver teu rosto ali
tão perto aonde eu sabia que eras tu.

Hoje se possível amo-te mais que ontem
quero-te mais que ontem, desejo-te mais
que ontem e sou feliz assim por te
ter a meu lado, para o bem e o menos bem.

Somos duas almas gémeas que souberam
singrar caminho, nem sempre isento
de más querenças dos outros, mas
persistentes souberam chegar a seu porto.

E eu amo-te mais do que tudo e tu me
amas acima de tudo, e assim caminhamos
de mãos dadas no jardim de nossa
vivência, que a tudo soube ultrapassar.

Jorge Humberto
27/04/10

POEMA DE BEM DIZER

Ver-te chegar, sorriso no
rosto, olhos de amêndoa
é para mim motivo de jubileu
e todo o meu corpo treme
com a tua aproximação,
até onde a minha mão
alcança cheio de esperança.

Vens subindo a rua e acenando
às pessoas de bom critério,
que vêem em ti aquilo que eu
há muito redefini como
o bem despertar de teu ser,
sempre amiga e altruísta,
que a ninguém deve favores.

Serena no trato a todos cativa
com seus gestos particulares
e nobres, nunca levantando a
voz para ninguém, apenas
com um bem te
quero, rosa ou malmequer
no jardim de meu encanto.

És a minha própria perdição
que este coração alberga lá bem
no fundo e à flor da pele,
pois tu és fogo que arde sem se
ver, círculo mágico que se fecha
a cada lua nova, soltando
pozinhos de perlimpimpim.

Vem musa amada, vem meu amor,
para junto de mim, cantar a canção
dos namorados, que toda a lonjura
seja pouca para os nossos reais
sentimentos, que não se vendem
nem se trocam, por nada deste
mundo tão só nosso.

E somos felizes como a uma rosa
no jardim, sendo bem tratada
pelas mãos do jardineiro, que
acaricia pétala a pétala até ao
caule, e lhe dá a beber da água
mais fresquinha, para que vice
forte e cheia de energia.

Jorge Humberto
26/04/10

POR SOBRE AS FALÉSIAS DE MÁRMORE


Nas falésias de mármore o
mar recua no seu ímpeto inicial
e em grandes vagas torna ao
mar aberto, quais cavalos de espuma.

Nascem redemoinhos e o mar
altera-se, passando dum azul claro
para um azul-escuro, que das
profundezas vem a ira da revolta.

No cimo das falésias de mármore
rasos arvoredos crescem juntamente
com algumas árvores anãs,
e a todo o comprimento vêem-se planícies.

Cavalos selvagens percorrem-nas
de uma a outra ponta
crinas soltas ao vento lembram a
liberdade de seu trote.

Nas falésias de mármore o vento faz casa
e uiva à noite, quando as estrelas estão
escondidas e a lua é um infante
navegando oceanos intemporais.

Os animais dispersam-se por sobre
as falésias e dão um ar sobrenatural
à paisagem marmórea
que esconde velhos ritos antepassados.

Podem-se observar milenares gravuras
inscritas no mármore destas falésias
que o mar não corrói
e o tempo faz perdurar no tempo.

Nas falésias de mármore o mar
detém-se e recua, voltando ao oceano
em ondas crescentes de ira
por não poderem nada contra as falésias.

No cimo das falésias de mármore de
tudo sou leigo observador,
efusivamente vejo as forças em confronto
donde saem vitoriosas as rochas escarpadas.

Jorge Humberto
24/04/10

PLANTANDO UMA ÁRVORE


Passeio meus dedos por entre
a terra molhada,
planto uma árvore como não só
e vêm os primeiros pássaros
curiosos com os meus passos.

Pousam levemente numa árvore
ali por perto
e observam a menina árvore
e seu condão
singrando ao sol da primavera.

Descanso meus olhos enquanto
o sol doira no céu
prata e ouro se confundem
meu sonho tem mil cores
que estas árvores me dispensam.

Árvores bêbedas de calor
anseiam por um pouco de água
levanto-me e dou de beber
a todas elas, principalmente
à mais pequena

Que se refugia na sombra das mais
velhas e sábias árvores do condado
onde eu durmo meu sonho à beira-rio
com forte influência
para com as árvores circundantes.

Agora tenho uma floresta só minha
que a árvore que plantei já cresceu
e guarda nos seus ramos os
primeiros ninhos
que ali fizeram casa.

Deixo cair o livro de minhas mãos
e observo como é rica a natureza
ainda há dias um bolbo agora uma árvore
adulta… raso meus olhos na água
e saro a ferida.

Jorge Humberto
23/04/10

AVIÃO DE PAPEL

Enfeito os teus dias de gardénias
e de malmequeres
teus olhos de bem despertar
trazem a luz primeira da manhã
sou como o arco-íris
experimentado todas as cores.

Uma leve brisa diz-me de tua
presença aqui, o sol doira no céu
com suas andorinhas e pardais
cantando à alvura matinal,
ponho-te à janela mais a
bambinela, com bolinhas a enfeitar.

Faço-te um avião de papel
para te oferecer, larga-o ao mundo o que
ao mundo vai buscar
pois só ele sabe das asas que lá pintei
mãos finas
que eu vou querer beijar.

Jorge Humberto
22/04/10

CONTIGO




E eu sofro em silêncio,
O grito que tu calas,
Que adentro no meu coração
É chaga se revelando,
Que nos olhos por se mostrar,
Também é silêncio meu,
Que farei silenciar.

E assim eu calo,minto,
Sobrando na saudade
O que ficou por fazer,
Atentos reparos,
Silêncios por palavras
E palavras por silêncios,
Que agora se firmam
E são imensos no sofrer.

Não sorrias amor,
Não penses sequer em nada,
Que a tua voz seja apenas
Estes meus olhos velando-te,
E quando achares razão,
Desse teu calar tamanho,
Saibas tu então
O quanto ainda te amo.


Jorge Humberto
(16:08/Maio/08/03)

E FUI ABRIL


Que idade teria,
Nesse dia
Em que o espique
Foi cravo
E o cravo
Sua lei,
Não lembro bem,
Era Abril
E só por isso
Não esqueci:

O dia
Em que fui
Além,
Bem
Dentro de mim.

DESASSOSSEGO



Disseste-me, certo dia,
Ao cruzarmo-nos no caminho,
Que o meu caminho seria,
O ficar sempre sozinho.

Palavras sábias as tuas,
Embrulhadas em tristeza.
A minha vida são duas,
Das duas não guardo certeza.

E não é loucura, ou solidão,
Esta ânsia incerta e crua,
Que traz frio o meu coração,
Minha alma sempre nua,

Mas um conhecer-me tal,
Uma antecipação do que serei,
Que qualquer hora já é igual,
A todas as outras que não sei.


Jorge Humberto
(31/12/1997)

DA FORÇA DOS TEUS BRAÇOS


Da força dos teus braços,
Do suor do teu rosto,
É que te nascem os traços,
Do fogo quando é posto.

Real fragrância a deduzir,
Do cenho que constrói,
A semente que há-de vir,
Da certeza, enquanto dói.

E fazes jus, à tua acção,
Que homem só tem valor,
Quando é sua a convicção,
Da verdade ao seu dispor.

Mas ai, ergue-te, ó homem,
Não te negues à evidência!
Se medos há e te consomem,
Ei-los que são por tua ciência.


Jorge Humberto
(02/09/04)

DA JANELA DO TEU QUARTO


Da janela do teu quarto,
Do vidro, onde repousa, recolhida,
Bambinela colorida,
Avisto ao longe, como num parto,
Essa lua grávida,
E como que buscando a guarida
Dos teus olhos,
Deixamo-la assim, meio perdida,
No sossego de nossos braços,
Ou no silêncio dessa janela,
Entretanto já esquecida.


Jorge Humberto
(25/02/2004)

DA PALAVRA ADAMADA


Quem são os que me lêem,
Pobres loucos e sonhadores como eu?
Poeta combate, gente verdade?
Ou alguns invejosos, a quem cabe desdenhar,
Não de mim ou do que escrevo,
Mas dos próprios, porque nada lhes devo?
Ai, que prazer, vê-los correr,
Para de seguida, ante um qualquer pressuposto,
De nome mais sonante, se renderem,
Tecendo loas a quem não merece!
Nem me aquece, tã pouco arrefece,
Mas quão triste é toda esta falsidade,
Poeta ainda no tenro da idade,
Que só por favor se enobrece.
Escarneço de todos eles,
Alvitrados e emproados,
Que para se saberem, fazem recorrente
Ofender a toda a gente,
Como se a possível miríade,
De estradas e ruelas,
Dos meandros do pensamento,
Lhes trouxesse algum suplemento,
Disfarçando assim, da infância,
As muitas e dúbias sequelas,
Que agora fazem questão de arrastar na lama,
Levando consigo os que, por afectação,
Destorcido julgamento ou pretensão
Premeditada, lhes estão deixando razão.


Jorge Humberto
(08/01/2004)

DE ALGODÃO É A REALIDADE



Lá fora a noite segue tranquila.
Há respirações trazidas de uma infância,
à muito perdida, e tudo é pleno,
revigorante e suave,
surpreendentemente suave,
como essas águas que vejo correndo,
num rio compreensivo e correcto,
concreto...
e ponho seda nas estrelas,
algodão no esmiuçar das nuvens,
fragmentos deste meu querer
desenhando formas e sonhos,
um sorriso, de quem afaga, com os olhos,
os olhos que quer ver.


Jorge Humberto
(28/01/2004)


DIGO SIM


Pleno e intenso,
liberto outro tanto,
de desejo imenso...
se algo ficar,
sendo pranto,
sou eu...
e a mim me venço


Jorge Humberto
14:19h/Junho/20/03

ECCE HOMO



Querem-me pertença, prisão,
Renúncia, coisa,
Sustento de fragilidades,
Unguento para futuras saudades,
Algo de mim, que seja outro,
Que não este que vos escreve,
Que chora, grita, revolta,
Propõem, alimenta e diz não,
À alma mais desatenta;
Querem-me sobretudo,
Se digo veludo,
Como se o mundo lá fora,
Fosse só isso,
Um ponto preciso,
Um auto flagelo,
Em nome de uma preponderância
Implícita e irreversível;
Mas não vedes vós que,
Prostituta
Ou
Indigente,
Anjo
Ou
Demónio,
Opinável
Ou
Desaconselhável,
Opróbrio
Ou
Altruísta,
Eu sou muito mais
Do que isso,
Pois que sou todo o mundo
E toda a gente?

Querem-me poeta,
E ainda me trazem uma gaveta?


Jorge Humberto
(15/11/2003)

DE REGRESSO A CASA


São carros
para cá e para lá,
numa angústia
de ferro torcido
e olhos absortos
no asfalto,
de encontro às luzes
que se abrem
distância,
em amarelos
e brancos fugidios.

E são peso,
nos ombros
dos homens,
no seu regresso
maquinal
ao inferno
do tudo,
já sempre o mesmo
e tão igual.

Jorge Humberto
(01:50/Junho/18/03)

quarta-feira, 21 de abril de 2010


ENFIM SÓS


O mar leva e traz nossas esperanças
por sobre o Oceano carrega
os nossos sonhos
no sacudir das ondas cavalo.

Tenta alcançar a mulher desejada
aquela que por aquela
por ser tão amada merece de mim
todo o meu esforço inumano.

Do outro lado à beira-mar
com os teus pés empurras a espuma
de volta ao mar e te reconcilias
com a paisagem circundante.

Estamos agora cada um no seu ponto
geográfico
mãos no ar acenando à imensidão
esperando que o encontre se dê.

Fechados os olhos sentidos
apurados
tentamos perceber o que é de nós –

enfim sós.

Jorge Humberto
21/04/10

OLHOS DE GATO

Teu olhar lânguido me enche de
volúpias
e meu coração bate forte enquanto
caminhas
na minha direcção.

Quebra-se o silêncio lá fora
apenas nós existimos
olhos rasos de água e de bom
despertar
fazem com que a palavra se solte.

Dá-se inicio ao monólogo
e cada um tem de si para oferecer
com parcas palavras se desenha
o sonho de enfim
persistentemente sós.

Suspiros ecoam pela sala
(choro de criança que tem olhos
de gato)
e vão-se instalar nas fímbrias da
madeira dos objectos curiosos.

Por fim dá-se a explosão
e só o eco nos indicia
a um canto da casa grande
aninhados
como se fora um casal de namorados.

Jorge Humberto
20/04/10

CONSTERNAÇÃO

E é tão forte a consternação
quando vejo alguém sofrer
que o meu pobre coração
logo se aflige no padecer.

Fica aflito e em desunião
o meu coração a arder
cá dentro do peito ancião
de muitas vidas a perder.

Vidas de jovens e seus vícios
que doam corpos a cilícios
e outras arbitrariedades.

Eis são as cruas realidades
de uma civilização amestrada
que quer tudo e tem nada.

Jorge Humberto
19/04/10

domingo, 18 de abril de 2010


NAS ONDAS DO MAR


As ondas do mar desfraldam
ao vento as velas
e eu percorro todo o oceano
com um rasar de olhos
na água.

Lá chegando te encontro
musa amada
e eu corro meus dedos
pelo fio de teus lábios
até sentir o beijo de tua boca.

Um beijo que sela o silêncio
de dois prometidos
que antes muito antes
de o serem já o eram
para toda a eternidade.

E veio o vento da bonança
nos recolher
de braço dado
com o verde do mar
e o bater de dois corações.

Jorge Humberto
17/04/10

APAIXONADAMENTE POR TI… NAN


Nada mais me fascina, que olhar-te de frente,
bem lá no fundo, de teus olhos, da cor do mel.
E passar carinhosamente, minhas mãos, pelos
traços de teu rosto, numa pele sensível, limpa.

Assim passar horas, como uma bela flor ao sol,
abrindo suas pétalas coloridas, à brisa matinal.
Porque para mim tu és uma flor a desabrochar,
quiçá pássaro, que cantando vai, a quem passa.

Próprio dom da natureza a graça de tua beleza,
está no mais íntimo de ti, que em naturalidade,
assim age, para com os demais, humildemente
e sem afrontas, de lindo sorriso nos teus lábios.

Mulher, em tudo perfeita, sempre pensando e
aos outros, cuidados deixando, como uma mãe
preocupada com seus filhos, não há, quem não
te queira bem, e, o poeta em versos te cumpre.

Jorge Humberto
26/04/09

sábado, 17 de abril de 2010


CARACOIZITOS


Tens tranças no cabelo,
Com lindos caracóis:

Enrola-os, meu amor,
Que ao vê-los,
Lembrem a luz de muitos sóis

Nada mais, nada mais,
Do que tê-los assim,
No meu peito,
Repousando com jeito,
Do principio até ao fim

Jorge Humberto
(14/06/2004)

CARTA



Brancas vos quero,
De luzes imensas,
E as noites serão brandas
Até que adormeças.

Brancas vos quero,
Brancas as manhãs,
Brancas... tão brancas

Que nelas me reconheças,
E de novo adormeças.


Jorge Humberto
(18:51/Maio/12/03)