Jorge Humberto

Nascido, numa aldeia Portuguesa, dos arredores de Lisboa,
de nome, Santa-Iria-de-Azóia, Jorge Humberto, filho único,
cedo mostrou, toda a sua sensibilidade, para as artes e apurado
sentido estético.
Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo natural, de sua evolução,
enquanto homem. E, a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão de eleição.
Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou, de raiz, 10 livros de poesia, trabalhando, actualmente, em mais 6, acumulando ainda
mais algumas boas centenas de folhas, com textos seus,
que esperam inertes, no fundo de três gavetas, a tão desejada e esperada edição, num país, onde apostar na cultura, é quase que crime, de lesa pátria.
Tendo participado em algumas antologias e e-books, tem alguns prémios, sendo o mais recente a Ordem de la Manzana,
prémio atribuído, na Argentina, aos poetas e escritores, destacados a cada ano.
A sua Ordem de la Manzana, data do ano, de 2009.
Sendo ainda de realçar, que Umberto Eco, também foi merecedor, de receber essa mesma Ordem, de la Manzana.
Do mais alto de mim fui poeta... insinuei-me ao homem...
E realizo-me a cada dia ser consciente de muitos.
Quis a lei que fosse Jorge e Humberto, por conjugação
De um facto, passados anos ainda me duvido...
Na orla do Tejo sou Lisboa... e no mar ao largo o que houver.
Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura reflexão.

Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever.

Menção Honrosa ao Poeta Jorge Humberto

Entrevista do poeta concedida ao grupo Amantes do Amor e da Amizade

Quem é Jorge Humberto?
R: Jorge Humberto sempre teve apetência para a arte,
através do desenho e da pintura. A meio a agruras da vida,
nunca deixou o amor pelo seu semelhante. Auto didata e perfeccionista,
sempre levou seu trabalho através da sabedoria e da humildade.

Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R: Não, sou o único poeta da família.

Como e quando você chegou até a poesia?
R: Cheguei à poesia quando estava num castelo em França,
e escrevi um poema, altas horas da noite, sobre a liberdade
que todo o Homem anseia.

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: A resposta foi dada acima.

Qual o seu tema preferido ?
R: Não tenho um tema preferido, escrevo sobre tudo, mas como poeta,
que quer aliviar a solidão de muitos de meus leitores, tenho escrito de há tempos para cá, sobre o amor e reflexões e alguns poemas bucólicos.

É romântico ? Chora ao escrever?
R: Acho que sim, que sou romântico, mas os outros falarão disso melhor do que eu. Já chorei a escrever.

Qual sua religião?
R: Agnóstico


Um Ídolo?
R: Fernando Pessoa

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio todos os dias, quando me deito. Meu autor preferido é o que referi como ídolo.

Quais seus sonhos como poeta?
R:Ver meus poemas impressos em livros e que meus poemas
tragam algo de bom a quem me lê

Como e onde surgem suas inspirações?
R: Surgem naturalmente, através do que vejo, sinto e penso.


Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Digamos que meu lado perfeccionista, já me levou a alterar alguns poemas originais. Mas depois de algumas poesias, em que lhes dei outro cunho, não achei por bem mexer, naquilo que nasce de nós, assim como nascem são meus versos, que divulgo.

Qual o filme que marcou você?
R:" Voando sobre um ninho de cucos/

Como é o amor para você?
R: O amor é dádiva, compreensão e um bem querer de um querer bem.


Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Cuidando dos Jardins

Cuidando dos Jardins
Jorge Humberto-2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

domingo, 25 de julho de 2010


SOU FELIZ


Sou feliz por ter-te encontrado
sou feliz por me compartilhar contigo
sou feliz por estares do meu lado
sou feliz por ser feliz comigo.

Sou feliz por um dia teres dito sim
sou feliz por isso e muito mais
sou feliz por sermos assim
sou feliz como no céu os pardais.

Sou feliz porque assim me fazes
sou feliz sem contrapartidas
sou feliz por tudo o que me trazes
sou feliz nas efémeras despedidas.

Sou feliz somente porque sou feliz
sou feliz por seres a minha Mulher
sou feliz e assim alguém o quis
sou feliz porque é forte quando se quer.

Sou feliz a cada beijo teu
sou feliz a cada abraço coração com coração
sou feliz porque posso chamar de meu
sou feliz com toda a inerente emoção.

Bem dita a hora em que te conheci
pois sou feliz assim.

Jorge Humberto
20/07/10

ENCONTRO COM A FELICIDADE



A felicidade é um estado de graça que todos os que tiveram uma vida saudável e sustentável apresentam. Foram crianças e adolescentes felizes e isso se repercutiu no seu estado adulto. São pessoas mais sociáveis a que não falta um sorriso nos lábios e a boa disposição para consigo e para com os outros é um modo de vida que levam avante. A felicidade também está inerente com a humildade, só quem é humilde é feliz e consegue repartir esse estado de espírito com os demais ao seu redor. São pessoas normalmente rodeadas de amigos a quem o efeito surpresa é sempre uma constante, pois conseguem diversificar seu humor contagiante e agradável a quem com elas partilham as suas vidas. Socialmente aprazíveis todos procuram o seu contacto solidário numa constante busca da felicidade que não escondem e que compartilham com o maior dos prazeres. Prazer é o que arrecadam estas pessoas, no seu dia-a-dia prazeroso e de utilidade pública ou social. Seguindo as passadas destas pessoas felizes o altruísmo e o bem-querer é uma coisa natural com que convivem e fazem por passar aos seus amigos e conhecidos, com uma espontaneidade e singeleza de se recordar para o resto dos nossos dias, por isso deixam saudades quando têm de partir. A pessoa que usufrui de felicidade é uma pessoa grata à vida e não deixa de agradecer cada bocadinho de seu dia, quase que religiosamente, quando não isso mesmo. São pessoas com graça e que nos fazem sorrir a todo o instante, para seu deleite, pelo simples facto de fazer felizes os outros. Gente extremamente acessível tem o condão de transformar em realidade o sonho dos outros. Uma pessoa feliz nunca tem necessidade de elevar seu tom de voz, a fala pausada e alegre contagia com quem com ela convive e a compreensão é um facto assumido e requerido pela própria.
No trabalho ou na lida da casa são por demais exigentes consigo mesmo embora isso não transpareça para fora já que um riso sempre aflora em seus lábios de orelha a orelha. Uma pessoa feliz é uma pessoa muito mais saudável que as restantes pessoas, já que o conflito não entra nas suas lides pois fazem tudo com um prazer redobrado e não deixam de prezar por um bom sossego quando a noite cai. Inteligentes o bastante sabem rodear os problemas, quando estes surgem e dão que pensar mais do que se seria de esperar, nunca se esquivando a nada e encarando tudo de uma maneira positiva e construtiva. A felicidade está ligada a essa positividade já que a construção do seu dia é pensada de antemão e com ventura, o que lhes dá prazo de manobra quando esta é exigível, por isso sorriem a todo o instante, para chamar a si os companheiros de jornada. No trabalho são prestáveis e civilizadas, sempre prontas a dar uma mão a um colega mais necessitado. Sempre prontas a dar um conselho, cumprem elas também o que dizem aos demais, não se desassociando de seus compromissos e estados de espírito, nada renitentes. Um ser humano feliz é um bem maior a que todos nós devemos seguir os seus preceitos com a maior das atitudes que uma pessoa pode
usar como inteligência e predicado. Ser feliz é ser no agora, no presente instante de um futuro sempre marcado para breve. Por isso sejam felizes e sorriam mesmo diante das possíveis agruras da vida.

Jorge Humberto
20/07/10

AMIGO ESSE SER EM EXTINÇÃO


Ter um amigo é um acto de responsabilidade a que nem todos estão aptos a

suportar, por falta de tempo ou de interesse.
Cada vez é mais difícil encontrar amigos a sério que se comprometam com os

outros, é mesmo restrito a componente de dois amigos que se entendam e

compreendam e aceitem o seu amigo como ele é, com suas coisa boas e menos

boas, sabendo de antemão que ninguém é perfeito e que o ser humano é passível

ao erro, por mais que tentem crescer e aprender a julgar-se e a agradar ao

seu amigo.
Não falando de amigos mas de vizinhos, estes comportam-se como anti sociais e

avessos a serem nos outros o que eles gostam que sejam para eles. Não há mais

o simples “bom-dia” ou o “cumprimento de mão”, ou sequer um “olá, como

está?”…. Vandalizaram a palavra amizade e não raras as vezes é a falta de bom

senso que comanda o dia-a-dia dessas pessoas, arranjando zaragatas por tudo e

por nada e por conseguinte o deixarem-se de falar mutuamente e em definitivo.

Se já era difícil o relacionamento este tornou-se insuportável, pois as

pessoas vivem para caírem nas boas posses dos outros, os ricos ou os que têm

mais que eles, e engalfinham-se até conseguir mostrar que também possuem os

requisitos necessários a entrar na
média, alta sociedade. Não importa que passem fome em casa, que andem sempre

com a mesma roupa o que interessa é ter um carro e ir passar férias aos

lugares mais dispendiosos. No reverso da medalha está viver a vida ao

desbarato
e sem bom gosto nenhum, que os compare àqueles que eles tanto anseiam. A mim

parecem-me palhaços sem graça nenhuma, com todo o respeito pela linda arte de

ser palhaço, esses que riem chorando e de uma grande entrega total, humildade

e altruísmo. Os amigos de hoje em dia são os chamados amigos da onça que

choram lágrimas de crocodilo ao degustar esse preceito tão bonito que dá pelo

nome de amizade. Há determinadas causas que fazem com que os amigos sejam uma

raça em extinção, e nelas se conta o pouco empreendimento para cimentar essas

boas relações. Tudo isto é subjectivo e é uma opinião própria mas
contam-se pelos dedos de uma mão os verdadeiros companheiros. Aqueles que

despem a sua camisa para dar ao amigo num alto grau de significação. Vão-se

os dedos ficam os anéis, de pechisbeque diga-se, pois não têm dinheiro para

se compararem aos seus ídolos, falo dos novos-ricos.
E é por isto que se perdem os amigos? Mal aventurados sejam e que lhes seja

negada a máscara da falsidade e do egoísmo e cobiçoso desempenho, dos que
tentam a todo custo parecer-se com o que nunca virão a ser.
Lembro-me ainda muito bem de ir de férias com os meus amigos e os amigos dos
meus pais, a felicidade que era, por um ter carro que nos levasse até onde

chegasse o sempre parco dinheiro. E divertíamo-nos e gozávamos e um sorriso

sempre se desprendia dos lábios, tal o bom entendimento e a sensação

inimitável que é ter amigos. Cresçam e aprendam criaturas cobiçosas!

19/07/10
Jorge Humberto

O VELHO HÁBITO DE RESMUNGAR



Resmunga-se por tudo e por nada, fomos feitos a resmungar nunca estamos bem com o que temos, se está calor é porque está calor se está frio é porque está frio e andamos nisto a vida toda. Tenho para mim que somos uns comodistas e muito mal-educados, já
que os pobres não resmungam por nada pois que lhes falta tudo para sequer se queixarem do quer que seja na sua parca e mísera vida.
Devíamos olhar para os que têm menos posses e seguir os seus procedimentos de pessoas humildes. Não quero com isto dizer que nos devemos conformar com o que temos mas sim que devemos agradecer pelas nossas posses. Não conformar é ter um bom emprego e mesmo assim fazer de tudo para evoluir no seu trabalho. Há muita gente que ainda nem sequer tem saneamento básico, sem água, sem luz sem nada que
os faça à nossa semelhança, aqueles que têm com o que se governar e não têm razões para resmungar de nada nesta vida. Não conformarmo-nos e fazer por ter mais e melhor para o nosso bem-estar económico e pessoal é uma coisa, resmungar só porque não se tem é outra coisa, acho até mal feitio e que essas pessoas são ao que eu presumo, umas chatérrimas.
Daria uma semana às pessoas que estão minimamente bem nas suas vidas para viverem
essa semana entre os pobres dos pobres, de certeza que deixariam de resmungar para
procurar o que lhes servisse de sobrevivência. Para um pobre que procura no lixo o que comer, resmungar está fora de seus conceitos, o que se vê é eles agradecerem por mais um dia de “vida”. Estamos muito mal acostumados desde pequenos, a ter os brinquedos que queremos e a trocar mal se partem, porque não se sabe cuidar do que se tem. Já o brinquedo da criança pobre (construído por ela mesma) é cuidado com todo o carinho e protecção quase divina, pois eles sabem bem dar uma coisa e que os outros nem sequer pensam nisso e que é dar valor ao que possuem, que é muito pouco, mas ressalvado por eles e prioritariamente bem preservado e acarinhado.
Mas não, nós resmungamos por tudo, engraçado mesmo que até de nós resmungamos.
Pessoas mau acauteladas para a vida, que não sobreviriam um dia sem o que têm em casa para poder resmungar. Não pensem que os pobres estão mal conformados se eles
nem tempo têm para isso e não lhes dão condições para singrar na “vida”, estão isso sim
acostumados a essa “vida” que os rejeita, cheia de preconceitos de nossa parte que resmungamos por ver os pobres a lutar pela sua sobrevivência, estendendo a mão para um naco de pão sem bolor, nem outros indícios de imundície.
Portanto minhas senhoras e meus senhores parem de resmungar por nada e sejam mais humildes com os que nada possuem. Resmungar faz mal ao nosso humor, ficamos mais
susceptíveis e embirrentos e culpamos todo o mundo com o que se passa connosco. Esta peça de vestuário não me serve ao invés de pedir outra peça porque hei-de eu resmungar com a pobre da empregada que não sabe em que buraco se pôr de tão envergonhada que a deixámos. Há de tudo para todos e mesmo assim resmungamos
só o pobre não tem tempo para isso, façam-me um favor e prestem-lhe mais atenção.

Jorge Humberto
18/07/10

domingo, 18 de julho de 2010


SOU NOS OUTROS


Se me penso a quem me julgo?
A mim naturalmente
pois só eu posso pensar por mim.

O que penso é reflectido no meu
dia-a-dia
no partilhar a minha vida com os outros.

Não posso desassociar as outras
pessoas
no meu acto de pensar e reflectir.

Interactivo e predominantemente
activo com os demais
nasce o pensamento bem fundeado.

Humilde o quanto baste não faço
do meu pensamento
meu senhor nem do sonho meu mestre.

Jorge Humberto
17/07/10

NOS BRAÇOS DO RIO

Roubei-te um beijo com leve sabor a maresia. Meus lábios salgados
encontraram os teus e eu não resisti à irresistível sede de te beijar
cabelos
esvoaçantes ao vento da tarde solarenga com o rio a emitir seus traços
de prata nas ondas cavalo com espuma feita de galgos esbeltos feitos
de platina.
O sol encontra-se no seu zénite e o calor é sufocante: caminhamos em
direcção ao rio e arregaçando o teu vestido descalçaste as chinelas
e mergulhaste os teus pés na frescura da água reflectindo o astro-rei
no cós de minhas calças, que logo despi para juntos encontrarmos a água.
Brincamos
como dois adolescentes no vigor das águas frescas e demos as mãos para
que o compromisso e a alegria fosse mais coesa e em conjunto nadássemos.
Por um acaso no nosso deslumbramento engolimos água à medida
que sorriamos e o sorriso com algum atrapalhamento pelos goles desmedidos
fez-nos engasgar e tossir para alívio de nossas gargantas.
Retirando o cabelo dos olhos pudemo-nos ver com clareza e o silêncio pairou
no ar por instantes, olhos brilhantes e pestanas como se com com rímel
nadamos um até ao outro e beijamo-nos longamente.
Subindo o pontão de madeira velha que logo rangeu ao nosso caminhar
demo-nos conta que o melhor seria apanhar um pouco de sol, para dar uma
corzinha à brancura de nossa pele. Deitamos uma toalha no chão e
espalhamos um pouco de bronzeador e assim ficamos juntos e em comunhão.

Jorge Humberto
17/05/10

sexta-feira, 16 de julho de 2010


O ESTUÁRIO DO RIO TEJO

Da janela de meu quarto para a rua
vejo os azuis a espraiarem-se em
águas frescas correndo livres para o
seu porto seguro. Velhos barcos
ensaiam a faina com mãos de sal
jogando redes às águas verdes azuis.
O Tejo é um santuário de peixes e de
aves migratórias, que sempre
regressam ao seu costumeiro poiso,
na orla do rio, onde abundam matas
e uma grande biodiversidade de
plantas e de animais sobretudo aves.
Estas maravilhas da natureza são
património mundial e todos devemos
estar cientes de sua importância
generalizada e comum para as gentes
da margem do rio. Os pescadores
têm apenas uma pequena margem
para o pescado e para pescar e as
redes são fiscalizadas pela polícia
marítima com toda a responsabilidade.
Temos de preservar o que é nosso
com orgulho e satisfação, por ver
nossas costas e afluentes a serem
protegidas devidamente. Garças
e outras aves vêm aqui nidificar temos
Açores e Gansos Patolas entre outros.
E quem passa de carro pela ponte
nova que atravessa o rio, é muito
bonito ver as aves em plena liberdade.
Todos temos de ter o bom senso que
estes habitats não são nossos mas de
todo o mundo e que a todo mundo
pertencem e nós vamos cuidar deles
com todo o carinho e perseverança.
Peixes vêm ao rio Tejo desovar e ter
as suas crias, portanto pescar só em
determinadas alturas e com pequenos
levantamentos das sanções sendo
tudo cuidado e preservado. Como é
bonito o rio Tejo e a sua fauna, é um
orgulho para todos nós portugueses.
As imensas ilhas pululam de vida e
assim devem continuar, para nosso
regozijo e sentido de honra maior.

Jorge Humberto
16/07/10

PRENÚNCIO DE AMOR



O amor tem de ser consentâneo com o que os dois esperam um do outro.
Amar tem de ser recíproco consentindo-se algumas nuances sempre de
acordo com as duas pessoas em causa. Embora dois elementos diferentes
o amor tem o condão de gerir as diferenças e de aumentar as concordâncias.
Pode haver desacordos mas estes devem ser esmiuçados até se chegar a uma
conclusão de acordo com o que é melhor para os dois apaixonados.
A flexibilidade e a renúncia de certos pontos têm de ser assumidas como o bem
pouco que lhes resta.
Amar é um estado de espírito uma ilusão que se vai construindo até se tornar
uma realidade factual. É ainda um estado de graça pelo qual as pessoas se
engrandecem e tornam-se maiores e mais esclarecidas, é um momento bonito
de se viver. Amar é partilha é estarmos na dor e na felicidade do outro como
se fossemos uma única pessoa. É saber escutar mesmo em silêncio pois os olhos
dizem muito e o silêncio fala através de gestos corporais e faciais.
Encontrar a alma gémea é a procura incessante de todos, alguém a quem passear
de mãos dadas com um sorriso largo nos lábios. Não se precisa dizer nada para
saber o que um quer e logo sua solicitação é atendida. Amar é estar no na alto de
uma montanha e gritar aos quatros ventos o quanto se ama a plenos pulmões.
Sentimento de pura entrega, o amor não suporta o diz-se que diz-se da inveja
que infelizmente reina em muitos que não sabem o que é uma entrega sem
barreiras, o amor supremo ama por debaixo da vaga e nunca morre, quanto
muito pode-se é trocar de interlocutores, mas o amor esse permanece à espera
de novos parceiros, que tudo fazem para mostrar o seu contentamento com
palavras ternas e apaixonadas, fazendo-nos sorrir muitas vezes ao acaso. Quem
ama norteia-se pelo bem-querer dos dois amantes, nascem os agrados e uma
surpresa é sempre recebida com o sorriso mais bonito da Terra. Correr pelos
jardins como duas crianças, andar de baloiço, mostrar o como somos falíveis
com um aceno de cabeça e a palavra «amo-te» para sossegar o nosso ego.
Não ama quem quer ama quem se predispõe em aceitar condições, que não
eram ao princípio do indivíduo em causa, é saber mudar para que haja uma
intuição única que nos faz saber uns dos outros estejamos longe ou perto da
pessoa amada. Ah, o amor, esse perfeito estado de alma pura.

Jorge Humberto
15/07/10

E POR FALAR DE AMOR

Quando se ama não há barreiras
e todo e qualquer conflito é
ultrapassado com o bem-querer
maior que nos sublima.
O amor aceita e concede forças
para ultrapassar quaisquer
dificuldades que normalmente
tendem aparecer e de outra forma
não teria a autenticidade que o
amor nos concede e põe à prova
o quanto nos dedicamos e
concedemos o futuro de nossa vida.
Amar é renunciar e provar «a» por «b»
que tudo tem resolução no amar o
próximo.
Devemos por isso olhar bem para
dentro de nós e perguntamo-nos
o quanto estamos dispostos a abdicar
para levar avante o nosso amor.
No amor não se pergunta nem duvida
concedesse e dispõe-se a ser flexível.
O mesmo para a compreensão, só
aceitando o outro como ele é se pode
avançar e alcançar o amor supremo.
Os defeitos são aceites com a mesma
normalidade com que se ama o
próximo e fazemos deles a nossa força.
Quanto mais se ama mais se concede
e aceita-se a fragilidade de quem tem
amor para dar e dividir. O amor é cego
mas não deixa de ver o que é melhor
para si e para o parceiro de comunhão.
Quanto mais reflicto mais me aproximo
da perfeição e do amor conjugal
partilhando dum mesmo sentido plural
e reflexivo com a minha parceira.
É da união e compreensão que nasce a
força inerente a quem ama, nunca a
desilusão se compadece e cria raízes.
No amor as dificuldades são feitas de
simplicidade e coerência nada
exemplifica má coordenação e falta de
empenho. O que é de um é do outro.

Jorge Humberto
13/07/10

ÉS A CHUVA AOS BORBOTÕES


És a chuva quando cais aos borbotões
és o sol quando nasce detrás do
horizonte, recém-nascido das nuvens
afastando o orvalho matinal e virginal.

Teu doce despertar cria em mim uma
corda de insónias que eu vou querer
perpetuar com sangue e nervos que
me conciliam e me perpetuam aqui.

Crias em mim uma volúpia crescente
que me faz contundente e arisco
por te ter junto a mim no presente
continuo e nada vulnerável ao

situacionista pensamento procedente
que nos faz amantes sem precedentes
nem preconceitos estabelecidos e
preconceituosos da estabilidade acintosa.

Jorge Humberto
12/07/10

POSSESSÃO


Falta às pessoas um pouco mais de humildade
dizerem ao que vão e o que querem. Habitam
em nós muitas máscaras possessivas e por demais
evidentes para que se possam subtrair por um
comportamento mais condigno e de acordo com o
ser humano falho e imperfeito. O supor que algo
de sobre-humano traz perfeição e que o tempo
tudo atenua e desculpa ou rectifica nossos erros
humanos faz de nós pessoas solitárias e prepotentes.
A riqueza está sempre do lado do mais popular ,
sendo que o braço torce sempre que há uma dissemelhança,
com o que é básico no homem e faz ponte, com o seu
bom senso primário e ordinário.
Sopram ventos de mudança, mas o Homem não está
preparado para a revelação de novos critérios de tão
fundamentalistas e convencionais que se tornaram.
Ao Homem exige-se ouvir e passar a palavra inteligente
e comprometedora ao seu receptor atencioso e
abrangente com a música mística do ressoar da voz.
Todo o mal reside a partir do momento em que o Homem
deixou de viver em comunidade e passar seus costumes
ancestrais, em que havia um respeitoso consentimento
pela sabedoria dos mais velhos, aos chamados anciões
guardas da palavra transcrita e honrosa.
Já não há jovens para escutarem os seus lideres culturais
de maneira que a palavra não progride crescendo livre e
sumptuosamente, morre à nascença prematuramente e
de forma dolorosa para toda a humanidade.
Cada vez se dá menos atenção à forma como se escreve,
quem faz da escrita sua obra e poeticamente falando
a poesia virou um traste em que se tem de pedir o obsequio
para escrever de forma digna e respeitosa, para com os
seus leitores. Mas os leitores têm a sua quota-parte de culpa
quando ao lerem detectam um erro e não o comunicam ao
seu autor. A internet virou uma bagunça e os erros são
costumeiros, entretendo-se as pessoas com as lindas formatações
que vêm sempre a par das poesias, estas são feitas para a
vista e muito menos para o seu consumo interno e intelectual.

Jorge Humberto
11/07/10


Qualquer coisa maior que a humildade de cada um
soa a luta sem crendice pelo meio que o homem é
mais que culto e que estátuas de ouro fundido.
Soa a falso todo o culto partindo do seu princípio
aglomerante e perverso que ele acarreta desde logo.
Enfim somos humanos perante a nossa fatalidade
e convenhamos que a arrogância faz parte dos que não
se incluem neste preceito malfadado e incoerente.
Porque se parte do princípio que o homem é feito
à imagem de Deus e tão só por isso é perfeito.
Não só por isso mas também por isso o homem é
pouco humilde como referi acima e alimenta um ego
maior que o seu defeito principal, a não tolerância
perante a diferença e a dissemelhança aguda
de cada um de nós diferentes e iguais na sua humanidade.

Jorge Humberto
10/07/10

CHAMPANHE ESTRAGADO COMO EU



Hoje abri uma garrafa de champanhe bem preservada
quando me dei conta que não tenho nada aqui
para comemorar. A minha vida vivo-a por
arrasto e com muito esforço alcanço os
meus fins, que principiam sempre por algum
lado, lado esse onde eu não me encontro
bastas vezes, sou o próprio reverso de mim
mesmo e não vale a pena as minhas justificativas
para merecer o ar que respiro….
por pressuposto sou um pária da sociedade
já que meus poemas morrem logo no seu inicio
e por mais que eu queira não levam pão à boca
de ninguém, quer chore de inanição, quer de outros
maltratos que uma criança não devia estar exposta…
grito sim eu grito, não me ouvem gritar a dor que
me vai no peito? O que é feito de vocês poetas e
escritores que se tornaram omissos pela palavra?
Crianças ranhosas esbugalham os olhos ao ver-me
não pronunciam palavra que o choro morreu-lhes
na garganta não acicatada… mas eu ínsito à revolta
vós que sois poetas têm obrigações, não vale a pena
escarrar na parede e ver a miséria sem fazer nada.
Contra o focinho da palavra minhas veias se expõem
minha garganta incha com a dor e o verso que ficou
atravessado na dita cuja que apresenta tons vermelhos
pelo esforço de gritar ao mundo que isto é um fratricídio
com o qual temos de lidar pés firmes na terra, somos
todos culpados e até o champanhe estava estragado.
Sou um vagabundo percorrendo as areias do deserto
minha voz não tem precursor e isto vai de mal a pior.
Masturbadores passivos sóis vós, que escrevem sobre o amor
sem o doar a ninguém, preferível ser transgressor e
acicatar tudo isto, desde o coto até ao membro decepado.
Dou-me conta que as pessoas não querem saber da fome
dessas crianças, limpando o ranho ao pulso, para parecerem
mais decentes, escreva-se um poema sobre o amor e é
garantia de que será lido, escreva-se uma prosa social e ninguém
quer saber do que lá vem escrito, nem se dão ao trabalho de abrir
o trabalho do poeta e escritor. Conto pelos dedos as pessoas
que abrem um poema social para o lerem com olhos de ver
e pronunciar-se acerca de… enquanto escrevo esta prosa
dezenas de crianças morreram sob nutridas e por falta de
medicamentos, que no primeiro mundo há aos montes.
Hoje abri uma garrafa de champanhe e não tenho nada para
comemorar, apenas chorar e me culpabilizar ante os factos.

Jorge Humberto
10/07/10

NÃO É MULHER COMO TU QUEM QUER

Quando passas por mim mulher
tuas fragrâncias são de água e de leite
e eu pensando passo porque ela quer
para meu conforto e deleite.

Não é mulher como tu quem quer
tem de ser pura como o azeite
que alumia uma noite qualquer
e espera de mim que eu a aceite.

Passas fogosa cetim bem acetinado
flor no cabelo bem aperaltado
que me seduz como sói seduzir.

Coras ao meu galanteio, pés descalços
vais para a fonte sem percalços
e brincas comigo só porque ousei sorrir.

Jorge Humberto
08/07/10

TRAVO AMARGO

Cigarro após cigarro travo o
fundo amargo do tabaco.

Cinzeiro cheio diz de minha
ânsia sem precedentes.

E o sabor do café morre
maduro no meu palato.

Por certo procuro algum
bem estar, que não vem.

Na rua as pessoas passam
indiferentes a tudo isto

e eu me conformo diante
do espelho obtuso.

Não é o que eu queria mas
é o que tenho e vejo-me

limitado ao sonho precoce
que nunca é como eu desejo.

Acendo outro cigarro e bebo
um gole de café frio entretanto.

Tento fazer um poema mas
as palavras fogem-me

e eu não consigo seguir seu
raciocínio lógico e prudente.

É certo que este calor que
resolveu aparecer

não veio fora de horas e eu
que detesto o cheiro do suor.

Sou prepotente quando
penso que isto só acontece a mim.

Mas eu não queria nem um único
cigarro, que me mata lentamente.

Sou sobrevivente e não deixo
meu destino por mãos alheias.

Vou-me embora a poesia já
disse o que queria.

Só eu não sei se disse o que
gostaria de ter dito.

Enfim eu não sou perfeito
terão de se haver com o que escrevi.

Jorge Humberto
08/07/10

INCOMPLETO

Por mais que a vida não me sorria
arranje pretextos para o meu mal
Sempre uma réstia de esperança
floresce como folhas húmidas.

Crescendo em mim está o amor de
minha amada minha musa de toda
a hora, nos silêncios ressarcidos
no focinho da palavra que não cala.

É a ela que vou buscar as forças de
que não disponho mas humildemente
me entrego ao seu cuidado como
quem não tem mais estrada para andar.

Estamos tão longe um do outro amor
mas o significado dessa palavra está
connosco a toda a hora e eu atravesso
o profundo oceano para estar contigo.

Se te dissesse que não tenho olhos para
mais ninguém essa seria a verdade a ser
conciliada com o cuidado que nutrimos
um pelo outro logo desde o seu inicio.

Pela alvorada vejo teus olhos cor de mel
e as minhas dores parecem desaparecer
num outro corpo meu paralelo a este que
me desafia a encarar a dor de frente.

Só tu és a minha luz, meu lampião que
ilumina até a rua mais escura, onde os
gatos costumam ser pardos e esquivos
roçando muros, trazendo a sombra consigo.

Meu amor o que eu sofro é demais para
um humano mas quando estou contigo
todas as flores crescem e sorriem como
nunca o sol teve a simpatia de sorrir para mim.

Sou teu com todos os defeitos inerentes
assim como aceito a nossa dicotomia
que nos faz dois em um na mestria
que o Universo há muito nos reservou.

Jorge Humberto
07/07/10

BANHANDO-TE NO MAR

Teus lábios salgados nos meus
deixam o leve toque da maresia
e as conchas se espraiam
pela a areia das dunas acima.

Teu doce mistério vem com as
ondas do mar, galgos de espuma
que correm por ti, como a leve
brisa da praia onde te encontras.

Algas vêm dar à praia em tons
verdes e depositam suas cores
no teu cabelo minha musa
escutando o som dos búzios.

Podes assim escutar as ondas do
mar longínquo, mas que está
perto de ti conquanto tu o chamas
à tua presença e adormeces na areia.

Teu corpo assim descansado e
exposto ao sol tem matizes de oiro
e eu sacudo a água do cabelo
e te beijo contigo adormecida.

Minha musa acorda sorrindo
e pede que o mar a banhe nua
bem assim como veio ao mundo
para lhe tomar providências.

Jorge Humberto
04/06/10

NOSSO AMOR AQUI

Acordo para a manhã com
o sol-posto nos olhos e tua
doce carícia nos meu lábios
doces pelo teu hálito fresco.

Estou sozinho na cama há
muito te levantaste e foste
porte à janela, ouvir o cantar
e o chilrear dos pássaros.

Lavo os olhos e levanto-me
e meus passos me conduzem
até ti dependurada na janela
granjeando o sol da manhã.

Dou-te um beijo de bom dia
e tu acedes carinhosamente
abraçando-me peito com peito
coração com o meu coração.

Debruço-me à janela contigo
e ficamos a apreciar o jardim
que cresce grandiosamente
no terreno cuidado por nós.

Sorrimos um para o outro
como se a vida nos quisesse
conceder o seu belo prazer
de estarmos vivos como a flor

que se agiganta ao sol matutino
e procura a graça do astro rei
para nosso deleite e entusiasmo
uma flor tão frágil faz-se forte.

Depois de respirarmos o ar puro
da manhã, com olhos de bem
despertar voltamos para dentro
e nos deitamos no aconchego

da cama e nos lençóis desleixados
fazemos amor enquanto o sol
entra pelo quarto adentro
iluminando nossos seres enamorados.

A manhã traz-nos recordações
de outros tempos e nós ficamos
a lembrar como é bom o presente
olvidando o passado que não volta.

Jorge Humberto
03/06/10

terça-feira, 6 de julho de 2010


DÓI-ME A DOR DE QUEM SOFRE


Dói-me as crianças sem futuro
dói-me as mães que não têm
leite para seus bebés
dói-me os maltratos cometidos
contra a macia infância das
crianças
dói-me a exploração desses
meninos e meninas obrigadas
a trabalhar de sol a sol
dói-me seu choro calado
para não se denunciarem dói-me.

Dói-me que espanquem mulheres
para mostrar um machismo irracional
dói-me que não sejam protegidas
e que sejam acossadas como
animais
dói-me as dores que elas suportam
e se calam num silêncio de medo
dói-me que vão à polícia e
que estes ainda as culpem como
oferecidas e provocadoras
quando o que querem é serem cuidadas.

Dói-me os animais abandonados
sem terem voz para pedir ajuda
dói-me que os vilipendiem
e que os assassinem em sacos
jogados ao rio mal acabam de nascer
dói-me que passem fome e que
andem na rua cheios de cicatrizes
de maus tratos impostos
por quem não tem condições
para ter um animal consigo
tal a brutalidade de seu ser ordinário.

Dói-me esta dor que é mais dor
no coração que no peito
dói-me não poder fazer nada
e sentir-me desleal para quem precisa
de carinho quando eu não posso doar
dói-me a carência e a droga
mais o álcool que se propaga
dói-me os políticos omissos
que querem o poder a todo custo
e não pensam no povo que sofre
as agruras do mau génio desta raça.

Dói-me tudo e sofro por antecipação.

Jorge Humberto
05/0710

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER



Quando um homem ama a uma mulher,
Não há no mundo outra, ou alguém,
A quem ele cobice um olhar sequer,
Senão a essa outra de mais ninguém.

Quando um homem ama a uma mulher,
Sabe o que quer e o que quer não sabe bem,
Ou se a noite vem, ou se o dia quer,
Se faz frio lá fora ou se dentro está alguém.

É um viver constantemente alternado,
É um bem querer, de querer bem,
E sente-se assim, como que apaixonado.

Doce rapazinho de bola na mão,
Enxugando lágrimas no colo de sua mãe,
E a perguntar-lhe das coisas do coração.


Jorge Humberto
(17:43/Abril/28/03)

PRESO NO MEU CORPO

Preso de movimentos
vejo meu corpo obsoleto
sem reacção nem ânimo
qualquer tipo de interacção.

Tenho o secreto desejo
que tudo ainda possa mudar
mas os indícios não são
favoráveis a essa mudança.

Sofro as dores no corpo
e não tenho nada que me
valha para mudar esta
situação assaz atroz.

Não dá para entender este
organismo que rejeita tudo
mesmo o que lhe é essencial
deixando-me quedo e mudo.

Não tenho mais onde recorrer
já esgotei todas as valias
e meu corpo ressente-se
de tão infame má sorte.

Perdi a alegria e nada me
contém na brusca revolta
de tudo o que se passa
e me deixa atónito de surpresa.

Acabou-se estou destinado
a sofrer as ânsias e as dores
que meu corpo em sofreguidão
sofre por arrasto sentido.

Melhor fora desaparecer
e acordar outro homem
que estivesse em sincronia
com meu organismo vil.

Estou só novamente
sem remédios para a minha
cura que não tem fim nem
principio só a ausência de nada.

Jorge Humberto
02/06/10

O SOL DOURA ONDE O ORVALHO FINDA

O sol doura e brilha no céu
descansando seus raios no rio
que corre manso para onde
as águas o levam na sua matriz.

Desemboca no ancoradouro
onde o orvalho colhe a
madrugada na orla do rio
que se espraia mar adentro.

Gaivotas rondam os barcos
do pescado esperando que
estes saiam para a faina e lhes
traga o peixe ansiado por todos.

Na doca as varinas despedem-se
dos pescadores e rezam por
uma boa pescaria e que todos
cheguem a casa sãos e salvos.

Mãos de sal remam ao norte
e lançam suas redes nas águas
esperando que o peixe suba
e se enrede na rede largada.

Com um chicote de força puxam
as redes repletas de alimento
marinho e as gaivotas invadem
a monotonia da pesca.

Regressam a casa com o peixe
os pescadores envoltos de
pássaros de toda a espécie
fazendo um grande escarcéu.

E ao ritmo de uma cantilena
trazem de volta os barcos ao
cais onde os esperam as mulheres
prontas a separar o peixe.

Os pescadores puxam os barcos
para o areal, longe das vagas
furiosas e preparam-se para
arranjar as redes estragadas.

Jorge Humberto
01/07/10

quinta-feira, 1 de julho de 2010


VENDO-TE À JANELA

Todos os dias te vejo
à janela
como se esperasses
alguma coisa que nunca
chega.

Cabelo ao vento trazes
a cidade presa
nos cabelos e estendes
as tuas melhoras
cortinas nas janelas.

Quando passo por ti
nem sempre
reparas em mim
de tão absorta com o
que se passa lá fora.

Chamo-te à atenção
sorris para mim
com o teu melhor
sorriso
de orelha a orelha.

E eu fico feliz porque
me fizeste atenção
e posso continuar
minha
caminhada subindo a rua.

Eu sigo e tu continuas
à espera na janela
que alguém venha
te cumprimentar
menina e moça.

Meu amor é pequeno
ante o amor que
sentes pelas coisas
deste mundo
tão bonito.

Não tenho ciúmes
pois tu
pertences a todo
o mundo e todo
o mundo te pertence.

Jorge Humberto
30/06/10

PARA MINHA VERGONHA

Para minha vergonha crianças
passam fome, velhos são postos
de lado pelos seus familiares,
adultos trabalham e não são

Compensados no seu dia-a-dia
de labor, porque outros passam
por cima a qualquer custo e ficam
com os empregos dos desgraçados.

Para minha vergonha mulheres são
maltratadas e quando se queixam
ainda dizem que elas é que são umas
ofr’cidas, e provocam os homens.

Quando todos sabemos que cada
vez mais mulheres são sodomizadas
e agora não é só no casamento,
os namorados também tratam mal

suas companheiras. Para minha
vergonha a natureza é desprezada
desflorada e assoreada, por débito
do Homem que não tem vergonha

na cara. Para minha vergonha
animais são-no a toda a hora
enxovalhados e desrespeitados
na ofensa que fazem a seus corpos.

Para minha vergonha os Homens
não se preocupam com nada e
ainda acham que fazem bem nas
suas vidas mesquinhas e vazias.

Valha-nos as pessoas altruístas
que lutam diariamente contra tudo
isto e dão de sua vida para acudir
a pessoas, à natureza e aos animais.

Jorge Humberto
30/06/10

TEUS LÁBIOS SABEM A MARESIA

Teus lábios salgados nos meus
sabem a maresia em dia de
bonança e o espelho da água
reflecte os nossos anelos.

Desceu a lua por sobre nós
e teu rosto iluminado brilha
para além da orla do mar
em que fitamos o nosso olhar.

Tenho um bolso cheio de sonhos
um dos quais tu és presença
assídua não refutando os meus
avanços em silenciosos recuos.

A Lua tem búzios donde podemos
escutar o mar absoluto
e galgos de espuma vêm até nós
para nos brindar em suaves ondas.

Jorge Humberto
28/06/10

SE TE PENSO

Se te penso vivo-te
se te vivo me preencho
e assim completo
amo-te profundamente.

Se me rio o riso é teu
Se choro o choro é meu
e no silêncio da palavra
vivemo-nos plenamente.

O sol doura no céu
nossos lábios se cruzam
e um beijo é saudade
que se dá por vontade.

Jorge Humberto
27/06/10

HISTÓRIA DE UMA FLOR

Uma flor medra no sol rochoso
o azul do céu está mais azul do
que nunca e o rio passeia
vagarosamente para o seu cais.

Pela madrugada a flor se alimenta
do orvalho matinal e vence a rocha
criando raízes profundas e
duradoiras embelezando a paisagem.

Estou no cimo da montanha
contemplando esta maravilha da
natureza e vendo como as coisas
pequenas também têm a sua vida.

As nuvens são brancas no céu azul
e o sol brilha compassadamente
aquecendo a flor e o vizinho mato
que campeia no cimo do monte.

Deito-me a sonhar com coisas
impossíveis de se concretizar mas
que minha imaginação fértil teima
em criar, desenhos e figuras no ar.

Do meu lado a flor que cresce
vigorosamente e que me deixa
fascinado pela sua força de vontade
em singrar na pedra que a norteia.

Puxo por um livro e adormeço
sonhando com um imenso campo de
flores das mais variadas estirpes
que vão crescendo aqui e acolá.

O sol doura e aquece o meu corpo
fazendo com que eu desperte para
a flor que ousou firmar raízes no meio
da pedra firme da rochosa montanha.

Despeço-me da flor com encanto
e ponho-me a descer a montanha
devagar por causa das pedras soltas
e regresso a casa mais rico e fortalecido.

Jorge Humberto
27/06/10

QUANDO PASSAS POR MIM SENHORA



Quando por mim passas em doces
fragrâncias e passo miúdo
eu ponho-me a sonhar acordado
e dou por mim a desejar teus lábios.

Doces lábios que me têm cativo
cativa senhora de meus anelos
que me faz desejar a todo o momento
o teu corpo junto ao meu.

Guardando em nós o beijo ansiado
vejo-te a percorrer o caminho da fonte
onde as águas são puras e os nossos
sonhos uma verdade inquestionável.

E quando o beijo é consumado
somos dois num só, uma mesma partilha
um mesmo anseio, que nos traz
a manhã mergulhada em suave esperança.

Jorge Humberto
26/06/10

AOS MENDIGOS DE TODOS NÓS


Nas ruas estreitas espreita
o vagabundo cioso de suas coisas
lava a cara na fonte quando é
despertado o dia.

Arruma bem dobrado os seus
cobertores e deixa a «casa» em
ordem, antes de se fazer à estrada
para mais um dia de pedinchice.

Tenta pentear-se mas o cabelo
não consente de tão sebento que
está, molha a cabeça e aventura-se
na manhã acabada de nascer.

Nas mãos leva um saco para guardar
o que lhe forem dando, de
preferência comida, que o dinheiro
não enche a barriga.

Percorre estradas e ruelas de mão
esticada apelando aos senhores
e senhoras que sejam complacentes
com ele, que nada tem ou usufrui.

O saco vai-se avolumando de fruta
e de pão, algumas moedas à mistura,
enquanto ele calcorreia ruas a perder
de vista, o sol é implacável.

Quando a tarde se põe regressa a casa
num vão de escadas e põe-se a observar
o ganho do dia, não vai passar por fome
hoje, mas cada dia é um dia de sobrevivência.

Sejamos honestos para connosco
próprios e ajudemos estes pobres
mendigos, dando-lhes atenção e comida
que os faça um pouco mais ricos.

Depois de comer enrola-se no cobertor
e nos jornais e assim adormece
após mais uma refeição que o altruísmo
de certas pessoas lhe concedeu.

São humanos como nós, que sofrem
e agonizam dia após dia por uma migalha
de pão e se possível por novos cobertores
que os últimos estão gastos e rasgados.

Sejamos nos outros o que gostaríamos
para nós próprios sendo bons samaritanos
e praticando boas acções que trará a
felicidade a quem não tem nada.

Jorge Humberto
25/06/10

CRIANÇAS SEM INFÂNCIA

Dou por bem gasta
minha saliva
o verso realista
dos que sofrem na pele
a atrocidade da fome.

Dou por bem escritos
meus versos
quando apelam
à boa nutrição dos
que não têm o que comer.

Dou por acerto
meu poema
quando chama à realidade
realidade tão atroz
quando o seu fundamento é a fome.

No focinho da palavra
revejo meus versos
implorando
que olhem para as crianças
com olhos de ver.

Meu lamento é maior
quando não fazem causa
dos tormentos das
crianças que imploram
por um minuto de atenção.

Não durmo não como
porque meu organismo
não consente
e minha inteligência é
afrontada com a falta de pão.

Que as crianças sejam
protegidas do arrivismo
do Homem contra
os senhores da guerra
que levam os petizes à fome.

Para os terem de seu lado
crianças guerrilheiras
que não sabem da inocência
nem de sonhos
e uma cova é a sua casa.

Para quando esta falta
de impunidade dos senhores
dos países ricos
que fazem olhos mortos
ao que se passa ao seu redor.

Jorge Humberto
24/06/10