Jorge Humberto

Nascido, numa aldeia Portuguesa, dos arredores de Lisboa,
de nome, Santa-Iria-de-Azóia, Jorge Humberto, filho único,
cedo mostrou, toda a sua sensibilidade, para as artes e apurado
sentido estético.
Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo natural, de sua evolução,
enquanto homem. E, a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão de eleição.
Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou, de raiz, 10 livros de poesia, trabalhando, actualmente, em mais 6, acumulando ainda
mais algumas boas centenas de folhas, com textos seus,
que esperam inertes, no fundo de três gavetas, a tão desejada e esperada edição, num país, onde apostar na cultura, é quase que crime, de lesa pátria.
Tendo participado em algumas antologias e e-books, tem alguns prémios, sendo o mais recente a Ordem de la Manzana,
prémio atribuído, na Argentina, aos poetas e escritores, destacados a cada ano.
A sua Ordem de la Manzana, data do ano, de 2009.
Sendo ainda de realçar, que Umberto Eco, também foi merecedor, de receber essa mesma Ordem, de la Manzana.
Do mais alto de mim fui poeta... insinuei-me ao homem...
E realizo-me a cada dia ser consciente de muitos.
Quis a lei que fosse Jorge e Humberto, por conjugação
De um facto, passados anos ainda me duvido...
Na orla do Tejo sou Lisboa... e no mar ao largo o que houver.
Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura reflexão.

Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever.

Menção Honrosa ao Poeta Jorge Humberto

Entrevista do poeta concedida ao grupo Amantes do Amor e da Amizade

Quem é Jorge Humberto?
R: Jorge Humberto sempre teve apetência para a arte,
através do desenho e da pintura. A meio a agruras da vida,
nunca deixou o amor pelo seu semelhante. Auto didata e perfeccionista,
sempre levou seu trabalho através da sabedoria e da humildade.

Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R: Não, sou o único poeta da família.

Como e quando você chegou até a poesia?
R: Cheguei à poesia quando estava num castelo em França,
e escrevi um poema, altas horas da noite, sobre a liberdade
que todo o Homem anseia.

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: A resposta foi dada acima.

Qual o seu tema preferido ?
R: Não tenho um tema preferido, escrevo sobre tudo, mas como poeta,
que quer aliviar a solidão de muitos de meus leitores, tenho escrito de há tempos para cá, sobre o amor e reflexões e alguns poemas bucólicos.

É romântico ? Chora ao escrever?
R: Acho que sim, que sou romântico, mas os outros falarão disso melhor do que eu. Já chorei a escrever.

Qual sua religião?
R: Agnóstico


Um Ídolo?
R: Fernando Pessoa

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio todos os dias, quando me deito. Meu autor preferido é o que referi como ídolo.

Quais seus sonhos como poeta?
R:Ver meus poemas impressos em livros e que meus poemas
tragam algo de bom a quem me lê

Como e onde surgem suas inspirações?
R: Surgem naturalmente, através do que vejo, sinto e penso.


Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Digamos que meu lado perfeccionista, já me levou a alterar alguns poemas originais. Mas depois de algumas poesias, em que lhes dei outro cunho, não achei por bem mexer, naquilo que nasce de nós, assim como nascem são meus versos, que divulgo.

Qual o filme que marcou você?
R:" Voando sobre um ninho de cucos/

Como é o amor para você?
R: O amor é dádiva, compreensão e um bem querer de um querer bem.


Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Cuidando dos Jardins

Cuidando dos Jardins
Jorge Humberto-2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

sexta-feira, 30 de julho de 2010


A SOLIDÃO

O estado de solidão é um estádio permanente de agonia e de sofrimento, onde as pessoas se sentem à margem da sociedade, incompreendidas e isoladas dos demais. Solidão afecta o nosso físico e a nossa alma, deixando-nos doentes e severamente prejudicados. Por mais que combatam este seu estado de solidão e de se sentirem sozinhos e abandonados, é-lhes difícil falar nisso aos seus amigos e vizinhos, fazendo-os pessoas desgastadas psicologicamente, nutrindo um pavor por tudo o que as rodeia. Tanto faz estarem acompanhadas de uma multidão, e por mais que aspirem a contrariar esse seu estado de alma, não o conseguem, pois são pessoas que se entregam à sua má “sorte”. São pessoas infelizes e nada lhes altera esse estado de espírito mesmo que tentem conversar com outras pessoas, que dialoguem com elas, a sua pouca “fé” num estado diferenciado não as ajuda em nada. É confrangedor estar rodeado de pessoas e mesmo assim sentirem-se sozinhas e largadas ao abandono. Renunciam à partida qualquer cura pois o desamparo as deixa absolutamente sós. Afastam-se da convivência com as outras pessoas, pois têm um mau prenúncio sobre si próprias e isso as torna incomunicáveis e socialmente má vistas, pelos outros que não compreendem tamanho sofrimento e insociabilidade. São pessoas sem qualquer ânimo e nem mesmo os amigos as amparam, já que acham que esse é o seu direito e o dever que devem cumprir sem se queixarem, perante ninguém nem nada. Carpem as suas dores sozinhas e não raras as vezes choram sem saberem porquê ou porque o sabem de facto e não conseguem contrariar essa faculdade. Encontram desânimo em tudo e nada as alegra. De vez em quando largam um leve sorriso, pesando-lhes a consciência, por terem desrespeitado o seu âmago. No entanto são pessoas respeitáveis e respeitadoras e mesmo assim têm bons e sinceros amigos, que fazem questão de preservar com os seus bons sentimentos. São pessoas que nos entristecem a todos, os de boa índole e de carácter fortemente personalizado. Acanhadas falam muito pouco mas o que dizem contem verdades insofismáveis. Pessoas inteligentes tal facto as faz sofrer ainda mais, por reconhecerem a sua solidão, como um mal-estar que não entendem. A solidão é a destruição do sujeito em causa, consumido gradualmente física e psicologicamente. Não raras as vezes adoecem e entram em processos de auto flagelação, sofrendo de psicoses mais ou menos destrutivas. Quem sofre de solidão agoniza sozinho, mesmo que acompanhado por outras pessoas suas amigas, que não sabem o que fazer para inverter o sentido das coisas, tal como elas se encontram. Fortemente deprimidos entregam-se à solidão, que é o que reconhecem como algo de valorizado, o que os deixa, erradamente com o que lhes resta de coragem para fazerem o seu dia-a-dia, com um sentido de merecimento que eles puxam para si próprios para assim se sentirem menos culpados, por algo que não conseguem controlar e do qual não têm a culpa. A solidão é tristemente incompreendida e as suas qualidades passam despercebidas.

Jorge Humberto
30/07/10

quinta-feira, 29 de julho de 2010


A SATISFAÇÃO


A satisfação é o complemento do bem-estar das pessoas. Pressupõe-se um bom estado de ânimo que se propaga a quem nos rodeia e se prolonga pelo dia a fora. Uma pessoa satisfeita com a sua vida e o que esta lhe propõe é uma pessoa activa e emergente ao que lhe procede. Satisfação procura-se, não se encontra a uma esquina à nossa espera, para que a agarremos e nos sintamos mais equilibrados. A satisfação é um estado de espírito que nos traz felicidade e nos compromete para com as outras pessoas, que nos albergam no seu estado de contentamento. Uma pessoa satisfeita é condescendente e tem para com os outros uma preocupação elementar. A satisfação é abrangente para com as pessoas de bom ânimo, e permeia quem faz uso desse sentimento de prazer e de alegria. O estado de satisfação é unânime e presenteia as pessoas com um bom espírito colectivo e social. Quem usufrui do estado de satisfação nunca está sozinho, pelo contrário está rodeado de pessoas que querem participar desse bom sentimento. Satisfação é lealdade e verdade, uma pessoa satisfeita nunca é egoísta e gosta de comparticipar nas acções colectivas de uma sociedade ou de uma comunidade. Sempre prontas a ajudar e a elevar os sentimentos mais pessimistas, estas pessoas nunca se negam a fazer uso do seu bem-estar, em benefício das outras pessoas mais tristes. Nunca se dão por contentes enquanto os outros indivíduos
não secundam a tristeza e o seu mal-estar colectivo ou individual. Do ócio pode-se tirar satisfação, desde que as pessoas não se preocupem em demasiado com esse sentimento de prazer renovado a cada instante de suas vidas peculiares. Como é um sentimento de satisfação? Este tem como base a alegria das pessoas, e o querer compartir esse efeito de cativação, com quem rodeia uma pessoa satisfeita e de bem com a vida. Satisfação é indisfarçável e não se coíbe de se apresentar aos outros, como um sentimento de deleite e de gozo recíproco. Satisfação é um sentimento agradável que alguma coisa faz nascer em nós como um desejo ou um contentamento. Quem usufrui de satisfação, tem a sua vida nas próprias mãos e é dono de seu “destino”. Satisfação é um estado de alegria permanente e quem goza desse bom sentimento gosta de o partilhar com as demais pessoas, que fazem parte de sua vida, mais ou menos recorrente, a elas pouco lhes importa desde que consigam transmitir esse estado de espírito que não está sozinho nem abandonado aos ventos de suão, quando estes sopram fortes de nortada. O sentimento de satisfação é exequível e pode ser cumprido conforme a boa vontade da pessoa que tem em sua posse a consciência íntima de suas sensações realizáveis.
Quem nutre satisfação pelos outros é recompensado pessoalmente e seu grau de satisfação purifica-lhe a alma. Já o insatisfeito cobiça os bons sentimentos das outras pessoas, que mais não fazem do que dividir o seu bom estado de suas faculdades intelectuais e facultativas. A pessoa satisfeita está de bem com a vida, com o trabalho, com os amigos e os vizinhos, só lhes preocupa o seu bem-estar individual e colectivo, particularmente e mormente o colectivo, pois sem ele são a sua própria negação. O ser humano quando satisfeito anima quem lhe rodeia e é feliz por isso. Satisfação é o acto ou o efeito de satisfazer. Nada se nega à satisfação própria do ser humano sociável.

Jorge Humberto
29/07/10

TEU BUSTO ESCULPIDO

Esculpo teu rosto em mármore cinzelado.
Os lábios são decididos e abrangentes,
enquanto as maçãs do rosto são salientes.

Esculpo teus olhos de mar na pedra e
debruço-me sobre o teu cabelo imenso
como algas marinhas que vêm dar à terra.

Teu busto é esbelto e os seios são como
pequenas colinas que saíssem da água.
Cada pormenor é por mim cuidado com

mestria e ciência e teu rosto vai tomando
forma gradualmente, ao som do martelo
e do cinzel. Limpo e termino tua imagem.

Jorge Humberto
28/07/10

A INDIFERENÇA

A indiferença é a hostilidade em pessoa e é por si só o pior dos sentimentos humanos, que se pode oferecer sem um pingo de arrependimento, aos nossos semelhantes. Quem usa de indiferença castiga sobremaneira a outra pessoa sem que esta se possa defender, pois o indiferente não oferece abertura, para uma conversação, já que se fecha na sua inimizade. O indiferente é uma pessoa rude e sem amigos, vivendo só com a sua sem razão. A indiferença cria inimigos por onde passa e é inquietante o seu negativismo. O pior é que a pessoa indiferente no trato com o outro, tira prazer disso no seu egocentrismo desumano e incansável, pois estas pessoas gostam de causar dano às pessoas de bem. A indiferença maltrata sem uma única réstia de arrependimento, são indivíduos mal-humorados
e culpam tudo e todos por se basearem nesse sentimento preconceituoso e ávido de maus tratos. Quem é indiferente basta-se a si próprio, ou assim o julga, e retira desse sentimento defeituoso um gozo inesgotável, que gosta de apregoar aos sete ventos. São pessoas sarcásticas e de língua afiada não se arrependendo nunca daquilo que proferem como uma exactidão que faz com que os outros se sintam culpados, pela culpa inexistente. Passam pelos outros com um desprezo e uma negligência a toda a prova, com um sorriso irascível nos lábios. Nunca olham os outros nos olhos com uma frieza de arrepiar e pouco lhes importa uma coisa como o oposto dessa coisa em si. O indiferente gosta de criar desacatos com uma insensibilidade que magoa mais que mil palavras. São pessoas traiçoeiras a quem não se deve dar espaço ao contra ataque sempre pronto a despoletar a qualquer instante, basta que as contradigam e que as enfrentem de frente. Como já referi acima a indiferença é o pior dos sentimentos, pois os outros não sabem como agir quando os fazem sentir culpabilizados pelo que não fazem nem praticam de modo algum. A falta de zelo é também um ponto a referir, pois normalmente são pessoas que não se empenham com o seu bem próprio ou com o alheio, é-lhes indiferente e são desapaixonadas e indolentes. Não aplaudem as opiniões ou crenças desencontradas. Nunca se confessam culpadas de nada e o erro é sempre
dos outros indivíduos. A indiferença é a negação total dos outros, como seres humanos, com seus direitos e deveres. A nulidade dos sentidos é um ponto de referência do sentimento de indiferença, nada é mais marcante do que se estar a falar com uma pessoa e essa pessoa tomar-nos por frívolos e insignificantes. Têm por normas ser pessoas egoístas e de ego elevado, não se preocupando com nada sendo as outras pessoas descartáveis. Fazem do isolamento o seu cavalo de batalha e estar fora do circuito humano é-lhes confortável e menos mau de se levar por diante, ante a sua indiferença traiçoeira e tirânica. A indiferença, como sentimento, é para se anular com paciência e doses elevadas de compreensão. E mais, quem usa da indiferença, para levar a sua vida por diante, não tem efeito positivo nenhum ou qualquer valor de registo. Por último, mas não menos importante, a indiferença e as pessoas indiferentes, não têm exactidão nenhuma, quando se pronunciam. O indiferente é um masturbador passivo.

Jorge Humberto
28/07/10

terça-feira, 27 de julho de 2010


A MINHA ENTREGA

Sou um bocadinho de cada um.
A minha entrega é recíproca e
tem a mesma medida de atenção,
para com cada uma das pessoas.

Não me nego a escutar os silêncios
e todos são diferenciados e me
merecem consideração e cuidado.
Para atender a todos divido-me…

Sou uma consequência de meu ser
solidário. Altruísta até mais não sou
atentíssimo ao que me segredam.
A minha boca está selada e atenta.

A minha recompensa é a estima de
cada uma destas pessoas elevando
meu ser ao mais sagrado de suas
vidas, que assim compartem comigo

as suas deferências e respeito mútuo.
Como conselho sempre um sentimento
se sobrepõe ao outro, no entanto aviso
que seriedade e respeito é o que conta.

O agradecimento espontâneo e puro
é o que me basta dessas pessoas…
Não quero compensações nenhumas
que não ver as gentes de bem consigo.

Jorge Humberto
27/07/10

A ALEGRIA

A nossa alegria é proporcional ao nosso bem-estar e ao que nos rodeia. Alegria é um estado de espírito contagioso, que abrange todos os que com ela convivem e fazem jus a essa sua alegria. Quem está junto de um pessoa alegre, está sempre bem-disposta e consegue partilhar seus segredos mais íntimos. A alegria é espontânea por conseguinte as pessoas que usufruem desse sentimento também o são. A alegria é epidémica e propaga-se sem nenhum esforço. Um ser humano alegre, tem muito mais saúde e nunca se ouve uma queixa de sua boca. São pessoas altruístas e por direito próprio sentem um à vontade sem preconceitos em ajudar os outros a serem felizes também.
A alegria é pressuposto de conforto e quem é alegre não passa despercebido o seu sorriso aberto e franco em tudo o que fazem como um bem maior e reconfortante inerente à sua satisfação. A alegria é uma situação agradável do corpo e do espírito e quem é alegre é feliz e propaga essa alegria. É inevitável que quem é feliz e alegre seja uma pessoa bem-falante e sem preconceitos, são pessoas airosas. A alegria é fundamental para o ser humano realizar os seus afazeres e compartilhar seu dia-a-dia com as restantes pessoas. Não entendem a tristeza como uma coisa possível de acontecer, pois para elas a alegria comanda a vida e é-lhes compreensível esse estado de espírito saudável e passível de transmitir aos outros o seu bem-querer. Quem é alegre não tem complexos nem sofre de egoísmos desnecessários e incompreensíveis.
A alegria é um sentimento duradouro e que se perpetua pelo tempo afora. Quem está junto de uma pessoa alegre comporta-se da mesma maneira alegre e efusiva.
A companhia de uma pessoa alegre é bastante requisitada pelo seu bem colectivo que proporciona. Quem usufrui de alegria desamarra os péssimos sentimentos dos mais carrancudos e solitários. Alegria é a felicidade em pessoa e não se deixa contagiar pela tristeza da alma deixada ao abandono do pessimismo. Quem é alegre é vistoso e comanda o rumo de sua própria vida e o que fazer dela. Quem é feliz torneia os problemas e é uma pessoa que só dita bons conselhos aos demais. Nunca um desaforo é proferido pela sua boca, e só se sentem felizes quando todo o mundo em redor também desfruta dessa felicidade. Ser alegre é ter em sua pose o gozo de alguma coisa, que não se pode alienar nem destruir. É fazer uso de suas plenas capacidades intelectuais e sociais.
A alegria gosta de sorrir e de fazer sorrir quem com ela está, não sofrendo de pressa nem de nenhum tipo de angústia, mais ou menos abrangente. O sentimento de alegria é um gozo com boas doses de bom humor, que se propaga como a um fogo incontrolável. Exercer influência sobre os outros é uma componente de uma pessoa alegre, que não faz mau uso desse sentimento para se sobrepor perante as outras pessoas. Quem transmite alegria adquire vida prolongada.

O RESPEITO

O primeiro passo para o respeito para com os outros é o respeito para connosco próprios. Não há respeito sem entendimento e renúncia do nosso egocentrismo.
Há quem se julgue mais do que as outras pessoas, esses indivíduos normalmente são arrogantes, quando não quase sempre e são pessoas solitárias, que levam as suas vidas sem um ponto divergente para com a sociedade e a comunidade em que estão inseridas e deviam ser parte activa sócio ou económico.
Como é do bom senso comum a pessoa que não se respeita é uma pessoa triste e abandonada ao acaso de sua sorte. São pessoas mal-humoradas a que nada lhes traz alegria ou convergência para com os outros. Indivíduos sem compromissos com ninguém, pois fogem deles, passam pela vida sem nada que as console ou lhes traga a tranquilidade necessária para esboçar um sorriso sequer no rosto, quando sozinhas nas suas lides ou quando passam pelas outras pessoas na rua. É confrangedor ter de lidar com estes indivíduos, pois nunca sabemos como vão corresponder à nossa aproximação, para elevar um diálogo.
Para estas pessoas toda a sociedade é um peso são dissimuladas e encobrem a sua vida fazendo uso das mais variadas máscaras, consoante as suas necessidades prementes para fugir dos outros. É escusado usarmos de boa índole e chamarmos a nós estas pessoas, pois elas se cobrem com um manto de mentira a todo o instante de sua passagem por este mundo.
Nada generosas acham que a culpa de todas as coisas é sempre dos outros e culpam as pessoas que as rodeiam de serem as causadoras de seu carácter pouco ou nada recomendável. Seres humanos desprovidos de piedade são capazes das coisas mais atrozes para sustentar o seu egoísmo natural. Rancorosas vão na vida
e nada lhes muda a opinião. De um elevado ego julgam-se mais que os outros, tanto na inteligência quanto na esperteza, quando é disso mesmo que fazem uso: a esperteza dos tendenciosos. Muitos fazem de sua beleza física o pretexto para diminuir os demais, de sorriso sarcástico nos lábios, como quem está a saborear o momento como um manjar dos deuses, deuses do infortúnio, digo eu.
Pessoas pouco ou nada recomendáveis são normalmente traiçoeiras e fazem da traição o seu gozo pessoal, pelo pouco respeito que representam para com os outros indivíduos. Pouco ou nada confiáveis quando se está com uma pessoa que não se respeita e por conseguinte os demais, é de se ficar com um pé atrás, porque nunca fiando do que essas pessoas são capazes para atingir os seus fins, diria lucrativos, nas mais variadas preposições e situações pessoais. Têm a propensão natural para o mal que causam aos outros sem se importarem com tal
tirando mesmo um prazer doentio dessas ocorrências anormais.
Assumidamente religiosas são consideradas beatas que professam na igreja o que
não fazem no seu dia-a-dia. Tenho dó destas pessoas pois sei que são infelizes e que se encontram perdidas para consigo e para com as outras pessoas. Rancorosas não são capazes de ver o bem em nada, tudo é mau e com direito a reclamação pessoal, que fazem questão de dar a saber a sua retrógrada opinião. É chegada a altura da mudança, que passa por nós, os outros, os que convivem com elas e têm de partilhar a sua vida com estas pessoas nada recomendáveis, mas como disse temos de ser nós a mostrar-lhes o outro lado do caminho, um caminho aprazível e construtivo, que os leve a repensar a vida e a dignidade pessoal.

Jorge Humberto
22/07/10

NO ACTO DE ESCREVER

Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que
escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura
reflexão. Acho que escrever é exercitar o nosso pensamento
assim como é uma divida que eu tenho para com os leitores.
Se alcanço o que me proponho não sei mas apraz-me que
haja quem me leia e comente minha obra com toda a seriedade.
Em tudo o que faço ponho o máximo de mim sem me escusar
a qualquer esforço nem esperar nada em troca que não seja
a humildade de meus leitores e a dignidade de meus críticos.
Sou feito de intuição e observação, e sempre procuro a
perfeição para os meus escritos. Sei que é algo impossível mas
não consigo fugir a esse enlace, que me domina contextualmente.
Escrever para mim é uma responsabilidade a que nunca fujo e
sinto orgulho por dizer que nunca deixo nada ao acaso nem faço
descaso daquilo que escrevo pois respeito muito quem me lê.
Como qualquer escritor e poeta sou um pouco de sozinho não
de solidão embora às vezes seja apanhado no meio de um
turbilhão de sentidos que me perdem por momentos e me
duvidam enquanto ser consciente de muitos. Sou introspectivo
e razoavelmente razoável, mas não faço da razão meu senhor.
Sonhador o quanto baste acredito no bom senso do ser humano
e dou-lhe a margem de dúvida suficiente para poder errar, o que
não suporto é as pessoas incorrerem no erro sistematicamente
por omissão ou desprendimento de suas responsabilidades.
Multifacetado escrevo de tudo um pouco, mas a poesia livre
cativa-me acima do restante. Quando escrevo tento encontrar-me
e encontrar o cimentar de uma base que me faça entender
perante os demais que como eu apreciam a cultura da escrita.
Não escreve quem quer escreve quem tem intuição e é socialmente
preocupado com as coisas que precisam ser esclarecidas na posse
de todas as suas faculdades inerentes ao bom entendimento.
Assumo o acto de escrever como um trabalho digno de se realizar
e de ser socialmente aceite como ferramenta para atingir diversos
fins. A escrita é abrangente e percorre muitos caminhos até chegar
aos seus leitores, que procuram na leitura uma forma de se
sentirem esclarecidos e devidamente avisados, quando a preocupação
é sócio cultural ou de puro ócio. É um prazer que se constrói intimamente
mas sempre ligado a quem futuramente lê o que se acabou de escrever.
Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma
de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever:
acto contínuo de minha responsabilidade perante os menos esclarecidos.

Jorge Humberto
14/07/10

segunda-feira, 26 de julho de 2010


O DESTINO SOMOS NÓS

O destino somos nós que o construímos no nosso dia-a-dia no convergir o sentimento com a razão. Não estamos destinados a nada senão ao que fizermos para que esse nada seja alcançado. Seja por vontade própria ou factual criamos os meios necessários para a nossa vida presente ou futura. Quem acredita no destino engana-se redondamente, pois nós nascemos para ser e crescer não para sermos um livro fechado logo à partida. O destino somos nós assim como o azar ou a sorte há que o erguer, como a uma casa que se constrói de raiz e pelas suas fundações. O destino não é uma ciência exacta e para o confirmar está em que nós todos somos diferentes e morremos em alturas diferenciadas, a única coisa que se aproxima do destino é o facto de à partida todos sabermos que morremos um dia, mas não sabemos quando nem porquê. O destino apresenta-se como um papão e condiciona a vida dos que à partida acreditam nele, como uma verdade insofismável e sem retrocesso possível. Quem condiciona a sua própria vida à existência de um destino, não vive, conforma-se com esse estado de não vivência. Muitas vezes as pessoas adoecem, passam mal, às portas da morte, e num repente ficam boas. Há quem diga logo que o destino ainda não estava marcado, quando o que aconteceu foi uma luta entre a morte e a vida, dessas pessoas, que assim pregaram uma enorme rasteira ao chamado fado que cada um de nós supostamente carrega nos seus ombros, para toda a vida: isso pode ser uma eternidade, digo eu. O destino somos nós que o preconizamos como desculpa para os nossos erros, enquanto seres humanos falíveis e de simples costumes. Somos muito previsíveis para que o destino perca o seu precioso tempo connosco, deixando isso para a sorte ou o azar de cada um. Quem procura a sorte encontra-a
porque se disponibilizou para que isso acontecesse, enfrentando todas as pelejas que apanhou pela frente, como o último dia de sua vida. Chamar-se destino às coisas que nos acontecem é fazer de nossas vidas uma coisa muito banal e sem força própria nem carácter efectivo. Prefiro chamar crescimento ao fadado destino, quem vai na vida aprendendo e apreendendo o que lhe surge pela frente, cresce muito mais rapidamente e consegue assimilar os factos desta vida como um bem maior e a tornar-se um ser consciente de muitos. Tudo nesta vida é um aprendizado desde os primeiros passos, primeiro fazem-se as coisas por imitação depois por apreensão e acumulação de conhecimento próprio.
Os crédulos chamam destino à mão de Deus, não tenho nada contra isso mas discordo plenamente pois que quem constrói a nossa vida somos nós, e nós não somos, vamos sendo, pedacinho a pedacinho até se erguer uma parede bem cimentada e fundamentada. Quem entrega sua vida nas mãos do destino é fraco para além de ser um mero espectador de sua existência, são pessoas sem vontade própria que entregam nas mãos dos intrujões o seu modo de viver e de conviver. Quem nasce tem à partida a morte, mas isso não é recorrente do que fazemos de nossa vida durante o seu curso, isso fazemo-lo nós, com as nossas próprias características e com a personalidade inerente a qualquer ser humano. Destino é o percurso que todos nós percorremos, tendo o ensinamento e aprendizagem por sua conta e risco, desde que se nasceu e fomos mais um neste mundo tão complexo.

Jorge Humberto
26/07/10

SIMPLESMENTE AMANDO

Gosto do meu estado de espírito
perdidamente apaixonado
e entregue à pessoa que eu escolhi
para estar a meu lado. Tudo tem
mais cor e mais sabor, as palavras
saem sem esforço algum e o amor
toma conta de nossos seres.

Há fragrâncias no ar que doutro modo
passariam despercebidas mas nesta
paixão é ponto assente que entra
pelas minhas narinas a dentro,
trazendo-me o perfume de teu cabelo
solto na cidade sufocante em
pequenos cachos de uvas sumarentas.

Minha vida assim é um sonho que
eu quererei preservar a todo o custo…
E junto ao mar encontro-te meditando
e sorris para mim como só tu o
sabes fazer e dizes-me que pensas em
nós como duas pessoas silenciosas
que afogam seus silêncios com beijos.

Jorge Humberto
18/07/10

domingo, 25 de julho de 2010


O SOL QUEIMA LÁ FORA

O sol queima a erva deixando-a
amarela e dá um toque suave no
rio lá mais em baixo.

Este corre tranquilo e sereno para
a sua foz, que fica depois da curva
de minha janela aberta.

Meu passarinho canta hossanas à
vida, na acolhedora sombrinha
deste lado do prédio.

Nota-se de que está feliz e contente
por morar numa gaiola enorme
que faz as suas delícias.

Dirijo-me à janela para fumar um
cigarro depois de um gole de café
fresquinho.

O sol está realmente abrasador e
até a aragem é de um bafo quente
que nos deixa sem reacção.

Afinal por que resmungar estamos
no verão, logo altura de muito
calor e seca.

Pobres dos agricultores que se vêem
sem água fresca e necessário
às suas culturas.

Isto apesar das barragens que no
entanto não alcançam toda a terra
ressequida por este sol.

Escrevo para me olvidar deste clima
quente e confrangedor
e assim me distrai-o.

Jorge Humberto
25/07/10

ACERCA DO EGOÍSMO


O egoísmo é a pouca ou nenhuma valorização que uma pessoa dá a si própria, consumindo-se gradualmente e vivendo sozinha mais o seu péssimo sentimento. Quem é egoísta só pensa em si, os outros não têm valor nenhum para essa pessoa e sorriem sarcasticamente na nossa cara. Ser egoísta é não saber dividir as coisas boas da vida com as outras pessoas e no entanto julgam que elas é que estão correctas. Egoísmo é o egocentrismo levado ao excesso, narcisistas por natureza passam horas ao espelho a contemplar-se e a julgarem-se os melhores de todos. Se o mundo fosse menos egoísta não haveria tanta fome nem guerras desnecessárias e incompreensíveis como são estes dois exemplos de itens sociais.
O egoísmo faz a pessoa irracional e seu pensamento só está dirigido para si e para o seu umbigo, achando as outras peças como estando a mais no seu tabuleiro de xadrez, com que jogam frequentemente, regozijando-se com as suas vitórias irreais e infundamentadas.
Egoísmo vem da má educação dada pelos pais, que cedem às birras dos filhos para conseguirem a sua atenção momentânea, pois quem é egoísta é desrespeitoso e solitário no seu âmago. Ser egoísta é ser falso e falsear na palavra dada ao outro, sem se importar com as consequências com o mal que estão a causar a essas pessoas, que acreditam piamente na mentira do comodista. Acreditam na sua esperteza para dar a volta às situações, e o egoísmo sai-lhes aos borbotões de sua garganta e de sua alma impura. O egoísta não tem interesse em manter boas relações com os demais, pois que só eles se bastam. Masturbadores activos fazem de sua má génese e de seu mau sentimento um momento de gozo que perdura, quanto mais egoísta se é. Egoísta não dá a sua vez a ninguém e dá-lhes um prazer inusitado o mal-estar das outras pessoas.
Zelando apenas pelo seu parco bem-estar tornam-se irascíveis quando os contrariam e não fazem a sua vontade. Naturalmente são pessoas mal-educadas e fazem disso o seu brasão marcado a ferro em brasa na sua carne putrificada e inodora. Tratando apenas dos seus interesses ficam extremamente incomodadas quando os outros lhes dão pareceres, com a melhor das intenções. Afirmando-se perante si próprias como as mais correctas, nem se apercebem do mal que causam às outras pessoas, quando enveredam pelo egoísmo como o seu modo de vida. Que ou quem é amigo de suas comodidades leva peito o julgarem-no iníquo.
Não escutam ninguém e são favoráveis ao mal dizer, do qual fazem jus e princípio activo, como o bem pouco que lhes resta, que é o que têm para apresentar aos seus vizinhos e amigos. O egoísta é hipócrita e severo no trato com os outros, não lhe importando o mal que possam estar a causar aos demais irmãos. Egoísmo é uma doença de carácter que, só passando por várias agruras nesta vida, tende a mudar o seu comportamento, ou não, dependendo de indivíduo para indivíduo. O
ser egoísta julga que os outros são sua propriedade e fazem uso dessas pessoas, como quem troca de camisa sem se importar com a impressão das pessoas atingidas, pela sua má fé. Tem de se erradicar o egoísmo para que possamos ter um mundo mais justo e sadio. O egoísta é cínico.

Jorge Humberto
25/07/10



E assim de permeio com a minha
solidão sigo sem a tua presença
querida e ansiada que faz de meus
dias, dias de sol radiante e efusivo.

Não sei estar sem a tua companhia
tudo me afronta e confronta-me
deixando-me quedo e infeliz
pois que me falta a tua realidade.

Há um desencontro de almas fiéis
e o silêncio perdura mais do que
é inevitável e recorrente de dias
felizes que soubemos ter até aqui.

Que o mau agouro se vá na distância
e se perca entre as brumas da
madrugada orvalhada de choro
intenso, que é este meu coração.

Jorge Humberto
24/07/10

O PENSAMENTO COMO INSTITUTO


Sou direccionado ao pensamento
como um carro
é dirigido em plena auto-estrada.

Não faço do pensamento
meu senhor
mas é uma parte importante de minha pessoa.

Pensar é agir e interagir
com os outros
nos longos debates recorrentes.

Minha maior ambição
é fazer um livro
sobre o livre arbítrio do pensamento.

Como qualquer pessoa
sonho
mas o sonho é o pensamento enquanto se dorme.

Várias directrizes
do pensar pensar-se
é nos outros e está no bem-estar de cada um.

A inteligência é o
pensamento
reformulado com o intuito de ensinar.

Amo porque dirigi
meu pensamento
para o acto de amar e ser amado.

Nunca estou a sós
com o pensar-me
sempre me acompanha o intuito instituído.

Pensar faz dor de cabeça
mas é
imprescindível e necessário ao nosso bem-estar.

Pensar
é amor o desconhecido,
e fazer do sujeito parte integrante de nossas vidas.

Jorge Humberto
24/07/10

SOBRE O AMOR

Amor é o alimento da alma. Amar faz as pessoas felizes e mais compreensivas. No amor deve haver cumplicidade e irmandade mesmo quando as conversas divergem deve-se dar vez ao entendimento e deve-se ser flexível o bastante para ultrapassar um momento menos bom numa relação. Às vezes o silêncio é necessário para que se prepare o arrebate do amor e que este duplique de emoção. Saber olhar olhos nos olhos é importante para se conhecer a fundo o que vai no coração da pessoa amada e desejada. O amor é o mais que tudo e deve caminhar de mãos dadas com a felicidade, enfrentando a realidade com um sorriso nos lábios e muita coragem pessoal.
No amor não há lugar há desigualdade, somos um todo por inteiro compartilhando todos os momentos do dia-a-dia da relação amorosa. Há que repartir o amor e apresentar surpresas a cada instante, de maneira a dizer presente e que se pensa carinhosamente na pessoa que se ama como tudo o que se comparte de boa índole. O amor deve falar e explanar todos os sentimentos divergentes de duas pessoas, que, no fundo, são diferentes na sua personalidade.
Quanto mais se actuar neste plano maior a aproximação e o sentimento de bem-querer, que é o que o amor necessita para crescer e fazer o seu ninho amoroso. Amar é sorrir mesmo quando a tristeza nos acompanha e contar com a presença do outro para nos ajudar a sair desses sentimentos menos aprazíveis. Quem ama crê e é devota a esse amor, que deve ser repartido e participativo. Deve-se conjugar as diferentes formas de ser de dois seres humanos para dividir o sentimento de “posse” que não é autoritário nem confrangedor. O amor é um sentimento de grandeza, as pessoas sentem-se livres apesar de viverem conjuntamente. Deve-se ser humilde o suficiente e flexível para que esses sentimentos acompanhem os dois amantes a toda a hora e em todas as situações de um amor partilhado. Amar é recusar o isolamento de uma pessoa, que conjuga
no outro o seu bem maior e divide com ela o seu bem-estar.
Intimamente ligados por um cordão invisível fazer o bem para felicidade do outro é um sentimento comum. Quem ama nunca é maçador mas por conseguinte sempre inovador e abrangente. Amar é recusar a solidão e o perturbador estado de se sentir desacompanhado e incompreendido, enquanto ser humano na sua plena posse intelectual. Quem ama afasta o egoísmo e o egocentrismo relativo e por vezes preponderante à pessoa. Amar é ser solidário, saber escutar e compreender a outra parte, que, diga-se, é diferenciada, mas que se vai casando com os sentimentos um do outro. É a chamada cara-metade e até o cheiro corporal transita de uma pessoa para a outra de tão semelhantes que se aproximam como um ser único apesar de manterem a sua personalidade própria. Amar é estar de bem com a vida e com o que rodeia os elementos em causa, é saber perdoar e não ser perdulário nem desencantado. Em detrimento do medo inerente a quem divide a sua vida com outra pessoa deve-se passar um sentimento de coragem e de compreensão natural. Amar é um presente da vida, que se deve levar pela vida afora, contra tudo e contra todos.

Jorge Humberto
24/07/10

PENSAMENTOS DE MOMENTO

Gestos tidos devem ser equivalentes
ao equitativo
do que temos para oferecer.

Doar é uma das melhores dádivas
para que se possa
alcançar uma outra pessoa.

A verdade é o equivalente
à compreensão,
ambos atingem o mesmo estímulo.

A inteligência é comparativa
ao bom senso
só com ele se chega a algum equilíbrio.

O mau entendimento de uma conversa
pode desencadear
um péssimo resultado final.

Quem dá, fá-lo em segredo
porque dar
significa entrega natural e zelosa.

Não precisa de títulos
nem de glórias
tidas como no máximo efémeras.

Pôr em poder de outrem
uma posse
significa distanciar-se de seu egocentrismo.

Sonhar é o pensamento
adormecido
que no entanto continua em funcionamento.

O pensamento
pode ser levado em conta
como algo de recreativo e é educativo.

Saber perdoar
é no mínimo
uma aposta em si mesmo, num abandono total.

Jorge Humberto
23/07/10

A VERDADE COMO UM BEM RECORRENTE

Nada esconde a verdade quando é dita com firmeza e com convicção. Na verdade se encontra a liberdade das pessoas e a autodeterminação dos povos. Só na verdade se vive livre de preconceitos e de estigmas, tão costumeiras nas pessoas.
A verdade é um livre arbítrio a que todos nós temos direito e do qual devemos fazer uso permanente.
Quem faz uso da verdade no seu contacto com as outras pessoas, tem nesse bom gesto o retorno mais à frente, em dobro. Ser verdadeiro é ser autêntico consigo mesmo e com os outros e é uma pessoa feliz, no repartir a sua coerência em conformidade com a sua pessoa. Na verdade está o bom relacionamento das pessoas na sua sã vivência do dia-a-dia recorrente. Dizer a verdade traz consolo ao coração e ao espírito e a pessoa sente-se parte integrante e plena da sociedade em que está inserida.
A verdade traz consigo uma gargalhada a plenos pulmões, é um gostar de repartir as coisas desta vida e não esconder nada por medo de ser mal entendido. Fazer uso da verdade é fazer uso da sua livre expressão corporal e emocional, é um bem
com o qual devemos partilhar com os demais. Ser verdadeiro é apostar no bom relacionamento com as outras pessoas, é gostar de repartir o seu bom estado de graça. A verdade não suporta a mentira, nem sabe lidar com essa impostora, duas
vezes maldita. Quem não esconde nada mesmo não sendo entendida pelos outros
é um alívio da alma e vai para casa contente consigo mesmo e com a sua reacção. A verdade traz consigo a felicidade das pessoas, que gostam de compartilhar esse estado de alma, sem algozes nem grilhões, que as impeçam de fazer uso da mesma, como o bem-querer dos indivíduos.
O axioma da verdade é a realidade e a sinceridade da boa-fé sem extremar posições. Quem fala a verdade não merece castigo e é recompensado a todo o instante, senão pelos outros algumas das vezes, por si mesmo. Quem dispõe da verdade dispõe da conformidade de suas ideias e ideais e de seus bons princípios. A verdade deve estar connosco a todo o momento, repartir como o bem pouco que lhe resta a sua palavra positivamente franca e extremosa. Quem falseia a verdade, para além de mentiroso não se dá bem com a sua pessoa e vive reprimida, sendo ultrapassada pela sua falta de sinceridade. Afasta as pessoas do seu convívio e vive sozinha com a mentira sem ninguém que a escute ou professe
a sua incúria. Numa boa relação a verdade tem de imperar e tem de existir um esforço de cooperação entre os dois elementos.
A expressão fiel da natureza humana comparte a verdade como um princípio básico da ligação efectiva ou sexual entre dois seres humanos, que se dispõe a entregar-se sem receio algum de uma futura mágoa, desde que a verdade esteja sempre na boca de cada um. Tendo incorrido em algum erro a pessoa deve ser capaz de se ultrapassar e perdoar-se, não voltando a errar ao ser menos verdadeiro. A verdade é a pureza da comunicação entre dois seres humanos. Quem diz a verdade e faz uso de recurso merece tudo nesta vida. A verdade é tudo de bom e de fascinante, fazendo das pessoas seres enormes e análogas, fiéis aos seus princípios.

Jorge Humberto
23/07/10

MÃOS DE SAL


Mãos de sal remam num último esforço até ao ancoradouro.
Corpos crespados pelo sol ferem na roupa enquanto os pescadores puxam a embarcação para terra firme. As mulheres que esperavam a chegada, com olhos postos no horizonte, aprestam-se a ajudar, recolhendo as redes, que terão de ser concertadas pelas mãos sábias dos homens do mar. O pescado é dividido logo ali, junto à praia, consoante o tamanho e a espécie em causa.
Depois de vendido o peixe para as lotas é hora de se repartir a colheita entre as mulheres, que põe algum a secar em cima de varas de madeira,
para preservar o peixe por muito mais tempo para que este dure o inverno sempre tão rigoroso. Crianças brincam na areia espantando as gaivotas que tentam alcançar o animal de guelras expostas ao sol. Enquanto este se põe ao largo entoam-se canções, para animar o trabalho, sempre moroso, entre agulhas de marfim e as cordas das redes, que amanhã voltam ao mar longínquo e perigoso, enfrentando altas vagas no meio do oceano. As mães chamam pelos seus filhos e avisam os homens, de que são horas da ceia, sendo partilhada em família.
Todos se juntam à mesa e depois de cear vão-se deitar. E assim se passou mais um dia de pesca, amanhã antes do sol raiar partem mar adentro uma outra vez.

Jorge Humberto
22/07/10

QUEM É EM MIM

Não sei quem sou, se sou
este se o outro
que espreita zombador por
detrás da cortina.

Não me posso fiar no espelho
para me dar uma
resposta conclusiva
pois quem vê com os olhos é doente.

Sou um misto de menino e de
homem que carrega sua cruz
pelos feitos
de um passado pouco recomendável.

É por isso que não sei a quem me sou
porque vivo do preconceito
vivo e factual
desse mesmo passado.

Cinco anos é muito tempo
é tempo de desculpar
e de acreditar novamente nas
minhas potencialidades.

No entanto não posso estar
na cabeça das pessoas
nem agir por elas
o que não posso é viver de preconceitos.

Sou tudo o que há e o que não há
sou simples
e também sou complexo
mas uma coisa não faço: não me vendo!

Poeta e escritor de todas as
realidades
sobrevivo e tiro felicidade do meu
trabalho.

Dir-se-ia que sou um dos demais
mas meu pensamento
é maior do que eu
logo sou maior que o homem comum.

Não sei quem sou
pretérito mais do que perfeito
excessivo
e assumidamente contundente.

Jorge Humberto
22/07/10

O MENINO POETA

Sou tudo o que sou e o que não sou.
Dá-se a metamorfose do poeta
que canta hossanas
à vida e às gentes
que ele conhece de fio a pavio.

Mais uma vez minto a dor que deveras
sinto.
Sou neste e no outro o que sói ser em mim
poeta de todas as causas que brinca
de menino.

Sou coisa partida que sempre volta a
colar-se.
E divago pelas nuvens sonhando-te aqui
à minha espera (sorriso nos lábios)
e eu que estou tão longe de ser em ti.

Sou coisa alguma e sou coisa nenhuma.
Perdido em meus pensamentos
e devaneios
o poeta menino insurge-se
na folha alva, esperando o ressurgimento.

Jorge Humberto
21/07/10

HUMILDADE

Quem é humilde colhe os bons frutos de sua humildade, porque o faz com generosidade e altruísmo na sua boa humanidade. Joga à terra o pomo com todo o carinho para colher mais à frente a semente do bom senso e cuidado extremoso. Quando se é humilde passa-se uma mensagem de bem-querer que os outros vão recepcionar e compreender como uma boa missiva que se escreveu. Ser humilde é ser compreensivo e saber escutar os outros como um bem comum.
É vulgar a uma pessoa humilde ser flexível e acatar os conselhos dos outros pois isso em nada a faz diminuta ou menos valorosa, antes a torna enorme aos bons olhos dos demais que com ela convivem.
Nasce-se ou torna-se humilde na vivência e aprendizado do dia-a-dia, como um bom aluno apreende o que lhe é transmitido pelo mestre.
Quem é humilde em nada é medíocre ou menos do que os outros apenas constata um facto de sua personalidade comedida, por conseguinte é uma pessoa enorme.
Saber ouvir é um factor de humildade que só as pessoas generosas partilham como um bem maior. Humildade é a negação da hipocrisia e da mentira e não suporta a estes dois impostores.
Saber doar é um compromisso que toda a pessoa humilde sustenta e aperfeiçoa como o bem pouco que lhe resta. Saber sorrir quando as coisas não correm de feição é o causador de uma pessoa que faz de seu ser humilde seu habitat natural.
Ser humilde é a perfeição das perfeições que o universo concedeu ao ser humano.
Quem assim actua nunca se zanga nem usa de palavrões nas conversas tidas com os outros, normalmente atenua a irritabilidade dos demais e é interlocutor assumidamente activo e participativo.
Ser humilde e usar da humildade não significa acatar a agressão verbal, mas perante os factos saber rodear a infracção com paciência e naturalidade. Quem é
humilde é feliz e faz transparecer essa humildade diante dos outros que com ele
partilham os momentos mais ou menos íntimos, de sua personalidade. Humildemente prazerosas estas pessoas são sempre muito honestas para consigo próprias e fazem disso o seu brasão pessoal, como uma bandeira bem hasteada. É
no ser-se humilde que está o aprendizado tão necessário ao Homem e ao mundo em geral, que no momento presente se encontra perdido e assaz sozinho.
Temos de trabalhar mais a nossa modéstia actuando conjuntamente com os demais, numa demonstração de respeito e crescimento pessoal e social. Só quem tem capacidade para reconhecer os seus próprios erros pode usufruir de humildade, perante os seus defeitos ou limitações mais ou menos cabais. Humilde
não é ser reverente, mas saber ocupar o seu espaço sem ultrapassar o lugar das outras pessoas. A isso chamo bom senso e sinal de inteligência, no factor temporal, que ocupa o sentido de uma pessoa humilde. Magnânimo e nobre a pessoa que usa de humildade, normalmente é reconhecida e aplaudida pelos demais que a rodeiam, e, ao contrário, do que se possa pensar, a pessoa não se torna arrogante perante esse facto. Dói no coração a uma pessoa humilde ver a insolência dos outros e a sobranceria que está a par com os que não partilham dessa qualidade. Perante isto cabe a cada um fazer de nós e dos outros melhores
pessoas sem nunca levantar o tom de voz nem se impondo esta condição digna de registo ante ninguém, que nos confronte de uma maneira desmedida, confinando-nos. Ser humilde, eis a questão a ter em conta, para um mundo melhor e mais aprazível e justo, principalmente para com as crianças e os velhos.

Jorge Humberto
21/07/10

SOU FELIZ


Sou feliz por ter-te encontrado
sou feliz por me compartilhar contigo
sou feliz por estares do meu lado
sou feliz por ser feliz comigo.

Sou feliz por um dia teres dito sim
sou feliz por isso e muito mais
sou feliz por sermos assim
sou feliz como no céu os pardais.

Sou feliz porque assim me fazes
sou feliz sem contrapartidas
sou feliz por tudo o que me trazes
sou feliz nas efémeras despedidas.

Sou feliz somente porque sou feliz
sou feliz por seres a minha Mulher
sou feliz e assim alguém o quis
sou feliz porque é forte quando se quer.

Sou feliz a cada beijo teu
sou feliz a cada abraço coração com coração
sou feliz porque posso chamar de meu
sou feliz com toda a inerente emoção.

Bem dita a hora em que te conheci
pois sou feliz assim.

Jorge Humberto
20/07/10

ENCONTRO COM A FELICIDADE



A felicidade é um estado de graça que todos os que tiveram uma vida saudável e sustentável apresentam. Foram crianças e adolescentes felizes e isso se repercutiu no seu estado adulto. São pessoas mais sociáveis a que não falta um sorriso nos lábios e a boa disposição para consigo e para com os outros é um modo de vida que levam avante. A felicidade também está inerente com a humildade, só quem é humilde é feliz e consegue repartir esse estado de espírito com os demais ao seu redor. São pessoas normalmente rodeadas de amigos a quem o efeito surpresa é sempre uma constante, pois conseguem diversificar seu humor contagiante e agradável a quem com elas partilham as suas vidas. Socialmente aprazíveis todos procuram o seu contacto solidário numa constante busca da felicidade que não escondem e que compartilham com o maior dos prazeres. Prazer é o que arrecadam estas pessoas, no seu dia-a-dia prazeroso e de utilidade pública ou social. Seguindo as passadas destas pessoas felizes o altruísmo e o bem-querer é uma coisa natural com que convivem e fazem por passar aos seus amigos e conhecidos, com uma espontaneidade e singeleza de se recordar para o resto dos nossos dias, por isso deixam saudades quando têm de partir. A pessoa que usufrui de felicidade é uma pessoa grata à vida e não deixa de agradecer cada bocadinho de seu dia, quase que religiosamente, quando não isso mesmo. São pessoas com graça e que nos fazem sorrir a todo o instante, para seu deleite, pelo simples facto de fazer felizes os outros. Gente extremamente acessível tem o condão de transformar em realidade o sonho dos outros. Uma pessoa feliz nunca tem necessidade de elevar seu tom de voz, a fala pausada e alegre contagia com quem com ela convive e a compreensão é um facto assumido e requerido pela própria.
No trabalho ou na lida da casa são por demais exigentes consigo mesmo embora isso não transpareça para fora já que um riso sempre aflora em seus lábios de orelha a orelha. Uma pessoa feliz é uma pessoa muito mais saudável que as restantes pessoas, já que o conflito não entra nas suas lides pois fazem tudo com um prazer redobrado e não deixam de prezar por um bom sossego quando a noite cai. Inteligentes o bastante sabem rodear os problemas, quando estes surgem e dão que pensar mais do que se seria de esperar, nunca se esquivando a nada e encarando tudo de uma maneira positiva e construtiva. A felicidade está ligada a essa positividade já que a construção do seu dia é pensada de antemão e com ventura, o que lhes dá prazo de manobra quando esta é exigível, por isso sorriem a todo o instante, para chamar a si os companheiros de jornada. No trabalho são prestáveis e civilizadas, sempre prontas a dar uma mão a um colega mais necessitado. Sempre prontas a dar um conselho, cumprem elas também o que dizem aos demais, não se desassociando de seus compromissos e estados de espírito, nada renitentes. Um ser humano feliz é um bem maior a que todos nós devemos seguir os seus preceitos com a maior das atitudes que uma pessoa pode
usar como inteligência e predicado. Ser feliz é ser no agora, no presente instante de um futuro sempre marcado para breve. Por isso sejam felizes e sorriam mesmo diante das possíveis agruras da vida.

Jorge Humberto
20/07/10

AMIGO ESSE SER EM EXTINÇÃO


Ter um amigo é um acto de responsabilidade a que nem todos estão aptos a

suportar, por falta de tempo ou de interesse.
Cada vez é mais difícil encontrar amigos a sério que se comprometam com os

outros, é mesmo restrito a componente de dois amigos que se entendam e

compreendam e aceitem o seu amigo como ele é, com suas coisa boas e menos

boas, sabendo de antemão que ninguém é perfeito e que o ser humano é passível

ao erro, por mais que tentem crescer e aprender a julgar-se e a agradar ao

seu amigo.
Não falando de amigos mas de vizinhos, estes comportam-se como anti sociais e

avessos a serem nos outros o que eles gostam que sejam para eles. Não há mais

o simples “bom-dia” ou o “cumprimento de mão”, ou sequer um “olá, como

está?”…. Vandalizaram a palavra amizade e não raras as vezes é a falta de bom

senso que comanda o dia-a-dia dessas pessoas, arranjando zaragatas por tudo e

por nada e por conseguinte o deixarem-se de falar mutuamente e em definitivo.

Se já era difícil o relacionamento este tornou-se insuportável, pois as

pessoas vivem para caírem nas boas posses dos outros, os ricos ou os que têm

mais que eles, e engalfinham-se até conseguir mostrar que também possuem os

requisitos necessários a entrar na
média, alta sociedade. Não importa que passem fome em casa, que andem sempre

com a mesma roupa o que interessa é ter um carro e ir passar férias aos

lugares mais dispendiosos. No reverso da medalha está viver a vida ao

desbarato
e sem bom gosto nenhum, que os compare àqueles que eles tanto anseiam. A mim

parecem-me palhaços sem graça nenhuma, com todo o respeito pela linda arte de

ser palhaço, esses que riem chorando e de uma grande entrega total, humildade

e altruísmo. Os amigos de hoje em dia são os chamados amigos da onça que

choram lágrimas de crocodilo ao degustar esse preceito tão bonito que dá pelo

nome de amizade. Há determinadas causas que fazem com que os amigos sejam uma

raça em extinção, e nelas se conta o pouco empreendimento para cimentar essas

boas relações. Tudo isto é subjectivo e é uma opinião própria mas
contam-se pelos dedos de uma mão os verdadeiros companheiros. Aqueles que

despem a sua camisa para dar ao amigo num alto grau de significação. Vão-se

os dedos ficam os anéis, de pechisbeque diga-se, pois não têm dinheiro para

se compararem aos seus ídolos, falo dos novos-ricos.
E é por isto que se perdem os amigos? Mal aventurados sejam e que lhes seja

negada a máscara da falsidade e do egoísmo e cobiçoso desempenho, dos que
tentam a todo custo parecer-se com o que nunca virão a ser.
Lembro-me ainda muito bem de ir de férias com os meus amigos e os amigos dos
meus pais, a felicidade que era, por um ter carro que nos levasse até onde

chegasse o sempre parco dinheiro. E divertíamo-nos e gozávamos e um sorriso

sempre se desprendia dos lábios, tal o bom entendimento e a sensação

inimitável que é ter amigos. Cresçam e aprendam criaturas cobiçosas!

19/07/10
Jorge Humberto

O VELHO HÁBITO DE RESMUNGAR



Resmunga-se por tudo e por nada, fomos feitos a resmungar nunca estamos bem com o que temos, se está calor é porque está calor se está frio é porque está frio e andamos nisto a vida toda. Tenho para mim que somos uns comodistas e muito mal-educados, já
que os pobres não resmungam por nada pois que lhes falta tudo para sequer se queixarem do quer que seja na sua parca e mísera vida.
Devíamos olhar para os que têm menos posses e seguir os seus procedimentos de pessoas humildes. Não quero com isto dizer que nos devemos conformar com o que temos mas sim que devemos agradecer pelas nossas posses. Não conformar é ter um bom emprego e mesmo assim fazer de tudo para evoluir no seu trabalho. Há muita gente que ainda nem sequer tem saneamento básico, sem água, sem luz sem nada que
os faça à nossa semelhança, aqueles que têm com o que se governar e não têm razões para resmungar de nada nesta vida. Não conformarmo-nos e fazer por ter mais e melhor para o nosso bem-estar económico e pessoal é uma coisa, resmungar só porque não se tem é outra coisa, acho até mal feitio e que essas pessoas são ao que eu presumo, umas chatérrimas.
Daria uma semana às pessoas que estão minimamente bem nas suas vidas para viverem
essa semana entre os pobres dos pobres, de certeza que deixariam de resmungar para
procurar o que lhes servisse de sobrevivência. Para um pobre que procura no lixo o que comer, resmungar está fora de seus conceitos, o que se vê é eles agradecerem por mais um dia de “vida”. Estamos muito mal acostumados desde pequenos, a ter os brinquedos que queremos e a trocar mal se partem, porque não se sabe cuidar do que se tem. Já o brinquedo da criança pobre (construído por ela mesma) é cuidado com todo o carinho e protecção quase divina, pois eles sabem bem dar uma coisa e que os outros nem sequer pensam nisso e que é dar valor ao que possuem, que é muito pouco, mas ressalvado por eles e prioritariamente bem preservado e acarinhado.
Mas não, nós resmungamos por tudo, engraçado mesmo que até de nós resmungamos.
Pessoas mau acauteladas para a vida, que não sobreviriam um dia sem o que têm em casa para poder resmungar. Não pensem que os pobres estão mal conformados se eles
nem tempo têm para isso e não lhes dão condições para singrar na “vida”, estão isso sim
acostumados a essa “vida” que os rejeita, cheia de preconceitos de nossa parte que resmungamos por ver os pobres a lutar pela sua sobrevivência, estendendo a mão para um naco de pão sem bolor, nem outros indícios de imundície.
Portanto minhas senhoras e meus senhores parem de resmungar por nada e sejam mais humildes com os que nada possuem. Resmungar faz mal ao nosso humor, ficamos mais
susceptíveis e embirrentos e culpamos todo o mundo com o que se passa connosco. Esta peça de vestuário não me serve ao invés de pedir outra peça porque hei-de eu resmungar com a pobre da empregada que não sabe em que buraco se pôr de tão envergonhada que a deixámos. Há de tudo para todos e mesmo assim resmungamos
só o pobre não tem tempo para isso, façam-me um favor e prestem-lhe mais atenção.

Jorge Humberto
18/07/10

domingo, 18 de julho de 2010


SOU NOS OUTROS


Se me penso a quem me julgo?
A mim naturalmente
pois só eu posso pensar por mim.

O que penso é reflectido no meu
dia-a-dia
no partilhar a minha vida com os outros.

Não posso desassociar as outras
pessoas
no meu acto de pensar e reflectir.

Interactivo e predominantemente
activo com os demais
nasce o pensamento bem fundeado.

Humilde o quanto baste não faço
do meu pensamento
meu senhor nem do sonho meu mestre.

Jorge Humberto
17/07/10

NOS BRAÇOS DO RIO

Roubei-te um beijo com leve sabor a maresia. Meus lábios salgados
encontraram os teus e eu não resisti à irresistível sede de te beijar
cabelos
esvoaçantes ao vento da tarde solarenga com o rio a emitir seus traços
de prata nas ondas cavalo com espuma feita de galgos esbeltos feitos
de platina.
O sol encontra-se no seu zénite e o calor é sufocante: caminhamos em
direcção ao rio e arregaçando o teu vestido descalçaste as chinelas
e mergulhaste os teus pés na frescura da água reflectindo o astro-rei
no cós de minhas calças, que logo despi para juntos encontrarmos a água.
Brincamos
como dois adolescentes no vigor das águas frescas e demos as mãos para
que o compromisso e a alegria fosse mais coesa e em conjunto nadássemos.
Por um acaso no nosso deslumbramento engolimos água à medida
que sorriamos e o sorriso com algum atrapalhamento pelos goles desmedidos
fez-nos engasgar e tossir para alívio de nossas gargantas.
Retirando o cabelo dos olhos pudemo-nos ver com clareza e o silêncio pairou
no ar por instantes, olhos brilhantes e pestanas como se com com rímel
nadamos um até ao outro e beijamo-nos longamente.
Subindo o pontão de madeira velha que logo rangeu ao nosso caminhar
demo-nos conta que o melhor seria apanhar um pouco de sol, para dar uma
corzinha à brancura de nossa pele. Deitamos uma toalha no chão e
espalhamos um pouco de bronzeador e assim ficamos juntos e em comunhão.

Jorge Humberto
17/05/10

sexta-feira, 16 de julho de 2010


O ESTUÁRIO DO RIO TEJO

Da janela de meu quarto para a rua
vejo os azuis a espraiarem-se em
águas frescas correndo livres para o
seu porto seguro. Velhos barcos
ensaiam a faina com mãos de sal
jogando redes às águas verdes azuis.
O Tejo é um santuário de peixes e de
aves migratórias, que sempre
regressam ao seu costumeiro poiso,
na orla do rio, onde abundam matas
e uma grande biodiversidade de
plantas e de animais sobretudo aves.
Estas maravilhas da natureza são
património mundial e todos devemos
estar cientes de sua importância
generalizada e comum para as gentes
da margem do rio. Os pescadores
têm apenas uma pequena margem
para o pescado e para pescar e as
redes são fiscalizadas pela polícia
marítima com toda a responsabilidade.
Temos de preservar o que é nosso
com orgulho e satisfação, por ver
nossas costas e afluentes a serem
protegidas devidamente. Garças
e outras aves vêm aqui nidificar temos
Açores e Gansos Patolas entre outros.
E quem passa de carro pela ponte
nova que atravessa o rio, é muito
bonito ver as aves em plena liberdade.
Todos temos de ter o bom senso que
estes habitats não são nossos mas de
todo o mundo e que a todo mundo
pertencem e nós vamos cuidar deles
com todo o carinho e perseverança.
Peixes vêm ao rio Tejo desovar e ter
as suas crias, portanto pescar só em
determinadas alturas e com pequenos
levantamentos das sanções sendo
tudo cuidado e preservado. Como é
bonito o rio Tejo e a sua fauna, é um
orgulho para todos nós portugueses.
As imensas ilhas pululam de vida e
assim devem continuar, para nosso
regozijo e sentido de honra maior.

Jorge Humberto
16/07/10

PRENÚNCIO DE AMOR



O amor tem de ser consentâneo com o que os dois esperam um do outro.
Amar tem de ser recíproco consentindo-se algumas nuances sempre de
acordo com as duas pessoas em causa. Embora dois elementos diferentes
o amor tem o condão de gerir as diferenças e de aumentar as concordâncias.
Pode haver desacordos mas estes devem ser esmiuçados até se chegar a uma
conclusão de acordo com o que é melhor para os dois apaixonados.
A flexibilidade e a renúncia de certos pontos têm de ser assumidas como o bem
pouco que lhes resta.
Amar é um estado de espírito uma ilusão que se vai construindo até se tornar
uma realidade factual. É ainda um estado de graça pelo qual as pessoas se
engrandecem e tornam-se maiores e mais esclarecidas, é um momento bonito
de se viver. Amar é partilha é estarmos na dor e na felicidade do outro como
se fossemos uma única pessoa. É saber escutar mesmo em silêncio pois os olhos
dizem muito e o silêncio fala através de gestos corporais e faciais.
Encontrar a alma gémea é a procura incessante de todos, alguém a quem passear
de mãos dadas com um sorriso largo nos lábios. Não se precisa dizer nada para
saber o que um quer e logo sua solicitação é atendida. Amar é estar no na alto de
uma montanha e gritar aos quatros ventos o quanto se ama a plenos pulmões.
Sentimento de pura entrega, o amor não suporta o diz-se que diz-se da inveja
que infelizmente reina em muitos que não sabem o que é uma entrega sem
barreiras, o amor supremo ama por debaixo da vaga e nunca morre, quanto
muito pode-se é trocar de interlocutores, mas o amor esse permanece à espera
de novos parceiros, que tudo fazem para mostrar o seu contentamento com
palavras ternas e apaixonadas, fazendo-nos sorrir muitas vezes ao acaso. Quem
ama norteia-se pelo bem-querer dos dois amantes, nascem os agrados e uma
surpresa é sempre recebida com o sorriso mais bonito da Terra. Correr pelos
jardins como duas crianças, andar de baloiço, mostrar o como somos falíveis
com um aceno de cabeça e a palavra «amo-te» para sossegar o nosso ego.
Não ama quem quer ama quem se predispõe em aceitar condições, que não
eram ao princípio do indivíduo em causa, é saber mudar para que haja uma
intuição única que nos faz saber uns dos outros estejamos longe ou perto da
pessoa amada. Ah, o amor, esse perfeito estado de alma pura.

Jorge Humberto
15/07/10

E POR FALAR DE AMOR

Quando se ama não há barreiras
e todo e qualquer conflito é
ultrapassado com o bem-querer
maior que nos sublima.
O amor aceita e concede forças
para ultrapassar quaisquer
dificuldades que normalmente
tendem aparecer e de outra forma
não teria a autenticidade que o
amor nos concede e põe à prova
o quanto nos dedicamos e
concedemos o futuro de nossa vida.
Amar é renunciar e provar «a» por «b»
que tudo tem resolução no amar o
próximo.
Devemos por isso olhar bem para
dentro de nós e perguntamo-nos
o quanto estamos dispostos a abdicar
para levar avante o nosso amor.
No amor não se pergunta nem duvida
concedesse e dispõe-se a ser flexível.
O mesmo para a compreensão, só
aceitando o outro como ele é se pode
avançar e alcançar o amor supremo.
Os defeitos são aceites com a mesma
normalidade com que se ama o
próximo e fazemos deles a nossa força.
Quanto mais se ama mais se concede
e aceita-se a fragilidade de quem tem
amor para dar e dividir. O amor é cego
mas não deixa de ver o que é melhor
para si e para o parceiro de comunhão.
Quanto mais reflicto mais me aproximo
da perfeição e do amor conjugal
partilhando dum mesmo sentido plural
e reflexivo com a minha parceira.
É da união e compreensão que nasce a
força inerente a quem ama, nunca a
desilusão se compadece e cria raízes.
No amor as dificuldades são feitas de
simplicidade e coerência nada
exemplifica má coordenação e falta de
empenho. O que é de um é do outro.

Jorge Humberto
13/07/10

ÉS A CHUVA AOS BORBOTÕES


És a chuva quando cais aos borbotões
és o sol quando nasce detrás do
horizonte, recém-nascido das nuvens
afastando o orvalho matinal e virginal.

Teu doce despertar cria em mim uma
corda de insónias que eu vou querer
perpetuar com sangue e nervos que
me conciliam e me perpetuam aqui.

Crias em mim uma volúpia crescente
que me faz contundente e arisco
por te ter junto a mim no presente
continuo e nada vulnerável ao

situacionista pensamento procedente
que nos faz amantes sem precedentes
nem preconceitos estabelecidos e
preconceituosos da estabilidade acintosa.

Jorge Humberto
12/07/10

POSSESSÃO


Falta às pessoas um pouco mais de humildade
dizerem ao que vão e o que querem. Habitam
em nós muitas máscaras possessivas e por demais
evidentes para que se possam subtrair por um
comportamento mais condigno e de acordo com o
ser humano falho e imperfeito. O supor que algo
de sobre-humano traz perfeição e que o tempo
tudo atenua e desculpa ou rectifica nossos erros
humanos faz de nós pessoas solitárias e prepotentes.
A riqueza está sempre do lado do mais popular ,
sendo que o braço torce sempre que há uma dissemelhança,
com o que é básico no homem e faz ponte, com o seu
bom senso primário e ordinário.
Sopram ventos de mudança, mas o Homem não está
preparado para a revelação de novos critérios de tão
fundamentalistas e convencionais que se tornaram.
Ao Homem exige-se ouvir e passar a palavra inteligente
e comprometedora ao seu receptor atencioso e
abrangente com a música mística do ressoar da voz.
Todo o mal reside a partir do momento em que o Homem
deixou de viver em comunidade e passar seus costumes
ancestrais, em que havia um respeitoso consentimento
pela sabedoria dos mais velhos, aos chamados anciões
guardas da palavra transcrita e honrosa.
Já não há jovens para escutarem os seus lideres culturais
de maneira que a palavra não progride crescendo livre e
sumptuosamente, morre à nascença prematuramente e
de forma dolorosa para toda a humanidade.
Cada vez se dá menos atenção à forma como se escreve,
quem faz da escrita sua obra e poeticamente falando
a poesia virou um traste em que se tem de pedir o obsequio
para escrever de forma digna e respeitosa, para com os
seus leitores. Mas os leitores têm a sua quota-parte de culpa
quando ao lerem detectam um erro e não o comunicam ao
seu autor. A internet virou uma bagunça e os erros são
costumeiros, entretendo-se as pessoas com as lindas formatações
que vêm sempre a par das poesias, estas são feitas para a
vista e muito menos para o seu consumo interno e intelectual.

Jorge Humberto
11/07/10


Qualquer coisa maior que a humildade de cada um
soa a luta sem crendice pelo meio que o homem é
mais que culto e que estátuas de ouro fundido.
Soa a falso todo o culto partindo do seu princípio
aglomerante e perverso que ele acarreta desde logo.
Enfim somos humanos perante a nossa fatalidade
e convenhamos que a arrogância faz parte dos que não
se incluem neste preceito malfadado e incoerente.
Porque se parte do princípio que o homem é feito
à imagem de Deus e tão só por isso é perfeito.
Não só por isso mas também por isso o homem é
pouco humilde como referi acima e alimenta um ego
maior que o seu defeito principal, a não tolerância
perante a diferença e a dissemelhança aguda
de cada um de nós diferentes e iguais na sua humanidade.

Jorge Humberto
10/07/10

CHAMPANHE ESTRAGADO COMO EU



Hoje abri uma garrafa de champanhe bem preservada
quando me dei conta que não tenho nada aqui
para comemorar. A minha vida vivo-a por
arrasto e com muito esforço alcanço os
meus fins, que principiam sempre por algum
lado, lado esse onde eu não me encontro
bastas vezes, sou o próprio reverso de mim
mesmo e não vale a pena as minhas justificativas
para merecer o ar que respiro….
por pressuposto sou um pária da sociedade
já que meus poemas morrem logo no seu inicio
e por mais que eu queira não levam pão à boca
de ninguém, quer chore de inanição, quer de outros
maltratos que uma criança não devia estar exposta…
grito sim eu grito, não me ouvem gritar a dor que
me vai no peito? O que é feito de vocês poetas e
escritores que se tornaram omissos pela palavra?
Crianças ranhosas esbugalham os olhos ao ver-me
não pronunciam palavra que o choro morreu-lhes
na garganta não acicatada… mas eu ínsito à revolta
vós que sois poetas têm obrigações, não vale a pena
escarrar na parede e ver a miséria sem fazer nada.
Contra o focinho da palavra minhas veias se expõem
minha garganta incha com a dor e o verso que ficou
atravessado na dita cuja que apresenta tons vermelhos
pelo esforço de gritar ao mundo que isto é um fratricídio
com o qual temos de lidar pés firmes na terra, somos
todos culpados e até o champanhe estava estragado.
Sou um vagabundo percorrendo as areias do deserto
minha voz não tem precursor e isto vai de mal a pior.
Masturbadores passivos sóis vós, que escrevem sobre o amor
sem o doar a ninguém, preferível ser transgressor e
acicatar tudo isto, desde o coto até ao membro decepado.
Dou-me conta que as pessoas não querem saber da fome
dessas crianças, limpando o ranho ao pulso, para parecerem
mais decentes, escreva-se um poema sobre o amor e é
garantia de que será lido, escreva-se uma prosa social e ninguém
quer saber do que lá vem escrito, nem se dão ao trabalho de abrir
o trabalho do poeta e escritor. Conto pelos dedos as pessoas
que abrem um poema social para o lerem com olhos de ver
e pronunciar-se acerca de… enquanto escrevo esta prosa
dezenas de crianças morreram sob nutridas e por falta de
medicamentos, que no primeiro mundo há aos montes.
Hoje abri uma garrafa de champanhe e não tenho nada para
comemorar, apenas chorar e me culpabilizar ante os factos.

Jorge Humberto
10/07/10

NÃO É MULHER COMO TU QUEM QUER

Quando passas por mim mulher
tuas fragrâncias são de água e de leite
e eu pensando passo porque ela quer
para meu conforto e deleite.

Não é mulher como tu quem quer
tem de ser pura como o azeite
que alumia uma noite qualquer
e espera de mim que eu a aceite.

Passas fogosa cetim bem acetinado
flor no cabelo bem aperaltado
que me seduz como sói seduzir.

Coras ao meu galanteio, pés descalços
vais para a fonte sem percalços
e brincas comigo só porque ousei sorrir.

Jorge Humberto
08/07/10

TRAVO AMARGO

Cigarro após cigarro travo o
fundo amargo do tabaco.

Cinzeiro cheio diz de minha
ânsia sem precedentes.

E o sabor do café morre
maduro no meu palato.

Por certo procuro algum
bem estar, que não vem.

Na rua as pessoas passam
indiferentes a tudo isto

e eu me conformo diante
do espelho obtuso.

Não é o que eu queria mas
é o que tenho e vejo-me

limitado ao sonho precoce
que nunca é como eu desejo.

Acendo outro cigarro e bebo
um gole de café frio entretanto.

Tento fazer um poema mas
as palavras fogem-me

e eu não consigo seguir seu
raciocínio lógico e prudente.

É certo que este calor que
resolveu aparecer

não veio fora de horas e eu
que detesto o cheiro do suor.

Sou prepotente quando
penso que isto só acontece a mim.

Mas eu não queria nem um único
cigarro, que me mata lentamente.

Sou sobrevivente e não deixo
meu destino por mãos alheias.

Vou-me embora a poesia já
disse o que queria.

Só eu não sei se disse o que
gostaria de ter dito.

Enfim eu não sou perfeito
terão de se haver com o que escrevi.

Jorge Humberto
08/07/10

INCOMPLETO

Por mais que a vida não me sorria
arranje pretextos para o meu mal
Sempre uma réstia de esperança
floresce como folhas húmidas.

Crescendo em mim está o amor de
minha amada minha musa de toda
a hora, nos silêncios ressarcidos
no focinho da palavra que não cala.

É a ela que vou buscar as forças de
que não disponho mas humildemente
me entrego ao seu cuidado como
quem não tem mais estrada para andar.

Estamos tão longe um do outro amor
mas o significado dessa palavra está
connosco a toda a hora e eu atravesso
o profundo oceano para estar contigo.

Se te dissesse que não tenho olhos para
mais ninguém essa seria a verdade a ser
conciliada com o cuidado que nutrimos
um pelo outro logo desde o seu inicio.

Pela alvorada vejo teus olhos cor de mel
e as minhas dores parecem desaparecer
num outro corpo meu paralelo a este que
me desafia a encarar a dor de frente.

Só tu és a minha luz, meu lampião que
ilumina até a rua mais escura, onde os
gatos costumam ser pardos e esquivos
roçando muros, trazendo a sombra consigo.

Meu amor o que eu sofro é demais para
um humano mas quando estou contigo
todas as flores crescem e sorriem como
nunca o sol teve a simpatia de sorrir para mim.

Sou teu com todos os defeitos inerentes
assim como aceito a nossa dicotomia
que nos faz dois em um na mestria
que o Universo há muito nos reservou.

Jorge Humberto
07/07/10

BANHANDO-TE NO MAR

Teus lábios salgados nos meus
deixam o leve toque da maresia
e as conchas se espraiam
pela a areia das dunas acima.

Teu doce mistério vem com as
ondas do mar, galgos de espuma
que correm por ti, como a leve
brisa da praia onde te encontras.

Algas vêm dar à praia em tons
verdes e depositam suas cores
no teu cabelo minha musa
escutando o som dos búzios.

Podes assim escutar as ondas do
mar longínquo, mas que está
perto de ti conquanto tu o chamas
à tua presença e adormeces na areia.

Teu corpo assim descansado e
exposto ao sol tem matizes de oiro
e eu sacudo a água do cabelo
e te beijo contigo adormecida.

Minha musa acorda sorrindo
e pede que o mar a banhe nua
bem assim como veio ao mundo
para lhe tomar providências.

Jorge Humberto
04/06/10

NOSSO AMOR AQUI

Acordo para a manhã com
o sol-posto nos olhos e tua
doce carícia nos meu lábios
doces pelo teu hálito fresco.

Estou sozinho na cama há
muito te levantaste e foste
porte à janela, ouvir o cantar
e o chilrear dos pássaros.

Lavo os olhos e levanto-me
e meus passos me conduzem
até ti dependurada na janela
granjeando o sol da manhã.

Dou-te um beijo de bom dia
e tu acedes carinhosamente
abraçando-me peito com peito
coração com o meu coração.

Debruço-me à janela contigo
e ficamos a apreciar o jardim
que cresce grandiosamente
no terreno cuidado por nós.

Sorrimos um para o outro
como se a vida nos quisesse
conceder o seu belo prazer
de estarmos vivos como a flor

que se agiganta ao sol matutino
e procura a graça do astro rei
para nosso deleite e entusiasmo
uma flor tão frágil faz-se forte.

Depois de respirarmos o ar puro
da manhã, com olhos de bem
despertar voltamos para dentro
e nos deitamos no aconchego

da cama e nos lençóis desleixados
fazemos amor enquanto o sol
entra pelo quarto adentro
iluminando nossos seres enamorados.

A manhã traz-nos recordações
de outros tempos e nós ficamos
a lembrar como é bom o presente
olvidando o passado que não volta.

Jorge Humberto
03/06/10

terça-feira, 6 de julho de 2010


DÓI-ME A DOR DE QUEM SOFRE


Dói-me as crianças sem futuro
dói-me as mães que não têm
leite para seus bebés
dói-me os maltratos cometidos
contra a macia infância das
crianças
dói-me a exploração desses
meninos e meninas obrigadas
a trabalhar de sol a sol
dói-me seu choro calado
para não se denunciarem dói-me.

Dói-me que espanquem mulheres
para mostrar um machismo irracional
dói-me que não sejam protegidas
e que sejam acossadas como
animais
dói-me as dores que elas suportam
e se calam num silêncio de medo
dói-me que vão à polícia e
que estes ainda as culpem como
oferecidas e provocadoras
quando o que querem é serem cuidadas.

Dói-me os animais abandonados
sem terem voz para pedir ajuda
dói-me que os vilipendiem
e que os assassinem em sacos
jogados ao rio mal acabam de nascer
dói-me que passem fome e que
andem na rua cheios de cicatrizes
de maus tratos impostos
por quem não tem condições
para ter um animal consigo
tal a brutalidade de seu ser ordinário.

Dói-me esta dor que é mais dor
no coração que no peito
dói-me não poder fazer nada
e sentir-me desleal para quem precisa
de carinho quando eu não posso doar
dói-me a carência e a droga
mais o álcool que se propaga
dói-me os políticos omissos
que querem o poder a todo custo
e não pensam no povo que sofre
as agruras do mau génio desta raça.

Dói-me tudo e sofro por antecipação.

Jorge Humberto
05/0710

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER



Quando um homem ama a uma mulher,
Não há no mundo outra, ou alguém,
A quem ele cobice um olhar sequer,
Senão a essa outra de mais ninguém.

Quando um homem ama a uma mulher,
Sabe o que quer e o que quer não sabe bem,
Ou se a noite vem, ou se o dia quer,
Se faz frio lá fora ou se dentro está alguém.

É um viver constantemente alternado,
É um bem querer, de querer bem,
E sente-se assim, como que apaixonado.

Doce rapazinho de bola na mão,
Enxugando lágrimas no colo de sua mãe,
E a perguntar-lhe das coisas do coração.


Jorge Humberto
(17:43/Abril/28/03)

PRESO NO MEU CORPO

Preso de movimentos
vejo meu corpo obsoleto
sem reacção nem ânimo
qualquer tipo de interacção.

Tenho o secreto desejo
que tudo ainda possa mudar
mas os indícios não são
favoráveis a essa mudança.

Sofro as dores no corpo
e não tenho nada que me
valha para mudar esta
situação assaz atroz.

Não dá para entender este
organismo que rejeita tudo
mesmo o que lhe é essencial
deixando-me quedo e mudo.

Não tenho mais onde recorrer
já esgotei todas as valias
e meu corpo ressente-se
de tão infame má sorte.

Perdi a alegria e nada me
contém na brusca revolta
de tudo o que se passa
e me deixa atónito de surpresa.

Acabou-se estou destinado
a sofrer as ânsias e as dores
que meu corpo em sofreguidão
sofre por arrasto sentido.

Melhor fora desaparecer
e acordar outro homem
que estivesse em sincronia
com meu organismo vil.

Estou só novamente
sem remédios para a minha
cura que não tem fim nem
principio só a ausência de nada.

Jorge Humberto
02/06/10