Jorge Humberto

Nascido, numa aldeia Portuguesa, dos arredores de Lisboa,
de nome, Santa-Iria-de-Azóia, Jorge Humberto, filho único,
cedo mostrou, toda a sua sensibilidade, para as artes e apurado
sentido estético.
Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois
trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto.
A poesia surgiu num processo natural, de sua evolução,
enquanto homem. E, a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão de eleição.
Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou, de raiz, 10 livros de poesia, trabalhando, actualmente, em mais 6, acumulando ainda
mais algumas boas centenas de folhas, com textos seus,
que esperam inertes, no fundo de três gavetas, a tão desejada e esperada edição, num país, onde apostar na cultura, é quase que crime, de lesa pátria.
Tendo participado em algumas antologias e e-books, tem alguns prémios, sendo o mais recente a Ordem de la Manzana,
prémio atribuído, na Argentina, aos poetas e escritores, destacados a cada ano.
A sua Ordem de la Manzana, data do ano, de 2009.
Sendo ainda de realçar, que Umberto Eco, também foi merecedor, de receber essa mesma Ordem, de la Manzana.
Do mais alto de mim fui poeta... insinuei-me ao homem...
E realizo-me a cada dia ser consciente de muitos.
Quis a lei que fosse Jorge e Humberto, por conjugação
De um facto, passados anos ainda me duvido...
Na orla do Tejo sou Lisboa... e no mar ao largo o que houver.
Eu não sei se escrevo o que penso se penso o que escrevo.
Tenho consciência que escrevo o que me dita a alma e que escrevo para os outros, como forma de lazer ou de pura reflexão.

Escrever é um acto de crescimento para o seu autor e é uma forma de valorizar a vida. Não sei porque escrevo mas sei porque devo escrever.

Menção Honrosa ao Poeta Jorge Humberto

Entrevista do poeta concedida ao grupo Amantes do Amor e da Amizade

Quem é Jorge Humberto?
R: Jorge Humberto sempre teve apetência para a arte,
através do desenho e da pintura. A meio a agruras da vida,
nunca deixou o amor pelo seu semelhante. Auto didata e perfeccionista,
sempre levou seu trabalho através da sabedoria e da humildade.

Em suas veias tem sangue poético hereditário ?
R: Não, sou o único poeta da família.

Como e quando você chegou até a poesia?
R: Cheguei à poesia quando estava num castelo em França,
e escrevi um poema, altas horas da noite, sobre a liberdade
que todo o Homem anseia.

Como surgiu sua primeira poesia e se ela foi feita em momento de emoção?
R: A resposta foi dada acima.

Qual o seu tema preferido ?
R: Não tenho um tema preferido, escrevo sobre tudo, mas como poeta,
que quer aliviar a solidão de muitos de meus leitores, tenho escrito de há tempos para cá, sobre o amor e reflexões e alguns poemas bucólicos.

É romântico ? Chora ao escrever?
R: Acho que sim, que sou romântico, mas os outros falarão disso melhor do que eu. Já chorei a escrever.

Qual sua religião?
R: Agnóstico


Um Ídolo?
R: Fernando Pessoa

Você lê muito? Qual seu autor preferido?
R: Leio todos os dias, quando me deito. Meu autor preferido é o que referi como ídolo.

Quais seus sonhos como poeta?
R:Ver meus poemas impressos em livros e que meus poemas
tragam algo de bom a quem me lê

Como e onde surgem suas inspirações?
R: Surgem naturalmente, através do que vejo, sinto e penso.


Você já escreveu algo que depois de divulgado tenha se arrependido?
R: Digamos que meu lado perfeccionista, já me levou a alterar alguns poemas originais. Mas depois de algumas poesias, em que lhes dei outro cunho, não achei por bem mexer, naquilo que nasce de nós, assim como nascem são meus versos, que divulgo.

Qual o filme que marcou você?
R:" Voando sobre um ninho de cucos/

Como é o amor para você?
R: O amor é dádiva, compreensão e um bem querer de um querer bem.


Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Prêmio conferido à Jorge Humberto em setembro de 2011

Cuidando dos Jardins

Cuidando dos Jardins
Jorge Humberto-2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

Poeta de Ouro mês de Novembro de 2011

domingo, 29 de agosto de 2010


O CRIME DO TRAIÇOEIRO

O traiçoeiro é tenebroso e mal intencionado, destila veneno por onde passa e não se pode contar com ele para nada. Anda de cabeça bem levantada e sorri para as pessoas, para as conquistar e ser mais fácil de as enganar. Tudo o que diz é mentira ou pressupostos, que os mais incautos não se dão conta, desse seu fingimento. É bem-falante e atrai as pessoas para a sua teia medonha, usando da esperteza e da inteligência, com a propósito e da maneira mais adequada a ele. O traiçoeiro não desiste enquanto não consegue alcançar os seus intentos, malévolos e infernais.

Caminha sempre com esquemas na cabeça, que servirão para tirar proveito, sempre que dele necessite. É uma pessoa como outra qualquer, veste-se bem e é aprumado (em demasia, diga-se). As suas roupas são garridas e usa colarinho, ao pescoço pesadas correntes de oiro e crucifixos. Tudo não passa de um engenho para atrair as suas vítimas ao logro engendrado de há muito. Não é indivíduo de confiança e quanto mais longe dele melhor, pois ele tem cola e reúne as pessoas à sua volta, com voz de falsete e gestos estimulados pela sua argúcia. Gestos falsos e praticados ao pormenor, diante do espelho, que o comove.

O traiçoeiro é um criminoso pungente, já que usa da boa vontade das pessoas, para alcançar os seus fins sombrios. Não lhe importa minimamente o mal que possa fazer a outrem, desde que alcance os seus objectivos, de há muito articulados e pensados. Actua pelas costas das pessoas, quando estas abrem espaços para ele entrar, o que não descura e aproveita, como uma maná dos deuses. Tem um prazer incomensurável sempre que atraiçoa alguém, tirando dividendos de sua acção obscura, para levar uma vida desregrada e sem palpitações. É mau e sem sentimentos para com os outros.

Aliás não tem sentimentos mas maldade que usa malevolamente a todo o instante, sempre que o momento é proveitoso para ele, aproveitando-se das pessoas sempre que estas baixam as suas guardas, ficando susceptíveis aos seus planos. Avalia as pessoas de baixo a cima, tentando descobrir alguma brecha, por onde possa entrar para garantir o sucesso de sua traição e ganhando com isso o seu quinhão que irá servir para as suas expensas. É um criminoso de alta patente e sabe o que faz, para conseguir o seu sustento, no dia-a-dia. Este traiçoeiro é um ladrão, por força das circunstâncias, e sente-se à vontade neste papel.

Todo o traiçoeiro é gatuno, pois rouba a identidade das pessoas, das quais ele faz uso e abuso. É como o hábito que faz o monge, a persistência na repetição de seus actos traiçoeiros faz dele um delinquente. Não profere uma única verdade e se faz uso de meias verdades, é sempre para seu benefício e prejuízo dos outros. Traiçoeiro é quem ou que tira proveito da boa fé das pessoas, sem que isso deixe de ostentar presunção, de sua parte. O traiçoeiro tem uso e propósitos específicos
empregando a afectação para lesar ou causar danos a outras pessoas. Nunca fiando de uma pessoa que fala pelas costas dos outros… eis o traiçoeiro.

Jorge Humberto
29/08/10

O AVARENTO

O avarento não gosta de pessoas, evita-as sempre que pode e acha que lhe devem alguma coisa. É somítico e agarrado às suas coisas e ao dinheiro, como se isso fosse o mais importante na vida, o que para ele assim é. É mesquinho e não divide nada com ninguém, forreta até mais não é carrancudo e nunca é prestável.
É antipático e caminha de nariz empinado, julgando ter o mundo nas mãos. Os bens materiais são o mais importante para si e está sempre actualizando o seu dinheiro. Suas conversas são sempre as mesmas, que a vida lhe cobra de mais e que lhe estão a roubar constantemente.

O avaro é forreta, nunca despende dinheiro com os amigos, quando estes se juntam para desfrutar um bom dia, num bar ou num restaurante, ficando à espera que sejam os outros a antecipar-se e a pagar as despesas. Isso em nada o incomoda, acha mesmo que é uma obrigação dos outros pagarem por aquilo que se serviu. Então não admira que tenha poucos amigos e conhecidos, que tudo fazem para o evitar, fazendo o possível para não o encontrar, para não ficarem expostos à avareza do dito cujo. A avareza é um defeito de personalidade mas que não é reconhecida como tal pelo sovina.

Nunca gasta mais do que o essencial, e às vezes nem isso, recuando nos gastos e regateando com tudo e com todos, por tudo e por nada. Põe-se de parte dos outros, quando o que implica é o dinheiro, ou emprestar qualquer coisa, a alguém. Somítico como não outro, passa a vida no Banco para ver o seu tesouro e garantir que está tudo em ordem. É lúgubre e mal intencionado, nunca tem uma palavra de apreço para com ninguém, e é mal-humorado. O seu mal humor afasta-o das pessoas, o que não o incomoda particularmente, pois está habituado a andar sozinho, com toda a arrogância do mundo.

Os poucos amigos do avarento, são-no por fidelidade que vem desde as primícias do tempo, em que o conheceram. Como são virtuosos desculpam o defeito do amigo, não deixando de o censurar sempre que a ocasião assim obriga. Mas em boa verdade o avarento não tem amigos, tem conhecidos e anda sempre sozinho, só o vendo acompanhado se for para ganhar alguma coisa com isso, tirando proveito dos outros. Quando a questão é dinheiro é agarrado e discute arduamente e convictamente, daquilo que conhece, por força de seu carácter mesquinho. O Avarento é aquele que é apegado a bens materiais e ao dinheiro.

O avarento entra em discussões sistemáticas, quando se trata de defender o seu dinheiro, achando que os outros é que são agarrados e desvirtuam a sua índole. Não é muito próximo afectivamente de ninguém e as suas relações são parcas e interesseiras. Regozija-se e manifesta-se feliz secretamente (ou não) com o mal de outrem, não importando a quem. É traiçoeiro e sorri de soslaio da vida dos outros.
Nunca olha olhos nos olhos e vira costas às pessoas, quando estas deixam de ter importância, para com os seus interesses somíticos. O avarento gosta de sua aparência pró riquismo e ornamenta-se dos mais variados objectos, é simulado.

Jorge Humberto
28/08/10

NÃO MAIS, NÃO MAIS

Não mais, não mais
essa vida de indigente
maltrapilho que não tinha mão
na sua vida,
e que não se comprometia com nada.

Não mais é o tudo que digo
para afirmar minha certeza
em conluio comigo próprio
e com minha alma
corrompida pelo algoz da seringa.

Não mais, não mais
essa enfermidade a corroer-me
por dentro e por fora
compenetrada no seu prazer
momentâneo e efémero na sua consistência.

Hoje sou livre
e não mais perderei a liberdade
que consegui com muita dor
e sofrimento
mas de olhos postos no horizonte ao largo.

Jorge Humberto
27/08/10

NO ACTO DE ESCREVER

Escrever é um acto solitário
só quem escreve sabe dessa solidão
mas consoante os versos vão
surgindo, o poeta sente-se mais completo
e em comunhão com a sua musa.

Pode ser um acto reflectido
como uma inspiração vinda do nada
sem que se pense no seu conteúdo
ou figurino, as palavras vão correndo pela
folha como galgos de espuma.

No mar que o poema transcende
o azul vai nos azuis
e o céu comunga a transcendência
que o poeta emprega
em cada versículo por ele transportado.

Cavalos loucos percorrem o peito do
poeta indo beber da pura água nas suas margens
e o poema saltita de um lado para o outro
feito bola nas mãos de uma criança
que tem o tamanho do mundo.

Barcos fazem-se ao rio
composto de letras insondáveis
e o poeta pode descansar na sua orla
quando o vate dá por terminada a sua
criação, com a felicidade nos bolsos.

Jorge Humberto
27/08/10


A FIDELIDADE E O SER-SE FIEL


A fidelidade é o prenúncio para se fazer alguma coisa de concreto, com toda a confiança e à vontade. É acreditar no outro até ao fim, dando-lhe todas as expectativas para concretizar o seu trabalho. A fidelidade entre um casal é o máximo do bem-querer, querer bem. Quem é fiel anda com a verdade na boca e não precisa de esconder nada nem omitir. A esperança firme num objectivo, quando coadjuvado pelo outro, é a fidelidade em pessoa. Ser-se fiel é ser-se para o outro, o que queremos para nós próprios. A fidelidade é a fé que se deposita no outro, com toda a familiaridade.

Ser-se fiel nos propósitos é concretizá-los, para nosso bem e para bem de outro alguém. Fidelidade é transformar um sonho em realidade, sendo fiel aos seus princípios. Ser-se fiel é a conformidade da ideia com o objecto, do dito com o feito, do discurso com a realidade. Ser-se fiel é ser-se verdadeiro, nunca traindo a confiança que outro alguém depositou em nós. Fidelidade é a expressão máxima de um princípio, donde se baseia a confiança entre as pessoas, que fazem parte de uma comunidade. Ser-se fiel é ser-se auspicioso e atrevido nos seus actos, pois sabe que está fazendo o bem, em prol de si e dos demais.

A fidelidade é a coragem proveniente da convicção no próprio valor. A fidelidade é a fé que se deposita em alguém, até ao extremo da nossa essência. A fidelidade é a realidade transformada em algo de concreto, valorizando-se e valorizando o outro. A fidelidade é o acreditar nas pessoas, nos povos e nas nações, tudo fazendo para que a verdade supere as diferenças existentes. A fidelidade consegue ultrapassar quaisquer dificuldades, pois acredita em si e nos outros e tem veracidade. Quem é fiel não se esconde, pois não tem nada a omitir ou ocultar, para que outrem não ache.

Ser-se fiel é ser-se crente nas suas acções, que são dirigidas a outra ou a outras pessoas, com veracidade. Fidelidade é a exactidão das palavras, que proferimos com toda a coerência, existente em nós. A fidelidade é contrária à mentira, e à sustentável leveza do ser. A fidelidade não admite desconfiança, mas uma firme presença de espírito, que leva à verdade. Ser-se fiel é ser-se autónomo, pois que as outras pessoas têm noção de nossa certeza, que se exprime com clareza. Reina a fidelidade entre um casal ou entre pessoas, quando esta se abstém do seu subjectivismo. Ser-se fiel é lidar com a realidade como ela se apresenta ante nós.

A fidelidade é inerente ao amor e não aceita promiscuidades nem desordens, que
atrapalhem a vida das pessoas. A fidelidade é circunspecta e avalia todas as situações, antes de se posicionar. A fidelidade é moderada e séria nos seus objectivos. Usa de prudência para se sintonizar com a companheira, elevando-a aos píncaros das mais altas montanhas. Às vezes tem dúvidas, o que é normal, mas é conversando que tudo se acerta e a fidelidade assume o seu papel de moderadora, de acções e gestos, que se querem verazes. Ser-se fiel é conjugar dois factores: o bem e o mal, com o bem a sobressair perante o infiel.

Jorge Humberto
26/08/10

O MOLICEIRO


Lá onde o sol rebrilha mais forte
as águas se acalmam e fluem naturalmente
dirigindo-se para a foz
onde as esperam os barcos Moliceiros.

Prenhes as tábuas molhadas
aguardam que vão descarregar os sargaços
para que os Moliceiros
encetem nova viagem para recolher o moliço.

Na ria de Aveiro o adubo de
limos, algas e sargaços, são um constante
vai e vem de barcos Moliceiros
que limpam a ria com suas redes de arrasto.

Hoje mais utilizados
para fins turísticos os Moliceiros encantam
quem por lá passa e os poucos homens
e embarcações ainda recolhem o sargaço.

O passado se conjuga com o presente
mas a ria continua a ser limpa
para que as águas retenham as águas límpidas
e o povo se possa orgulhar dela com todo o seu carisma.

Jorge Humberto
25/08/10

A POESIA


A poesia é o total desprendimento da alma, com o pensamento como pano de fundo. A emoção toma conta do poeta, que deixa transcorrer o que lhe vai no coração, como uma fonte de águas límpidas. Basta fechar os olhos para que as imagens surjam num corrupio de comoções e de sonhos acordados. Para o poeta a poesia tanto pode usar regras como não fazer uso delas para nada, o que interessa são os sentimentos e o que o comporta. Seduz-se a si mesmo e põe essa sedução no papel, com sofrimento ou alegria. A poesia não tem raça, crença ou cor, é o mesmo sangue que corre nas veias de um qualquer poeta.

Também não tem nacionalidade a poesia é de todos e de ninguém. A partir do momento em que a poesia nasce e se recria, esta deixa de ser pessoal, para ser inter-racial. A poesia surge do nada com a intenção de levar a palavra mais além,
para novos mundos, novos povos, que sustentam várias culturas e modos de vida.
A poesia sai do ventre materno para se manifestar em todo o seu esplendor, causando sensações, emoções e ilusões, que vão muito para lá do racional. A poesia sobressai da pena do poeta, como o vidreiro transforma em arte o vidro que sopra. É alimento de deuses e de princesas resgatadas.

A poesia é os olhos da alma cresce em cada verso, como se fora um coração a bater compassadamente. A poesia não tem pressa, surge naturalmente, mas tem sempre por perto o assentimento do pensamento, que germina subtilmente, dentro do poeta. A poesia principia a surgir no horizonte, desde logo que o poeta se começa a formar, vindo do nada e indo para o tudo. A poesia é maior que o Homem, chegando a vulgarizá-lo e à sua essência primária. As reacções são prontas e o entusiasmo toma conta do poeta, desde as suas primícias. Nas várias variações da poesia estas sempre se apresentam como poesia em si.

A poesia pode evidenciar momentos de prazer, conforme vai sendo construída e alicerçada nos seus parâmetros principais, que são a ideia de qualquer coisa, transportada do interior, para o exterior. A poesia não tem limites e tanto pode ter extensão como ser de forma reduzida, ou minimalista. A poesia é a palavra que tem significado contrário ao de outra que de alguma maneira se opõe. A poesia é um somatório de significações tendo um sentido absoluto na sua relação,
com aquilo que observa sumptuosamente. A poesia tanto pode ser pomposa e faustosa, como não conter grandes aparatos, sendo o mais simples possível.

Não é rica nem pobre a poesia valoriza-se a si mesmo, quanto maior for a sua qualidade artística. De poesia é feito o presente e se relança no futuro com a preceito, com predominações que prevalecem consoante o conhecimento desse futuro. Realça o humanismo e a liberdade dos povos, é humilde ou sarcástica, pode ser romântica e gracejar, jogando com as palavras. A poesia é a base que dá acesso à intervenção política ou religiosa, que mitiga a fome e dá voz a quem não a tem. A linguagem poética deve ser a mais esclarecedora possível, chegando ao alcance de todos. A poesia é a expressão máxima dos homens desde sempre.

Jorge Humberto
25/08/10

AINDA A VERDADE

A verdade acima de qualquer suspeita, crença, raça ou política. A verdade deve sustentar as nossas vidas, como um bem maior a preservar e a encarar. Devemos ser verdadeiros em cada gesto que façamos, em cada atitude tomada, tendo em conta que não vivemos sozinhos e a falta de verdade implica outras pessoas, que fazem parte do nosso dia-a-dia. A verdade nunca deve ser omissa e as meias verdades são um fulcro de omissão, ponderada e emitida. Devemos ser verdadeiros em tudo o que façamos, para com as pessoas e as instituições. A falta de verdade, por conveniência ou estado primário leva a consequências fatais.

A verdade deve fazer parte de nossas vidas, assim como respiramos, e devemos sentir-nos elevados por compartilhar essa verdade, com os nos amigos, conhecidos ou vizinhos. A verdade deve ser ponderada antes de emitir uma opinião, caso contrário podemos incorrer no erro de nos enganarmos e aos outros, que connosco convivem. A verdade é disseminadora e esparge a sua centelha, por onde quer que se passe, deixando atrás de si, o bem-estar e o bem-querer. É o fulgor que se manifesta e traz a paz consigo, entre os povos. A verdade deve ser um bem adquirido e não se deve fugir de sua trajectória.

Quem convive com a verdade na boca é um ser feliz e que respira confiança, por todos os lados. A verdade é sinónimo de liberdade e de democracia, sustenta-se por meio de orientação, que as pessoas lhe conferem, e assim é correcta e afirmativa. A verdade dos povos é a sua autodeterminação, a verdade aqui deve ser flexível e democrata, até aos últimos itens. Falar verdade é construir um mundo melhor à sua volta, com todas as iniciativas a se prolongarem, até à última réstia do que ela nos tem para oferecer. É um bem comum que deve ser vivenciada, por todos os seres humanos.

A verdade não deve ser de meias palavras, ela é inteira e completa e não pode incorrer no erro, de se suavizar a sua dialéctica. Se não se for pelo caminho da verdade estamos a dizimar e a apelar para que a mentira entre nas nossas vidas.
Isso não pode acontecer de forma alguma, num estado de direito e numa civilização avançada, ou que se tem por tal. A verdade traz-nos sabedoria e bom senso, devemos lutar por ela até às nossas últimas forças. A verdade é a conformidade da ideia com o “objecto”, do dito com o feito, do discurso com a realidade. É um axioma e um princípio certo.

A verdade é um princípio básico, que se deve ensinar nas escolas às crianças, com o intuito de as fazer adultas de boa-fé. A verdade não deve ter segredos insondáveis, deve ser a mais esclarecida possível, ante as dúvidas, aqui e ali, levantadas, como é normal numa pessoa. A verdade deve ser constante sem algozes nem correntes, que a prendam à sua própria realidade. A verdade é um predicado que devemos auferir com a maior das naturalidades e das tranquilidades, assim como das responsabilidades. É a expressão máxima da sociabilização e da liberdade intrínseca.

Jorge Humberto
24/08/10

A INCOERÊNCIA E O INCOERENTE

A incoerência de gestos e de palavras pode levar a discrepâncias de monta. A incoerência é contraditória e inconsequente, não deve ser levada em conta. A pessoa incoerente não sabe o que quer e é mal informada e dissonante. É desconexa e não sabe diferenciar a verdade da mentira, pois é atrapalhada e não se sabe exprimir e tem falta de nexo. Está em inconformidade entre factos e ideias. No entanto a pessoa incoerente muitas das vezes nem se dá conta dessa desconexão e mistura tudo no mesmo saco, para ela está a expressar-se correctamente e de maneira inteligível.

A incoerência é má informação e atrapalha o incoerente, que é visado pelas outras pessoas, com cenho carregado. Indagar o incoerente é indagar o vazio. Mas a pessoa incoerente acredita piamente no que diz, mesmo que seja fundado no boato. O incoerente é de ideias fixas e apesar de às vezes se aperceber de sua incoerência ninguém fala tanto a verdade como ele próprio. É falho de memória e não gosta de ser corrigido, tomando tal como ofensivo e achando estúpido que o queiram emendar. Acha que o estão a censurar e a reprimir, o que não deixa de ser verdade, pois ninguém se sustenta com a incoerência.

A incoerência desdramatiza o seu estado de incoerência, com um olhar de soslaio.
Para ela os outros é que são dissonantes e prestam maus esclarecimentos, quando indagados. Fala com um à vontade que assusta, não se apercebendo de seu estado incoerente, enquanto se comunica com as outras pessoas. A incoerência compensa o seu erro, com o erro dos outros. E sorri ao que considera estupidez, com um sorriso malévolo (ou para ser mais brando, traquinas). A incoerência é a total falta de bom senso, pois mesmo que censurada, por estar a incorrer em erro, os outros é que estão sempre sem a razão consigo.

O incoerente mente e engana sem propósito de tal, é a sua verdade e dela não abdica. Entretanto alguns gostam que os chamem à atenção e lhes digam que estão a ser incoerentes nas suas palavras, emendando a mão e aprendendo com isso. Mas muitos levam a sério a crítica como um mal entendido da parte dos outros. Por tal o incoerente é visto com maus olhos pelas outras pessoas, pois a incoerência não admite erros e leva as pessoas à inconsequência dos actos, por serem mal informadas. A incoerência pode ser conforme à mentira, pois o incoerente não destrinça a verdade da inverdade.

O incoerente não é nada esclarecido e retêm pouca informação fidedigna, ficando-se pelo que ouve sem pedir esclarecimentos. É desatento e cabeça no ar,
levando a vida como uma brincadeira de mau gosto, diga-se em abono da verdade. Faz da vida uma ilusão irrisória e tropeça nos seus próprios erros, tocando as mãos pelos pés. O incoerente é obscuro e duvidoso quando não torna claro a informação que proporciona aos outros. A incoerência revalida o que diz com uma firmeza incontornável, para ela a sua veemência é óbvia e esclarecedora, não havendo espaço para dúvidas, quanto ao que diz.

Jorge Humberto
23/08/10

VIDA DE EMIGRANTE


O emigrante parte deixando para trás tudo, a terra que o viu nascer, a noiva, a esposa e os filhos, em busca de uma estabilidade emocional e monetária, que não consegue na sua pátria mãe. É um duro golpe para quem procura um sonho, à custa de muito trabalho. Logo que no estrangeiro o emigrante é descriminado e dão-lhe os piores dos empregos, aqueles empregos em que os indígenas do respectivos países, não pegam. Ele sujeita-se a tudo, às más condições de trabalho e aos maus tratos dos patrões, que caem sobre ele como abutres exploradores. O emigrante resigna-se e faz das tripas coração, para alcançar o seu sonho.

O sonho é uma vida melhor no seu país, com casa montada, carro e outros benefícios, porque tanto lutaram uma vida inteira. O emigrante vive com as suas parcas coisas, para poder enviar o dinheiro para o país, que deixou para trás, com lágrimas nos olhos e um nó na garganta. A partir desse dia, o dia em que parte, toda a responsabilidade é dele e ele não descura essa responsabilidade, é o homem da família, que longe dependem dele e do dinheiro, que envia. O emigrante vive em contentores, sem higiene nem condições próprias, para alguém que queira fazer uma vida, melhor da que tinha, no seu país de origem.

Trabalha de sol a sol, com cenho pesado mas no fundo acalentando o seu sonho. É isso que o move e faz ultrapassar todas as dificuldades, que um emigrante encontra, no país que o acolheu. Desde logo a língua, que desconhece, e que lhe traz imensas objecções, para se poder exprimir e fazer-se entender. Os contentores mercantis, de ferro forrado, não apresentam as mínimas das condições necessárias para se viver, ora está frio ora está calor, depende do clima e isso não é vida para ninguém. Mas o emigrante a tudo enfrenta, de peito aberto
e muita fé no coração, enviando sistematicamente dinheiro, para a sua Terra.

Adapta-se a todas as circunstâncias e faz por ignorar a crítica, que vem das mais altas instâncias ou do simples capataz. Nessa hora pensa na família e no seu bem-estar futuro, matando as saudades através de cartas escritas pelo seu punho, onde dá conta só do melhor, omitindo as peripécias, porque passa. Se ainda não é casado, escreve lindas cartas de amor à sua prometida, cartas românticas, que servem para namorar à distância, continuando a alimentar o amor, entre o casal.
E é assim que mitiga as saudades e mantém o sonho desperto, de uma vida melhor entre os seus, regressando à sua pátria querida.

Antes do regresso à terrinha, e passado alguns anos, o emigrante pode chamar a família para junto dele, lá na estranja e aí fazerem a sua vida em conjunto e com ânimo maior. Alguns passam vinte a trinta anos emigrados mas a nostalgia é maior e acabam por regressar ao seu país, já com casa própria, carro e outras regalias, pois muitos se aposentam antes de tornar ao ponto de partida, na sua almejada aldeia. Aí gozam dos privilégios de uma vida dura e sofrida, e alguns montam os seus próprios comércios, para estarem ocupados. São pessoas felizes pois valorizam o que têm, tudo à custa de muito trabalho, em Terras estranhas e desconhecidas.

Jorge Humberto
22/08/10

O CANTO DO PÁSSARO

Como pássaro voo por cima
do verde das árvores e dos
jardins incrustados das mais
belas flores, que sói ver-se
nesta tarde de sol radioso.

Pouso num galho vibrante e
canto mil canções de sonhar
que trazem amor aos corações
dos enamorados, que se
beijam, bem abaixo de mim.

Deixando-os no silêncio, que
fala mais que miles de palavras
alço voo e dirijo-me ao rio
para matar a sede deste dia
quente e volto a partir nos azuis.

Jorge Humberto
21/08/10

sábado, 21 de agosto de 2010


O REGRESSO DO NAZISMO


Como foi possível, a uma nação com mais de oitenta milhões, de pessoas, acreditassem cegamente, nas palavras de um só indivíduo, com toda a sua demagogia e tirania? Um veterano da primeira guerra mundial? Pois assim foi e os Nazis subiram ao poder, com Hitler a tornar-se Chanceler da Alemanha. Logo que no poder invadiu a Polónia, a Checoslováquia, Áustria, França, Finlândia, declarando guerra à Inglaterra, que devastou com raides aéreos e bombas de longo alcance. De seguida declarou guerra aos Estados Unidos da América e invadiu a Rússia, sem sucesso.

Chegou o dia «D», nas praias da Normandia e os Aliados venceram a guerra, invadindo a Alemanha, destruindo-a e levando o povo alemão à miséria e à desgraça. Os planos anti-semitistas de Hitler, consistiam em acabar com os Judeus, Ciganos e Homossexuais, todos os que não fossem da raça Ariana, eram deportados para campos de concentração, onde foram assassinados aos milhões.
Com Berlim invadida e a guerra perdida, cobardemente suicidou-se e à sua amante, que na altura já era sua mulher, visto que casaram antes do suicídio. Apesar de tudo é aterrador como ainda haja quem defenda a causa Nazi.

Sim em pleno século XXI ainda há (e cada vez mais) grupos terroristas pró Nazis.
Jovens delinquentes que têm as suas vidas normais e que nos seus tempos livres se dedicam ao culto do nazismo, com as casas forradas com bandeiras, com a cruz suástica, fotografias do Fuer e livros anti-semitistas. Negam o Holocausto e vão a concertos de música, patrocinados por eles, onde se embriagam e cantam canções com letras agressivas de encontro aos judeus e todos os que foram deportados para campos de concentração. O que mete mais receio é que isto é uma onda que se propaga até chegar aos políticos.

Grupos de extrema-direita, têm assento nos governos dos seus países, e fomentam a violência contra os que não são da raça Ariana, os de raça pura. Como se pode consentir isto em pleno século XXI e que haja quem defenda a causa Nazi e fomente a irascibilidade contra este povo que tanto sofreu, como foi o caso dos Judeus, que, ainda hoje, sofrem de estigmatização e perseguição. Alguma coisa não está bem, viver em democracia implica que se erradique tudo o que vá de encontro a essa democracia, sem apelo nem agravo. Isso não é inquisição, mas sim o salvaguardar dos direitos democráticos.

Eles andam aí, nos governos, nas autarquias, nos colégios e nos empregos, sem que nada se faça, como se fez, por exemplo, com o Ku Klux Klan, acabando de vez com estas heresias, preconceitos e xenofobismo. Que é o que está a acontecer em França, com o expatriar dos Ciganos, para a Roménia, num acto de pura limpeza racial. Temos de ter muita atenção e não deixar que estas coisas aconteçam, se queremos viver em democracia, com toda a estabilidade que ela acarreta. Sabemos que há muitos que negam o Holocausto, o que temos é de estar espertos, contra estes grupos Nazis, que invadem a sociedade e os estados.

Jorge Humberto
21/08/10

A LEI DOS POLÍTICOS


Numa sociedade descaracterizada reina o medo, a omissão e a pobreza, em prol da democracia e da palavra. O medo de não se ter emprego ou de o perder, em nome da tecnocracia e de sistemas falhados. A omissão que cala perante os gigantes das industrias, que encerram fábricas e enviam para o desemprego milhares de pessoas. E por fim a pobreza, resumo de tudo isto, onde a democracia é vilipendiada e vendida à senhora burocracia. A palavra dá lugar ao silêncio e à resignação, é de bom senso as pessoas calarem, para não serem estigmatizadas e despedidas, dos seus trabalhos.

A autocracia impera, em nome de países livres onde os governos se preocupam com os seus cidadãos e concidadãos. Vivemos num mundo globalizado onde os senhores todos poderosos deixam de fazer cedências aos países mais pobres e desgarrados. Tudo é vendido a preço de ouro, as amizades são fruto do dinheiro e a Europa vive num caos, de falências e bancas rotas, um pouco por todo o lado. O petróleo é dono e senhor das nações, que não passam de regiões de terceiro mundo. As Nações Unidas perderam todo o seu poder de afirmação, transformando-se num bando de engravatados, posando para a fotografia.

Países invadem países passando por cima da auto afirmação e as pátrias não passam de aglomerados de tendas de campanha, onde impera a fome e os maus tratos, levando à prisão muitos dos seus líderes que pedem asilo político em troca de interesses e de dinheiro. Os defensores da liberdade são mortos em plena luz do dia, com tudo a ser registrado pelas televisões e pelos jornalistas, que arriscam as suas vidas em nome da informação. Por outro lado, para desmentir, todos estes desmandos, existe a contra informação, numa rede bem montada, para fazer valer os seus proveitos.

Tira-se o poder de compra às pessoas, para tapar falências de bancos e de empresas de renome, associadas a industriais com interesses políticos e sócio económicos. A justiça não funciona deixando que os tentáculos do polvo se apoderem de tudo, à sua volta, fazendo prevalecer a riqueza em nome de uma pobreza disfarçada e escondida, dos olhares mais atentos. Os poderes instaurados à força dos autocratas, não descuram o associativismo, que lhes garanta lucros imediatos, que enviam para bancos Suíços, onde impera o secretismo de má reputação. Bancos esses que ficam a dever muito aos tiranos, deste mundo.

A liberdade de expressão está amarrada a simpatias que auferem de associativismos que despertam o interesse e a curiosidade de políticos de renome
que tiram proveito dos partidos a que estão associados, para terem acesso a jornais e periódicos, como bem lhes aprouver. A censura impera e é rasurado o que não convém ao esclarecimento do povo, que compra e lê essa impressa, sensacionalista. A política anda de mãos dadas com a impressa, que lhe dá garantias de sucesso, para outros voos mais altos, dentro dos partidos políticos.
Este mundo soa a falso e age como tal, é preciso agir com firmeza.

Jorge Humberto
20/08/10

quinta-feira, 19 de agosto de 2010


A INOCÊNCIA E OU A JUSTIÇA

Toda a pessoa é inocente até prova em contrário. Este é um pressuposto que se deve levar muito a sério, para não se cometerem injustiças de maior. Quantas pessoas inocentes não estão presas neste momento, pelo mundo afora, sem terem como provar a sua inocência, por causa de burocracias e de maus advogados e juízes? A inocência deve ter o mesmo peso na balança para todos, sem desequilíbrios nem injustiças. O inocente é aquele que não tem culpa formada e goza de plena liberdade. O inocente é cândido, puro e imaculado, até que se prove o contrário.

A inocência goza de plenos direitos, que não devem ser ultrapassados de maneira nenhuma. A inocência é cega pois concebe direitos iguais para todos. Deve-se ilibar e não incriminar pessoas por pressupostos mal identificados e julgados. Quando há uma dúvida o inocente deve ser preservado de injustiças e o seu caso deve ser julgado em liberdade, apresentando-se às autoridades periodicamente, provando assim que não tem nada a esconder e é cooperativista. Já houve muitos casos de pessoas que cumpriram penas de prisão, estando inocentes, como se paga uma liberdade roubada injustamente?

Deve-se rever o sistema presidiário com urgência, para não se cometerem erros de maior monta. Todos nascemos inocentes, livres e com direitos e deveres iguais.
A inocência é tanto maior como o pretexto que a julga. A inocência deve ser igual para todos e qualquer um, sem se fazer descriminações, de raças ou de credos. Mas o que se vê na nossa justiça é pessoas a serem julgadas, como criminosas, por causa daquilo em que acreditam inocentemente e por direito próprio. O inocente só é culpado quando as provas abonatórias são contraditórias e falsas. Quando assim é o até então inocente, deve ser julgado e culpabilizado.

Nunca antes pois até se chegar aí a pessoa deve usufruir de plena liberdade, um direito que lhe assiste inteiramente e por completo. O inocente vai na vida tranquilo, mas tem de ter cuidado com as suas acções, não vá ser preterido por casos infames, cometidos por outrem. A inocência é um estado de graça, que todas as pessoas devem gozar, na sua plenitude, devendo estar cientes que o que fazem é usado contra si, sem apelo nem agravo. Infelizmente esta é a sociedade em que vivemos, onde as pessoas passam a vida a olhar por cima do ombro, com medo de ultrapassar os seus limites, direitos e deveres.

A inocência é a qualidade ou estado de inocente, perante os outros. Ignorância do mal, pureza, simplicidade, ingenuidade e Isenção de culpa. A inocência deve andar de cabeça bem levantada, comprometida com a vida em toda a sua generosidade e honestidade. O inocente é disciplinado e sabe sempre até onde pode ir, na sua demanda pela verdade. A inocência é superlativa e tem boa conduta, que faz questão de demonstrar em cada gesto assumido. O dom da inocência é a sua rectidão, para com a justiça. Não se esconde mas anda precavida contra injustiças que poderão surgir quando menos se espera, sem que haja culpa do indivíduo em causa.

Jorge Humberto
19/08/10

DO TEU AMOR

Tua constância em mim
é a alegria em pessoa,
o suporte que sustenta
os alicerces desta relação.

Desde o primeiro dia que
sabia que serias minha,
pois estavam gravadas nas
estrelas, o teu bom nome.

Erros eu cometi, não te
soube dignificar, mas no
fim prevaleceu o amor
que, juntos, elevamos.

Hoje mais prudente, graças
a ti, estou deveras ciente de
mim e muito mais maduro
enquanto ser humano.

Nasceu em nós a semente
que perdura na terra e irá
brotar (certo o momento),
na flor mais bela das flores.

Nós seremos o jardim onde
ela há-de desabrochar criar
raízes, que buscarão o sol
dos sóis, quando o dia nascer.

Jorge Humberto
18/08/10

A CRIANÇA QUE HÁ EM NÓS

A criança que há em nós é nua e crua e anda sempre de mãos dadas connosco, para onde quer que vamos, de sorriso nos lábios e traquinice no pensamento. É humilde e generosa e gosta de brincar com os nossos sonhos. Faz-nos mais humanos e faz sobressair em nós o melhor que temos para dar a nós próprios e aos outros. É feliz e tem sempre resposta na ponta da língua, dita com graça e um certo espanto, que se reflecte no rosto, limpo e puro. A criança que há em nós toma-nos de cuidados e é atenta às coisas mais pequenas desta vida, o que nos faz seres conscientes de outros seres.

Gosta de ver a felicidade estampada na face das outras pessoas, o que a comove e motiva seu ser transparente. A criança que há em nós é flexível e pondera sempre antes de falar. É brincalhona e faz sorrir os outros, com a melhor das disposições e bem-estar. Nunca ofende e é honesta até ao âmago de seu ser pequenino, mas transcendente. Gosta de ajudar os outros sem que lhe peçam e é interveniente e nada omissa. Não gosta de ver discussões e faz-lhe mal ver quando as pessoas se zangam umas com as outras, sem que ela perceba a razão para tais atitudes. É apaziguadora e fala da paz entre os povos.

A criança que há em nós é perseverante e luta com todas as forças que possui para alcançar o que para ela é o mais desejável e importante. É persistente e nunca deixa nada para depois, pois o dia é hoje e é no hoje que resolve as questões pendentes. Por onde passa é cumprimentada por todos com entusiasmo reforçado e escuta dos outros palavras incentivadoras, o que lhe promove um sorriso a toda a largura de seus lábios. E caminha segura e assobia contente da vida, canções de encantar. A criança que há em nós nunca nos deixa sós e está sempre acompanhada de boa companhia, para onde quer que vá e esteja com quem tiver.

Gosta de conviver e de ser o centro das atenções, não por vaidade mas por iniciativa de seu ser preponderante e auspicioso. É curiosa e faz montes de perguntas, algumas sem resposta eloquente, pois é perspicaz e inteligente. Não se envaidece por ser a visada, no que promove de bom instinto e só se sente completa quando os que estão ao seu redor ostentam um cenho de felicidade. A criança que há em nós tem sempre em mira um fim, que alcança com perseverança e sustentabilidade, na sua tenra idade. Sim porque a criança que há em nós, tem comportamentos de criança, conquanto num corpo de adulto.

É sonhadora e vira os sonhos de pernas para o ar com uma eficiência própria de uma criança, que acha o mundo dos adultos aborrecido. Em tudo o que faz a inocência está presente, para ela a vida é uma eterna brincadeira, que gosta de desencadear onde e com quem quer que esteja. Mas também é responsável e leva essa responsabilidade muito à séria. A criança que há em nós é o nosso querer bem, ante o que nos rodeia e diante das demais pessoas, que com ela convivem, com um prazer inolvidável e irrepetível. Todos temos uma criança dentro de nós, deixemo-la viver e sonhar.

Jorge Humberto
18/08/10

Cântico Triunfal


I

Nada é mais injusto que a consciência humana. Ter-se ciência é, muita das vezes, quando não sempre, o passo entre o sucesso ou a tragédia. Temos junto de nós o conforto de quem nos ama, ele nos conduz a nós próprios, porém teimamos em não vê-lo, e persistimos, num egoísmo tão sóbrio quanto parcial, em sermos sós, espécie em declínio, a necessitar de protecção. Dai-me só um momento de fraqueza, um espasmo de solstício, e deixai-me assim, nas sobras de mim, no âmago das cousas.

II

Raros não são os momentos em que, perdido nos meus pensamentos, dou por mim esquecido, e já pertenço ao que fui buscar lembrança, como quem se vê duplamente por fora e não reconhece o que está a ver.

III

O homem é tanto maior quanto maior é o seu desamor às coisas, e é por isso que o amor total é a perda deste em desfavor do homem. (Plácidas palavras não renunciam a verdade dos factos, são conseqüência de um passado algo distante, de acordo com um presente marcadamente ausente.)

IV

“Amar perdidamente está para a loucura, como a loucura está para o suicídio”

V

Conforta-me o pensamento de nunca precisar pensar em nada, para além de um simples Instante, em que pensar é nada mais do que isso.

VI

Hoje, acordei eufórico, não porque estivesse eufórico, ou algo parecido, ou por semelhante coisa exterior a mim, mas porque não o sabia dizer e sentia-o como que à flor da pele, superficialmente como que num ranger de dentes e porque, abrindo a janela de meu quarto, não reparei na flor, que agora guardo pousada dentro dos meus olhos, rubros de um cansaço Inútil, quase morno, quase febril, de a tudo se darem sem obrigação nenhuma.

VII

Mas se falasse de amor diria que amo, e isso sem qualquer equivoco ou retrocesso de espécie alguma, não se ama a ninguém sem esperar desse alguém o melhor que há em nós, se a isso se chama amor, então eu amo, como o melhor que há em mim, e está tudo dito.

VIII

Vi nas águas paradas de um rio o meu reflexo, mas não eram meus os olhos que das águas olhavam pra mim, como numa imagem sonâmbula de si mesma, eram doutro que não estava ali, e esqueceu de levar o pensamento atrás de si.

“Águas deste mar a que me conduzo sem razão, meu ser é perdido e tão pequenino, quem lá fosse achar-lhe sentido – ó mar! –, pequenino seria e seria assim...”

IX

Que todo o homem é profano, que todo o homem é omisso, que não cuida quem cuida, cuidar-se bem (a si como ao outro), vazios de alma que são de hoje e de sempre, alimento de uma sociedade desequilibrada emocionalmente, quem dera inda assim o tempo das luzes, aonde descobrir era o segredo que ia nas asas do vento e o próprio vento todas essas coisas em segredo.

X

Carros! Máquinas! Barcos! Comboios, de alta velocidade! Ah, quem dera, tudo isso, nas veias! Rasgando-me, uma e outra vez! Cuspindo-me longe, de encontro os muros! No focinho da palavra! Como quem grita desesperadamente! E ter todas as mães sem ter filhos e todas as mulheres que são viúvas escutando o meu grito, de olhos fechados.

Calculadoras! Computadores! Altas engrenagens! Fornos e geradores! Cabos, de alta Tensão! Televisão! Foto-montagem! Ultravioletas! Passarelas de néon! E o mais que haja! E o mais que haja! Quero tudo isso na carne! Violando-me os sentidos, perversamente acordados.

Hip-la-ô!!! Hip-la-ô!!!... ser eu todas essas mulheres que são mães, que não têm seus filhos por perto, e todas essas mulheres que são viúvas, de olhos fechados.

XI

Sou uma espécie de vagabundo compulsivo, mas com coração ou, se quiserem, consciência, o que é um óbice para quem quer mudar o mundo. Como sou egoísta o bastante para não precisar de ninguém, para querer nada, e nas sobras do ego o romantismo é um eufemismo, com que me divido, entre um e o outro, nos raros dias em que a paz é sustento de mim e se prazenteia na consumação do delírio inicial.

XII

Trago uma criança pela mão. Ela é pura, de olhos limpos. Sua pureza incomoda e frustra o comodismo. Mas a criança que trago junto a mim é pura e não entende a linguagem dos homens. Por isso segue sorrindo e cantando e os homens não a entendem e ela sorri. A criança que trago pela mão gosta de se divertir e de não pensar em nada. E sorri e canta e ama e brinca com os gatos e ouve música clássica e lê e escreve, escreve muito, diz ela que talvez assim a percebam melhor porque sorri quando não a entendem. A criança que trago junto a mim é pura e vê com os olhos do coração.

XIII

Vagamente absorto, vagam por mim vagarosamente águas plácidas de meu ser, que, de absoluto, vagueia, qual irreal conceito do outro, que fizesse de mim um ser duplo, uma e outra vez incessantemente.

XIV

O menino, que dorme à noite sozinho, pede a deus pelos seus amigos. Mas ele não sabe rezar, o pobrezinho, e ali fica, joelho no chão, olhar posto no travesseiro, uma com a outra, as mãos. Que reza eu não sei, mas isso que importa, se tudo o que ele diz, di-lo baixinho e a ninguém incomoda. Dorme, menino, dorme em paz, e que o teu jardim seja sempre o mais florido, e, o que lá puseres, o eterno amanhecer. Dorme menino, não regresses ao corpo e descansa em paz.

XV

Tu que passas por aqui e trazes a sabedoria contigo, se vais e passas e levas a sabedoria contigo, não passas nem levas nem trazes sabedoria nenhuma.

XVI

Quão frágil o pensamento, quão previsível o seu estudo, só a Natureza tem filosofia.

XVII

O homem é um animal de hábitos que, não sabendo gerir os seus impulsos, viu-se na iminência de se auto-destruir, como forma única e viável para a sua sobrevivência.

Ah, quanta metafísica, há nisto tudo, e nenhuma metafísica!


XVIII

Já repararam na beleza de quando uma palavra é livre, sem pedir meças nem perdões?

Assim é a minha poesia: letra sem freio, que vai de encontro aos muros da desgraça, que não cala nem fantasia mais do que é possível à fantasia, desdenhando de todos os críticos bastardos, que não sabem o que é um poema, parido do mais alto do poeta. Ah, preferia rasgar todos eles, rasgar todos os meus poemas, a escutar um único crítico, negro corvo de uma nova inquisição, masturbador passivo, que mais não faz do que repetir-se uma e outra vez, na clausura da sua deformidade intelectual. Hurra! Hurra! O poema, Zzzzzzzzz-t! Zzzzzzzzz-t-t-t! E é pau! Pedra! Gaze! Lilás! Talvez! Às vezes! Cisma! Delírio! Fome! Que te consome! Hurra! Hurra! Hip-la-ô! Água! Gavinha! Colibri! Asa! Pássaro! Avião! Astronauta! Argonauta! Pirata! Caravela! Vento! A barlavento! Ah, quanta poesia, cabe em tudo isso, sem precisar de rima nem verso! Eh-lá-ó! Eh-lá-ó!... E assim sigo esta minha estrada, ora criança, amando e sendo amado, ora homem, amando e sendo odiado, mas vertical e sem arrependimentos.

XIX

Fecham-se as portas, atrás de mim, desço o corredor, do mais amplo de meu ser. Aqui me encontro com o que, sem pensar, penso que há em mim. E quando a alma se agiganta nada perece, tudo se transforma: E eu já só sou aquele que todos querem e o que todos invejam.

XX

Não me conheço mais do que saber-me sentido, e, por isso, sou o perfeito desatino, com que me confundo e recomeço.

XXI

Alma sobreposta a outra alma, não faz uma alma maior, a cada alma a alma que couber. Mas mi alma é muitas e não quer saber de nomes, só que é alma e que tem muitas almas dentro de si. Por isso é que eu nunca sei se vou ou se fico, quanto alinho há em mim, quando é nas sombras que deposito o ser-me assim. Mas e a vida que não espera, a semente quando tarda? Ah, quanto de mim, há em ti, tu, que me lês?!...

XXII

Hip-la-ô! Hip-la-ô! O poema! O fonema? O teorema? Uma flor de açucena! Hip-hip!! Hurra!!!... Hip-hip!! Hurra!!!... Chiiiiiiiiiiii! Pffffffff-tu-tu-tu-tu...!!! Próximo apeadeiro, Tabaqueira, é favor de recolher a sua cabeça para dentro, o comboio parte dentro de... agora mesmo... PiUiiiiiiiiii.... Pouca-Terra! Pouca-Terra! Adeus! Adeus! A deus! O que é dos homens?


Jorge Humberto
18/04/05

A LIBERDADE

A liberdade é um direito que se adquire à nascença e que deve perdurar vida afora. Nada mais importa do que a liberdade plena e consciente, contra tudo e contra todos. Deve-se estar ciente que a nossa liberdade existe, onde termina a liberdade do outro, por isso se deve ser rigoroso e exigente para consigo mesmo. A liberdade é o direito de debater e confirmar suas ideias e ideais. Sem ideais a liberdade é promíscua e de pouca duração, não passa de um ilusório sentimento que se esbate com o tempo. Liberdade de expressão não pode ser palavra vã na boca de ninguém. É a concessão assumida e determinante.

A liberdade é tanto um direito assumido quanto mais se luta para a conquistar. O poder manifestar-se um sentimento, sem medos nem preconceitos de outrem é o máximo da plenitude, desse direito conquistado e cinzelado, no dia-a-dia. A liberdade é um sentimento de grandeza, no acto ou efeito de exprimir-se livremente. A actividade da liberdade deve-se exprimir, em cada um de nossos conceitos, quer seja através da palavra quer seja através do sentimento que nos regula e prediz. A liberdade não deve ser palavra vã nem se deve descurar esse bem maior, como um sentimento de excepção.

A liberdade é a manifestação desse ou desses sentimentos íntimos, manifestados pelos gestos ou pelos jogos da nossa própria fisionomia. A liberdade não deve ser castrada, deve sim assumir um papel preponderante a levar pela vida afora. Todos os cidadãos devem ser possuidores de uma liberdade que os regenere, em caso de falha, que, convenhamos, anda de mãos dadas com o Homem. A liberdade é tanto maior quanto mais a pessoa exige dela, com predicados e bom senso. O bom senso deve ser comum mas exemplar para a comunidade, onde está inserido, na defesa dos interesses de toda uma sociedade pluralista.

A liberdade não se deve resignar àquilo que arduamente possui, deve querer sempre mais e melhor, nunca ultrapassando os limites do razoável e de suas possibilidades inerentes, passíveis de franqueza. A liberdade é o direito de proceder conforme nos pareça melhor para nós e para os que nos rodeiam, contanto que esse direito não vá de encontro ao direito de outrem. É o conjunto das ideias liberais ou dos direitos garantidos ao cidadão. A liberdade de se exprimir consoante as suas ideias e ideais, é a rectidão e o desassombro, dessa própria liberdade, que nos cabe.

A liberdade é justa e recta, desde que não se ultrapassem as fronteiras do que lhe é devido. Assim o cidadão provido dessa liberdade, nunca deve passar além de sua raia. A liberdade assiste-nos mas devemos cooperar e estar presentes sempre que é preciso auxiliar alguém, que momentaneamente ficou desprovido dessa liberdade. Devemos ser cooperativos e auxiliar a quem se nega à liberdade de expressão, porque se resignou ou se vê preso à sua própria identidade. A identidade com a nossa liberdade, deve ser contínua e activa, não pode viver de pressupostos e muito menos de esconjurações.

Jorge Humberto
17/08/10

A SEMENTINHA

Ninguém sabe o que tem nem
o que a alma quer
ninguém sabem muito bem
se alguma coisa à terra vier
se ao largares a semente
venha a chuva de repente.

Da sementinha vem a flor
da raiz o chão que ela buscou.
E será em todo o seu esplendor
da flor o que ela rebuscou.
Nascerá porventura um jardim
e como este não haverá nenhum assim.

Jorge Humberto
16/08/10

A HUMILDADE

O humilde é simples e modesto, veste-se de forma singela e de maneira a que os olhos dos outros não recaiam sobre ele. A pessoa humilde está sempre pronta a ser prestativa e a ajudar quem precisa dessa ajuda. Tem movimentos cadenciados e é tranquilo, na sua forma de ser e de agir. O humilde acata com humildade a opinião dos outros mas também tem a sua própria opinião, que desvenda com toda a modéstia do mundo. O humilde é uma pessoa querida por todos e requisitada para dar conselhos, aos seus amigos ou à pessoa mais “vulgar”, que ela faz questão de manter uma boa relação.

O humilde é generoso e nunca entra em contendas com ninguém, sua forma simples de ser leva-o a com paciência a explicar as coisas. Aceita os outros como se fosse ele próprio e tem satisfação em ser prestativo. O humilde é despretensioso e dá-se bem com a vida que leva, não exigindo mais do que o necessário para ser feliz. Tem sonhos e ilusões como qualquer pessoa e com toda a desafectação, fala de suas pretensões, aos amigos. O humilde não tem nada de medíocre e leva a sua vida com lisura, outra coisa que se possa apontar, e que não tem nada de lhaneza, é a sua ingenuidade.

A sua ingenuidade mais não é do que ser uma pessoa sem malícia e afectação, nada tem de parva. E é por isso que não gosta de ser o centro das atenções, prefere manter-se no anonimato e no seu cantinho, e ser prestável sempre que necessário. A pessoa humilde é uma pessoa inocente e o mais natural possível e é por esse seu costume que é procurada por todos, para ser sua confidente. É estável e sabe sempre ao que vai, com naturalidade e sem grandes exigências. A pessoa humilde não tem vaidade alguma nem é orgulhosa ou presunçosa. Vale-se de seu bom carácter para ser prestativa, de forma a ser útil para os outros.

A pessoa humilde caminha com naturalidade e tem a alma espelhada no rosto. Todos a conhecem e tratam-na com carinho, numa demonstração cativante de amor e benevolência. Ela própria é benevolente e nunca guarda rancor de ninguém. Nunca se vê levantar a voz para se explicar e não entra em discussões que não levam a nada nem a lugar algum. Sabe esperar a sua vez estoicamente e com paciência, com um sorriso sem ornatos nos lábios. É pura e de uma singeleza desconcertante, o que às vezes leva a más interpretações, por parte das outras pessoas, que não compreendem tanta bondade.

O humilde é de fácil interpretação e nada complicado quando conversa com alguém. Tem vontade de fazer o bem a todo o instante sem olhar a quem, raça ou crença, e isso é algo natural nele. É testemunha de afecto dos outros, para com ele e chora com naturalidade, expondo a sua vida sem falsidades. A pessoa humilde explica-se com clareza de espírito e não se evidencia diante as outras pessoas. Passa despercebida onde quer que vá, mas os outros têm a tendência em procurá-la para pedir ajuda. Seu cenho é tranquilo e de boa disposição e tem força de ânimo, tanto para si como para os outros.

Jorge Humberto
16/08/10

domingo, 15 de agosto de 2010


PERPENDICULAR

Eu não sou este, sou
o outro,
o que pensa
e transforma o
pensamento em
realidade palpável.

Eu sou aquele que
realiza
as ilusões
mais descabidas e
improváveis
de acontecerem.

Sou o sonho
desperto e irascível,
nada me
surpreende,
nem mesmo o
espelho obtuso.

Rasgo meu peito
e concebo
cavalos de espuma,
que correm
feito loucos
pela orla de meu ânimo.

Eu não sou este,
sou o outro,
o que faz do
pensamento
um modo
de sobrevivência.

Jorge Humberto
10/08/10

A PAIXÃO

A paixão é a perturbação ou movimento desordenado do ânimo. A paixão é o objectivo de alcançar o amor. A paixão tem grande inclinação ou predilecção pelo amor. A paixão é cega e tenta por todos os meios alcançar o seu propósito. A paixão é o amor ardente entre duas pessoas ou mais. A paixão é o amor na sua fase mais profunda e exagerada. Quem sofre de paixão não dá descanso à pessoa amada, fá-la sentir-se importante mas não consente a aproximação de outro indivíduo. A paixão não raciocina nem tem bom senso, é o tudo ou nada a ser posto em causa.

A paixão é procedente de sensações que está voltada para o objectivo que examina. A paixão assim é doentia e sobrecarrega a pessoa alvo dessa paixão. A paixão tem tanto de evidente como de egoísmo, porque não consente um outro sentimento, que seja mais próximo da realidade. A paixão pode ser uma pessoa enferma que sofre de uma doença patológica. A paixão é irracional e pode cometer maus tratos, tanto físicos como psicológicos. A paixão é incomensuravelmente ciumenta, e tem por hábito afastar as pessoas amadas do contacto com os outros.

A paixão é de extremos, e tanto pode ser sociável como não. Depende da confiança entre os dois apaixonados, que tanto pode ser racionável como irracional. A paixão só tem olhos para o “objecto” de seu desejo e não consegue ir mais além, à custa de ciúmes inexplicáveis e sociais. A paixão não reparte nada com ninguém, e, até mesmo a pessoa amada, é alvo de descriminações, não entendíveis ao comum dos mortais. A paixão tanto exalta como penaliza quem vive esse estado de graça, que tanto pode ser benevolente como não. A paixão é causadora de excitação.

A paixão não tem regras nem sofre de bom senso, é tudo tal qual ela quer, seja de uma ou de outra forma, contrária à razão. A paixão não é dotada de razão nem ou de raciocínio. A paixão só tem olhos para a pessoa almejada e também pode criar conflitos, quando contrariada. A paixão assim, sem dar espaço ao outro, pode gerar violência e é exímia em defender os seus actos, muitas das vezes não entendíveis ou compreensíveis. Compreensão é coisa que falta à paixão extrema, mas também pode ser de um cuidado extraordinário. A paixão, quando levada aos seus limites, pode ser o oposto do amor, entre duas pessoas.

A paixão requer carinhos sem precedentes, mas normalmente descamba no contrário, pois as pessoas não sabem medir o grau de perfeição, que a paixão exige. A paixão encontra-se distante do que é considerado normal ou tradicional.
Normalmente a paixão exagera nos sentimentos, o que dá lugar a desentendimentos. A paixão é uma amante irascível e não procede, o amor que ela concebe encontra- se situado nas extremidades, do concebível. A paixão neste conceito é ilusória e pode ser uma pendência e uma altercação à desordem. A paixão é a passagem do amor sadio para algo de dependente.

Jorge Humberto
11/08/10

EM HARMONIA II

Quando contigo a harmonia
vai na estrada em franca lealdade
o céu de tão azul fica mais azul
e o rio da minha terra corre sadio,
até alcançar a sua margem.

Os pássaros levantam voos indefinidos
e o certo é os galhos que colhem
para os seus ninhos.

Vejo-os a toda a hora em plena
construção, viajando de cá para lá,
sabendo de cor o caminho de regresso
donde esbracejam os mais pequeninos,
sempre esfomeados.

A vida assim, tendo-te a meu lado, é
uma bênção dos deuses
e até nós plantamos as nossas sementinhas.

Jorge Humberto
11/08/10

BOA VIZINHANÇA

Uma boa vizinhança requer solidariedade, compromisso e prudência, nas palavras escolhidas. Bons vizinhos entre ajudam-se nos momentos mais delicados de suas vidas, são sempre os primeiros a chegar em caso de doença ou de uma aflição. Estão sempre a visitar-se ou a telefonar, para saber uns dos outros e como vão de saúde, assim como para saber as novidades e pôr a conversa em dia. Bons vizinhos gostam da companhia uns dos outros e fazem questão de estarem presentes a todo o instante. Bons vizinhos cumprimentam-se efusivamente, como se não se vissem há anos. Uma boa vizinhança requer partilha e doação.

Uma boa vizinhança tem como acto principal o bem-estar de todos e oferece-se para ajudar, sem piscar os olhos ou inventar desculpas esfarrapadas, fazem mesmo questão de estar na primeira linha. Bons vizinhos choram, quando a tristeza bate à porta deles e sorriem às gargalhadas dos seus gracejos, como se foram crianças, fazendo traquinices entre elas. Bons vizinhos saem juntos, para onde quer que vão e acompanham a vida uns dos outros. Fazem as refeições juntas e são sempre os primeiros a levantarem-se, para pagar as contas. Sendo um reboliço para saber quem paga o quê.

Boa vizinhança requer pensamento positivo e alegria, e nunca discute ou entra em desavenças. Bons amigos gostam de compartir tudo juntos, e dão primazia aos outros, ficando os próprios para o fim, o que não lhes faz diferença alguma, estão ali para agradar e para se valerem. Sabem uns dos outros e fazem questão de ser presença assídua, na vida dos demais. Pressentem as coisas com um sexto sentido
e basta que se olhem nos olhos para saber se tudo está bem, ou se existe algum problema, a ser resolvido na hora. Bons vizinhos contribuem para que outrem faça alguma coisa.

Boa vizinhança não necessita de mordomias, bate à porta e entra e é sempre bem recebida, com o melhor que se tem para oferecer. Presta-se a tomar conta das coisas lá de casa, quando as férias entram portão adentro. Bons vizinhos sentem cuidados uns pelos outros e ressentem-se quando algo não vai bem com algum deles. Não pensam duas vezes para fazer uma boa acção e aprestam-se para se dividir em vários, para acudir aos vizinhos necessitados. Bons vizinhos estão sempre em estado de graça, apoiando-se uns nos outros. Sentem uma excitação e um gozo especial por estarem juntos.

Entre boa vizinhança há confiança e os amigos crêem uns nos outros e há uma mentalidade aberta, para as mais variadíssimas coisas, do dia-a-dia. Fazem visitas regulares uns aos outros e a casa dos amigos é a sua própria casa. Tomam conta dos filhos dos demais como se fossem os seus próprios filhos e tal não lhes causa aborrecimento antes contentamento. De entre os vizinhos salienta-se a satisfação por estarem a conviver uns com os outros, como numa grande família, que é o que são, no âmago da questão. Boa vizinhança comporta-se de maneira civilizada. É solidária e pensa sempre no bem-estar, que usa e abusa.

Jorge Humberto
12/08/10

O LIVRO E A NATUREZA


Sento-me nas falésias de mármore
contemplando o mar e os
rochedos pontiagudos, emergindo
das águas,
salpicadas de verdes e de corais.

Abro o livro no ponto exacto onde
o deixei, na madrugada de ontem
e ponho-me a folhear,
conforme vou lendo com avidez,
a história que ele me narra.

É um folhetim policial e conta-nos
a história de um detective
solitário, que tem poucos a quem
chamar de amigo e faz da sua
profissão, o seu modo de vida.

Uma brisa fresca sobe pelas falésias
vinda directamente do mar,
mas abaixo, refrescando-me e
dando-me alento para pôr o livro
de lado, contemplando a natureza.

É majestosa, no seu estado natural,
e consigo descortinar à distância
um ponto negro, a horizonte,
tratando-se provavelmente de
um navio, indo para parte incerta.

Certo é o caminho, que farei de
regresso à cidade, agora que satisfiz
a minha curiosidade junto à costa,
donde as ondas são como cavalos
de encontro aos rochedos.

Antes de me ir pego no livro com
cuidado e tacteio com volúpia, numa
satisfação íntima, o manuscrito,
que deixei para ler com entusiasmo mais tarde,
quando a noite se anunciar, de novo.

Jorge Humberto
12/08/10

O MEDO

O temeroso é desconfiado e anti-social. Desconfia da própria sombra e vive a meio a grades imaginárias. Sofre de fetiches vários, sendo um deles a socialização com as outras pessoas, ao seu redor, que ele evita por todos os meios passíveis de se concretizar. O temeroso é receoso e o seu modo de vida é de uma infelicidade total. Poupa-se ao contacto com as outras pessoas e por isso pode ser considerado pouco recomendável. Nunca olha nos olhos das outras pessoas e mostra pouco à vontade para manter uma conversa, com quem quer que seja. O seu medo, concreto ou imaginário, torna-o numa pessoa pouco afável.

Sofre de ilusões exageradas e pensa sempre que os outros estão a falar dele. Daí os tremores, que não consegue evitar, e que o tornam sofrível e carrancudo. O temeroso sua muito e pode-se cheirar o medo ao longe. Não consegue explicar-se convenientemente pois o medo impossibilita-o de se fazer entender. Está sempre a pedir desculpas, como se fosse o causador de todos os males do mundo. Não confia em ninguém e nunca se aproxima para pedir uma simples explicação. O medo fá-lo inteligível e afasta-o das pessoas, que se sentem à vontade por esse facto, pois também eles são afectados pelo medo do temeroso.

O temeroso não se comunica gesticula descontroladamente para se fazer entender, ao que vai. O temeroso tem gestos desgovernados e perde o controlo facilmente. Está sempre super vigilante, e olhando os sapatos fica atento ao que os outros falam, parecendo-lhe que escuta o seu nome a todo o instante. O medo fá-lo perder a razão quando se tenta explicar, pois troca as mãos pelos pés. É sofrível e desencantado com a vida, e choca-lhe o facto de os outros não o entenderem e nem fazerem nada para que isso aconteça, é claro que isso não passa de mais uma ilusão do medroso.

Está sempre a olhar para os lados, com manias de perseguição, que ele examina minuciosamente, não vá o diabo tece-las, sujeitando-o ao impacto com outra pessoa. Sofregamente insociável é uma pessoa extremamente solitária e triste. O medo está presente em todas as ocasiões o que a impossibilita de fazer uma vida normal e saudável. É uma pessoa doente e a precisar de cuidados médicos urgentemente. O temeroso é deprimido e está sempre em casa, quando tal é possível, saindo apenas para o inevitável. Pensa frequentemente no suicídio como forma de acabar com todo este estado deplorável.

Nem sempre tem o domínio de sua vida o que acarreta e chama a si o medo. Sobretudo é uma pessoa inteligente, mas que é traída por este sentimento, desagradável e persistente, que o deixa quedo e mudo, a um canto. O temeroso fiscaliza-se sistematicamente, de modo a ter o controlo de um serviço, que o orienta do modo mais conveniente. Tudo o assusta e se possível foge de suas obrigações. Não concretiza os seus sonhos, pois acha-os irrealizáveis, derivado ao seu receio em ser feliz. O medo é responsável pelos seus insucessos escolares e empresariais. Caminha cabisbaixo com medo de ser reconhecido.

Jorge Humberto
13/08/10

A INIMIZADE

A inimizade é produto de um mau carácter e de má índole, de um indivíduo, que põe em causa toda uma estratégia de uma sociedade saudável e recomendável. A inimizade é traiçoeira e imponderável, levando as pessoas a cometerem injustiças de toda a ordem. A inimizade é a malquerença e o ódio assumido do contrário, que leva à quebra de relações. A inimizade é o inimigo número um de tudo o que se move, e por isso é mal amado e hostil, fazendo com que os outros o repudiem e se afastem dele, para não ter de suportá-lo.
A inimizade é o oposto do amor e a hostilidade instala-se, de armas e bagagens.

A inimizade não faz qualquer esforço ou tenção para se aproximar das outras pessoas, que têm de partilhar a vida conjuntamente e em harmonia, mesmo que isso as humilhe, ante o inimigo declarado. A inimizade cobiça o que é de outrem e tudo faz, por todos os meios, para alcançar, o que é pertença de outra pessoa. A inimizade não tem bom senso comum, e acha que tudo é dela, por direito próprio.
É arrogante e tem aspecto marcial. Manifestamente sente-se em casa, ao agir de tal forma. É propositadamente austera, e manifesta-se negativamente quando contrariada. Desconhece e desconsidera a palavra «perdão».

A inimizade nunca sorri, o que é previamente pensado, para manter as pessoas afastadas e a uma boa distância, de si mesmo. Não dá explicações sobre os seus actos irreflectidos, e acha que estão sempre em divida para consigo. A inimizade é irracional e animalesca, fazendo jus, ao seu mau nome. A inimizade não tem amigos e está constantemente em guerrilha, verbal e física, com os demais, que, casualmente, interpõe-se na sua vida. A inimizade gosta de provocar maus sentimentos nos outros, que desencadeei em discussão, manifestando-se com fúria, para dar mais impacto à desunião.

A inimizade é traiçoeira e fala mal das outras pessoas pelas costas. Tem má influência e dá-lhe um gosto especial virar amigos contra amigos, através da mentira e da falsidade, que usa a propósito e com sabedoria. A inimizade não gosta de ninguém e prefere estar sozinha ou em conjunto com os seus sequazes,
que ela ilude a seu bom gosto e tiraniza. A inimizade nunca diz a verdade nem cumpre o prometido, o que lhe dá um gozo particular. A inimizade procede de uma má infância e é alimentada pelo mal dizer, vida afora. A inimizade tem mau prenúncio e é agoirenta, até mais não.

A inimizade maltrata e corrompe, quem com ela convive eventualmente, e tal não lhe causa transtorno nenhum nem lhe faz perder o sono, por isso. A inimizade é cobarde mas nada tímida, o que a faz ser valente entre os mais fracos. A inimizade compra amizades, não as conquista, prometendo mundos e fundos, aos futuros “amigos”, com a condição de ser a líder do grupo, que ela irá fazer uso de mau grado. A inimizade caminha com rapidez e desdém, nunca olhando para os lados, para não ter de encarar as pessoas, que passam por ela de soslaio. A inimizade semeia inimigos, por onde quer que passe.

Jorge Humberto
14/08/10

O NAMORO

O namoro é a coisa mais sublime que duas pessoas podem compartilhar uma com a outra. Há correspondência e muita entrega ente o casal, que vive de mãos dadas, beijando-se, como forma de selar e dar força ao namoro, que passeiam por todo o lado. Um casal de namorados quer-se sempre junto, brincando um com o outro e falando das coisas sérias desta vida, sempre de sorriso nos lábios e de olhos brilhantes de alegria, por se terem um ao outro. O namoro é uma responsabilidade, que requer humildade e despretensão, na sua rendição. Um casal de namorados nunca se zanga, e qualquer controvérsia é rapidamente sanada.

O namoro é um compromisso entre duas pessoas, que se dão uma à outra sem receios de se magoar, pois acreditam em si. Tudo é partilhado e não há segredos entre eles, fazem mesmo questão que assim seja, pois só dessa forma o namoro pode evoluir e crescer saudavelmente. É extremamente comum mas racional e compreensível que haja, durante o namoro ciúmes, pois só se querem um ao outro, e outra pessoa nas suas vidas está naturalmente fora de questão, no entanto mantém as velhas amizades e no entretanto arranjam amigos novos, apesar de só terem olhos, um para o outro.

O namoro é entendimento e flexibilidade, apesar de viver colado não deixa de partilhar o seu amor, com os amigos e conhecidos, o que fortalece ainda mais o galanteio. Os namorados vivem apaixonados e gostam do acto de se seduzirem, fortalecendo assim os laços entre eles. O namoro é questão de honra, que faz por cumprir a cada minuto do seu dia-a-dia. Um casal de namorados é sempre muito apreciado pelas pessoas, que passam por eles, dizendo o quanto bonitos eles são e que ficam muito bem um para o outro. Eles naturalmente sorriem e abraçam-se, como uma flor a desabrochar.

Sentem amor sem tamanho um pelo outro e sofrem as dores da pessoa amada. Confortam-se entre eles e desabafam o que lhes vai no coração, apertadinho de bem-querer. O namoro cobiça as coisas um do outro, e, de quando em vez, veste a roupa e outras indumentárias, pertencente ao seu par. Estar enamorado é um pássaro no céu e uma flor no jardim, que o homem colhe para dar à sua namorada. Por vezes ela cora, o que lhe traz um encantamento ainda maior por parte do seu namorado. Um par de namorados nunca entra em desavenças, resolvendo as questões de fundo, conversando entre si.

Namoro é paixão ardente é ter amor por outrem e repartir esse amor como coisa significativa, que se deseja alcançar por todos os meios. Um par de namorados é a cara-metade de entre eles e confiam um no outro cegamente. Confundem-se como uma pessoa só, tal o compromisso que têm, um para com o outro. O acto de se entregarem é a coisa mais bonita de se ver, e muita gente pára para ver e discutir a assunção. Não se deve ter inveja de um casal de namorados, pois tudo fazem para engrandecer e embelezar o mundo ao seu redor. O namoro é majestoso, grandioso, esplêndido e sem igual.

Jorge Humberto
15/08/10

terça-feira, 10 de agosto de 2010


A AMIZADE

A amizade tem tanto de efémera como de intemporal. Mas se a amizade for verdadeira dura o tempo de uma vida. A amizade é um sentimento recíproco que duas ou mais pessoas sentem umas pelas outras. A amizade é cúmplice do seu amigo, vai com este para todo o lado, mesmo que não estejam na presença um do outro. A amizade é um sentimento nobre é nutre boas relações entre as pessoas. A amizade é a parte moral ou material que uma pessoa alimenta pela outra. A amizade é um sentimento de contentamento, que preserva esse estado ao manter a ligação entre pessoas.

A dependência da amizade pode ser eterna e é nutrida intensamente, quando conservada pelas pessoas, que atingem esse grau de amizade elevado. A amizade é amiga do seu amigo e defende-o até ao fim, digam os outros o que disserem, da pessoa acusada. A amizade preocupa-se com os amigos e quer saber destes a todo o instante, para saber se estão bem ou se precisam de alguma coisa. A amizade faz sacrifícios em prol dos outros e não lhe pesa ajudar quem quer que seja, porque os amigos estão aí uns para os outros. A amizade é leal e fiel e alimenta-se dessa lealdade e fealdade, conferindo-lhe estatuto de importância.

A amizade enobrece as pessoas e é o que mais interessa, quando os amigos se juntam, para preservar a utilidade, entre uns e outros. A amizade é recorrente e muitas vezes retrocede e volta à sua origem, dando-lhe uma estabilidade maior. A amizade pode ser um instante, em que pessoas se ajudam umas às outras, com destaque para a boa interacção, entre estas. A amizade anda de mãos dadas e faz presto disso. A amizade por vezes torna-se em algo mais intenso, juntando duas pessoas, que passam a partilhar a sua vida entre elas, para o resto da vida, desde que se preserve a amizade de princípio.

Uma relação de amizade pode muitas vezes ser uma ligação afectiva ou sexual entre duas pessoas. A amizade gosta de compartir os seus sentimentos entre os amigos, que fomentam essa amizade para promover o seu progresso. A amizade é o amor no seu instinto mais puro e dignificante. Um amigo chora pelo seu amigo, quando este passa por dificuldades pessoais, socorrendo-se assim um ao outro, dando-lhes forças para enfrentar o que aí vem de mau. Mas um amigo também fica feliz com a felicidade do outro e fazem-se promessas de género. A amizade só é precária, quando, à partida, não tem boa génese.

A amizade é algo de extraordinário, que faz com que as pessoas se agigantem, perante as dificuldades do dia-a-dia, ou perante um exercício de bem-estar, entre dois ou mais amigos. A amizade é um querer, querer bem, que só se dá por satisfeita quando oferece alguma coisa, a outra pessoa. Da e não diz que da, faz e não diz que faz e tudo é feito secretamente para apanhar as pessoas desprevenidas e fazê-las felizes, a amizade assim é qualquer coisa de excepcional.
A amizade aparece quando menos se espera e gosta de fazer surpresas, aos seus amigos. A amizade só tem bons precedentes e aconselha-se.

Jorge Humberto
10/08/10

MEUS AMIGOS SÃO

Engrandeço os meus amigos
com honra e lealdade firme
dou-lhes a beber do melhor
vinho e sirvo-lhes manjares

de deuses. Não os desaponto
e presto-lhes mil honrarias
que lhes concedo como o melhor
que há em mim, enquanto

pessoa. A todos a devida vénia
quando é por eles que passo
a passo lento e em conformidade
com o cumprimento velado.

Sorriu à sua passagem e deixo
a minha graça, de bom humor.
Humor fino, que eu resgato
do mais intimo de mim mesmo.

Porque os meus amigos merecem
só o melhor e guardo-lhes esse
pormenor, como se guardasse um
tesouro incalculável e valoroso.

Jorge Humberto
09/08/10

A MENTIRA E O MENTIROSO


A mentira é filha da inverdade. Encanta subtilmente quem faz uso dela e enfeitiça as suas vítimas. Vai até às últimas consequências para conseguir o que quer. E normalmente consegue o que almeja, à custa da falsidade. Conta histórias falsas com uma facilidade assustadora e uma abstracção própria da ilusão. A mentira é aquilo que engana ou ilude, de forma propositada e pensada. Há quem viva as suas vidas sobre a égide da mentira e só assim se sentem vivos e “úteis”. A mentira mente com quantos dentes tem na boca, prega petas aos incautos e desenganados desta vida.

A mentira é o acto de mentir como quem fala a verdade e é um engano propositado. O mentiroso planeia cada acto infame ao mínimo destaque, para conseguir levar de vencida, os seus intentos. O mentiroso não tem vergonha na cara e faz disso um modo de sobrevivência mental. O seu modo de pensar é totalmente desvirtuado e consegue enganar o próprio mentiroso, de tão incumbido e “distraído”, que está com os seus estratagemas falsos. O mentiroso é o mais natural possível e encena a mentira, vezes sem conta, antes de a usar para seu intento e propósito.

A tomada de decisão é deliberada para alcançar aquilo que o mentiroso pretende. A mentira tem como finalidade atingir os seus fins seja como for e de que maneira for sem pôr em causa o mentiroso futuramente. A mentira é uma cegueira e uma oportunidade desleal, de se obter fins lucrativos sem grandes esforços, basta fazer uso da pouca-vergonha e da inteligência, do qual o mentiroso usufrui. A mentira é uma resolução bem pensada e preparada, ao pormenor. Há quem viva da mentira, como se isso fosse um emprego, das nove da manhã às cinco da tarde. O mentiroso não precisa de picar o ponto, mas está sempre activo.

O mentiroso é discreto e não fala de sua vida, nem aos amigos, a esses mente descaradamente sem se importar muito com isso, pois faz parte de sua essência. A mentira usa do bom senso para executar na perfeição aquilo que planejou ao milímetro. Não se arrisca a nada, se consegue antecipar que algo vai dar mal, ante o que planeou repetidamente. A mentira é aparente e falsa cortejando de antemão e antecipadamente a sua presa, que só se apercebe do engano depois de este ter acontecido, quase sempre com resultados positivos, para o mentiroso. A mentira é canalha e não sofre de sentimentos de culpa.

O mentiroso alcança a sua ascensão quantos mais anos conseguir sobreviver da mentira, sem ser apanhado pelas autoridades policiais. O mentiroso é auspicioso e promissor, quando executa bem a sua “arte”. Dissimulada a mentira atrai as pessoas para si, de um modo natural e pertinente. Veste-se bem e tem sempre um sorriso anuente, para se aproximar da pessoa, oferecida ao sacrifício. O mentiroso é intelectual e tem um gosto predominante pelas coisas do espírito. Faz de sua vida um ritual, que segue à risca, sem se desviar da “sorte”, que o acompanha religiosamente.

Jorge Humberto
09/08/10

domingo, 8 de agosto de 2010


A ASTÚCIA E O ASTUTO

O astuto é auspicioso e atento a tudo o que o rodeia. De uma inteligência acima da média, faz bom uso desse estatuto para conseguir o que quer, ante as outras pessoas. Faz-se de útil para atrair as boas graças dos outros, é bem-disposto e tem um bom cenho, que encanta as gentes, prontas a serem favoráveis à astúcia do interlocutor. O Astuto é sagaz e engenhoso e consegue levar as pessoas ao que pretende delas. De fino trato para com os outros, já está a maquinar uma engenhoca, para seu bom proveito, à custa das outras pessoas. O astuto é bem-parecido e caminha pelo limbo, para causar boa impressão.

A astúcia usa de estratagemas para usufruir o que pretende, ardilosamente e subtilmente. Faz gala de sua esperteza e sorri à socapa, para não ficar mal visto perante os demais, possíveis e futuras presas, do astuto. É manhoso e ardiloso e estuda os costumes dos outros, para atacar na hora certa. Aplicado e respeitoso tem muitos amigos, dos quais tira proveito, sempre que a ocasião se proporciona.
Por tudo isso é bem considerado e nunca comete erros desnecessários, que o ponha em causa. O Astuto pensa no presente e no futuro, com o mesmo instinto qual fora se tratara de um animal, que se passeia pelo recinto de seu território.

Nunca comete erros que o comprometa futuramente, por isso vive o presente com o intuito de vencer as barreiras que se lhe deparam, no momento actual. É aplicado como um bom estudante e tem conversa para dar e vender, que os outros escutam com predilecção e arrebatamento, tratando-o como a um deus. Veste-se bem e com a propósito, nunca sendo exagerado, nem sequer na fragrância que usa, para atrair o sexo oposto. A astúcia maravilha pelo seu conceito, arrebata os outros e dá-lhes prazer a sua companhia, que é sempre bem estudada e aplicada, para conseguir o efeito pretendido.

O astuto é qualidade de pessoa que agrada aos demais, é elegante e gracioso. Não se importa de conceber um favor, pois sabe que vai colher os frutos dessa acção, mais à frente. Benevolente sabe perdoar, sempre com um gracejo na boca, que faz os outros sentirem-se agraciados. Garboso não deixa por isso de cuidar de sua privacidade, que leva muito a sério. Tem um dom natural que usa como meio de salvação ou satisfação própria. Sai sempre airosamente dos casos mais bicudos e exigentes, que faz com que puxe pelos seus galardões, como meio de escape. Goza de um estado de inocência, que os outros lhe auferem, e de isenção de culpa.

A astúcia goza de uma auto percepção fora do comum, nada lhe escapa às suas garras afiadas. Habilidoso o astuto mesmo quando abstraído está a pensar em novas manhas, a serem aplicadas aos mais distraídos e convencidos de uma suposta hierarquia, conjuntamente com ele, que fazem questão de agradar, quando não passam de simples fantoches. O astuto faz sobressair o que de melhor tem cada uma de suas vítimas, dando-lhes a sensação de importância que em realidade não têm nem nunca terão, deixando-os desavisados e descuidados. A astúcia é a mãe de toda a malandragem e de todos os imprevistos.

Jorge Humberto
08/08/10

A VAIDADE

O vaidoso é avarento e descuidado, no trato com as outras pessoas. É prepotente e sofre de síndrome de Narciso. O vaidoso não é, aparenta ser. Vive olhando-se no espelho e passa horas a cuidar de si. A vaidade é traiçoeira e nunca diz a verdade. É ilógica e sem senso comum, julga-se a tal e fala alto, para todos a ouvirem. O vaidoso mostra excessiva confiança e orgulho em si mesmo. É presunçoso e presumido, e tem grande cuidado com a sua aparência. É falso e encontra sempre defeitos a apontar aos outros, nunca olhando para os seus próprios defeitos, pois para ele estes não existem.

O vaidoso quando na rua, pára para se olhar no vidro da montra, e se regalar com o seu ego exacerbado. É exagerado e tem movimentos bruscos, passando a mão no cabelo repetidas vezes e tem um sorriso convencido nos lábios. É pernicioso e nocivo, mentindo muitas vezes sem se dar conta disso, pois a vaidade está tão impregnada nele, que não diferencia o bem do mal. É hiperbólico e tresanda a perfume barato. Aumenta ou apouca o sentido das palavras, que dirigi aos outros.
O vaidoso não se senta à mesa com ninguém, faz-se anunciar em voz alta e não é indiferente para as outras pessoas, embora estas o evitem.

É aquele que aparece e se mostra radioso, orgulhoso de si mesmo. Parece ser mas não é, vive de falácias e maus agoiros. Nunca tem uma palavra simpática para com ninguém e se acaso a tiver é de desconfiar a fartura. O vaidoso é peneirento e veste-se de cores garridas e ofensivas aos olhos. Mostra excessiva confiança e orgulho exagerado de si mesmo. Tem mil e um cuidados com a sua aparente boniteza. Julga-se o rei do sítio e tudo tem de ser em conformidade com o que ele “pensa”. Constrói à sua volta ventos e castelos de areia, que se desmoronam à primeira contrariedade.

A vaidade não se importa que seja só aparência, aliás faz jus a isso e glorifica-se. O vaidoso é irritante e anula os outros logo à partida, não dando chances de estes se mostrarem activos e de importância legal, maior que o seu egocentrismo exacerbado. Gosta de um corpo bem cuidado e veste roupas apertadas e justas, de maneira a salientar os músculos e os bíceps bem trabalhados, no ginásio lá da rua, que faz travessa com o cabeleireiro, onde passa horas a tratar de seus cabelos. É ambíguo excepção feita à sua hipocrisia e absurdo. Tem um manancial de tolices para se fazer ouvir, de qualquer jeito pois não concebe passar incógnito.

A vaidade não passa despercebida e é matreira, fazendo ridículo das outras pessoas, quando o quadrado é-lhe extremamente desfavorável. Faz birras como as crianças, quando não consegue alcançar o que almeja, só por cobiça e inveja. Tem desgosto pelo bem alheio e deseja possuir a qualquer custo o que o outro tem, acompanhado de ódio pelo possuidor. A vaidade não é nem um pouco de confiança e é insolente. Faz honra de ser como é, pois a vaidade está correcta, em contrapartida com o bom senso dos demais, que circulam à sua volta. A pessoa vaidosa evidência uma total indiferença para com os outros e é atrevida.

Jorge Humberto
07/08/10